Tá tudo bagunçado. Roupas pelo chão, sapatos sobre a cama, janelas abertas e o som do vento a sacudir a cortina. Tá tudo bagunçado. A porta está aberta, mas ninguém quer entrar, as vozes que um dia me diziam que tudo ficaria bem se calaram. O som dos pássaros ecoa em seu lugar. Queria poder dizer que está tudo bem, que depois de tanta pancada, decepções já não me afetam mais. Estaria mentindo. O coração dói a cada pulsar por lembar como era ao te encontrar. Paredes me prendem como em um cárcere eterno onde tudo que vejo se perde na memória do seu olhar. Cansei de chorar feridas que não saram, pois a cada nova cura tem alguém a espreita para perturbá-la. Tá tudo bagunçado e está doendo, mas não vou dizer que vai passar. Isso só o tempo dirá.