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House of Wolves

Capítulo 7



Não consegui dormir o resto da noite. Talvez porque passei o dia deitada, mas acho que foi pela visita inesperada do Rudolph. Quando eu penso que está tudo caminhando para mais um fracasso, ele aparece na minha casa todo preocupado comigo. Acordei no dia seguinte revigorada. Não havia esquecido todas as mentiras em que minha vida tinha se baseado até aquele momento, mas a idéia de um imprinting correspondido me animava bastante.
Cheguei na sala de aula e a Nick foi me enchendo de perguntas e reclamações por não ter atendido seus telefonemas. Tentei explicar, mas ela ficava repetindo que isso não era coisa que se fizesse com uma amiga, então desisti de discutir e fiquei fingindo ouvir o que ela dizia até que um perfume completamente inebriante inundou minhas narinas. Virei repentinamente para a frente e Rudolph estava prestes a abrir a porta. Ele entrou na sala e eu sorri pra ele, ao que ele nem me notou. Sentou na primeira carteira da minha fila e ficou imóvel olhando para o quadro. Meu sorriso esvaiu-se e o professor iniciou a aula.
Definitivamente eu nunca iria entender os homens. Um dia ele chega na minha casa todo preocupado comigo porque faltei aula, no outro nem sequer olha na minha cara. Aquilo era muito mais difícil do que me acostumar com um imprinting em que via todos os sinais de perda. Era como se ele brincasse de ioiô com o meu coração. A aula terminou e eu saí da sala chateada pela possibilidade de falsas esperanças. Nick havia me perdoado pelos telefonemas e já estávamos conversando normalmente.
Sentamos no refeitório e ela começou a contar do garoto novo que tinha chegado no dia anterior na nossa sala. Ele sentou lá atrás então eu nem havia reparado nele hoje, mas a Nick não perdeu um segundo. O nome dele era Mathew Collins e tinha acabado de chegar do Kansas onde morava. Ela conversara com ele ontem e era isso que estava tentando me contar o dia inteiro com seus telefonemas. Depois que ela contou sobre ele e como ele era bonito, voltamos para o assunto Rudolph.
“Me assustei ontem quando estava conversando com o Matt e ele apareceu perguntando por você. Tá rolando um clima?” ela perguntou com aquele olhar de investigadora. “Que clima? A gente mal se fala, se é que você não percebeu.” Falei um pouco irritada e ela notou. “Nossa, calma! Só fiz uma pergunta.” “Desculpa, ando um pouco estressada com alguns problemas de família.” “Algo que queira dividir?” Eu adoraria compartilhar com alguém de fora toda aquela loucura que era a minha vida, especialmente com a Nick que era uma verdadeira amiga, mas eu não podia. Não podia simplesmente dizer a ela que a minha mãe lobisomem havia me abandonado, que todos diziam que ela estava morta quando ela não estava e que ela havia feito tudo aquilo para me proteger sabe-se lá de quê. Mas ao invés de dizer tudo isso, respondi apenas que não queria falar sobre o assunto.

Estava estudando no meu quarto quando o Bruno bateu na minha porta. Trazia um caderno de aparência desgastada. “O que é isso?” perguntei apontando para o objeto em sua mão. “Isso é algo que sua mãe deixou para você.” Dizendo isso ele me entregou o caderno. “Espero que você leia e entenda o que a levou a deixá-la.” Peguei o caderno e o abri. Era um diário onde, aparentemente, minha mãe havia escrito cada parte importante da sua vida. Folheei e percebi que ela não havia escrito todos os dias. Cada página ocupada tinha um mês ou um ano diferente da anterior. Bruno saiu do quarto dizendo que iria me dar um pouco de privacidade. Olhei mais uma vez para o diário sem saber o que fazer. Parte de mim queria lê-lo capa a capa para descobrir os mistérios que envolviam a minha mãe, mas outra parte queria voltar à época em que eu só sabia que ela tinha morrido. Abri em uma página aleatória e comecei a ler:

13 de maio de 1991
Ethan e eu estamos partindo para a França. Ele está atrás de nós e parece ter descoberto da nossa localização. Enquanto organizava minhas coisas, comecei a pensar se valia mesmo à pena viver fugindo daquele jeito. Talvez se eu não tivesse conhecido o Ethan e me apaixonado por ele, nada disso estaria acontecendo. Não gosto de pensar nisso. Não quero colocar a culpa de toda essa confusão num sentimento tão puro e sublime que é o nosso amor.


15 de junho de 1991
Estou cansada de fugir, mas sei que não posso parar. Ele não vai desistir. Ethan tenta me passar força dizendo que um dia ainda vamos conseguir viver em paz, mas acho que nem ele acredita mesmo nisso. Já rodamos o mundo inteiro e não conseguimos parar em um só lugar por mais de uma semana. Eu sei que Ele vai nos caçar até a morte e às vezes da vontade de dar a Ele o que tanto quer. Não me importo se morrerei no processo, mas pelo menos isso faria o Ethan viver em paz.


Quanto mais eu lia, menos eu entendia. Meus pais haviam passado sua vida inteira fugindo de alguém. Alguém que eu não saia nem o nome e que, pelo visto, era a mesma pessoa que matara ela. Mas porquê? O que a minha mãe tinha de tão especial para fazer um cara rodar o mundo atrás dela?