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Capítulo 16: Difícil decisão





Depois de reunir mais uma vez todos na sala, li a parte que omitira do livro, fechei-o e olhei para Elena. Ela tinha um olhar vago, como se estivesse processando minhas palavras em especial a mais forte: sacrifício.
- Alguém teria que morrer por mim? – disse ela depois de alguns segundos de reflexão.
- Lílian, porque você contou? Esse era nosso segredo. – John me olhava com choque.
- Eu sinto muito John, mas não parecia certo ela não saber. – respondi e olhei de relance para o meu pai que me acenou afirmativamente com a cabeça.
- O senhor ia se sacrificar por mim? – perguntou Elena ao pai.
- É o mínimo que eu podia fazer por você. Todos esses anos você me tinha como um tio e no momento que você perdeu o único pai que conhecia eu não tive a coragem de lhe contar tudo, a deixei sofrendo na escuridão.
- Não. Não importa o que aconteceu, o senhor é meu pai e eu não vou deixar que morra por mim. Tem que haver um outro jeito. – ela disse, agora olhando para mim suplicante.
- Infelizmente, Elena, mesmo que aja outra maneira de manter tanto você quanto o Damon vivos, nós não temos tempo para procurá-lo. – queria que aquelas minhas palavras não fossem verdade.
- E se nós não precisássemos procurar? – Bonnie disse, dando um passo a frente.
- O que você tem em mente, Bonnie? – perguntei sem muita esperança.
- Há uma porção Druida conhecida como... – ela começou.
- Resurrectio. – completei. – Mas é só uma lenda.
- Como é que você sabe tanto sobre essas coisas? – perguntou o Giordanno com um nervosismo suspeito.
- Diferente de você, eu leio! – aquele garoto me dava nos nervos.
- Não é só uma lenda, Lílian. No livro de feitiços da minha tataravó ela descreveu a fabricação e o uso da porção e segundo ela funciona mesmo. – Bonnie respondeu, animada.
- Mas eu li várias histórias de bruxos que a fizeram e que ela não surtiu efeito algum. – não estava tão confiante, mas uma pontada de esperança ainda permanecia viva.
- De acordo com o que ela escreveu a porção só funciona se a pessoa tomar a porção menos de uma hora antes de morrer.
- Posso ver o livro? – eu ainda não conseguia acreditar.
- Claro! Está aqui. – Ela me passou um livro grande de capa preta e folhas amareladas, me mostrou a página e eu li. Segundo a tataravó de Bonnie, a porção durava em torno de dois dias para ficar pronta e os ingredientes não eram muito fáceis de encontrar. De qualquer forma, era uma esperança.
- Pai, o senhor poderia tentar conseguir esses ingredientes com o seu professor Slughorn? Nós temos uma porção a fazer. – eu disse animada.

Depois que o meu pai saiu em busca dos ingredientes da resurrectio, sentei ao lado do Tyler na varanda da casa. Ele parecia um tanto aborrecido.
- Algum problema? – perguntei.
- Só acho estranha a forma com que você se empenha para salvar esse vampiro. – ele respondeu carrancudo.
- Eu estou tentando salvar a Elena também – disse colocando o braço ao redor do dele.
- Mas eu tenho certeza que, pelo menos para você, ela não é a prioridade. – ele se afastou de mim.
- Eu estou tentando salvar o Damon porque ele é meu amigo! Ele teve a chance de me matar várias vezes e não o fez e por baixo dessa capa que ele usa, eu sei que existe uma pessoa bacana que merece uma chance. – eu já estava irritada, era a segunda pessoa que insinuava que eu estava apaixonada pelo Damon.
Tyler levantou-se e antes de sair me olhou amargurado. Foi só por alguns segundos, mas eu pude ver em seus olhos o lobo que vivia dentro dele.
- Você devia prestar mais atenção. – me sobressaltei ao ouvir a voz do Giordanno.
- O que você quer dizer com isso?
- Some dois mais dois: o Tyler não foi ao resgate da Elena e nem foi dopado como você, mas convenientemente não se lembra de nada que aconteceu naquela noite.
- E? – perguntei ainda sem entender.
- Lílian, a porção do Acônito não é a única forma de levar um lobisomem a se transformar, a raiva é um poderoso catalizador e você sabe disso.
- Você está querendo dizer que o Tyler mordeu o Damon por ciúmes?
- Você quem está dizendo. – dizendo isso, ele saiu e me deixou intrigada. Será que o Tyler teria coragem de matar o Damon por ciúmes?

Depois do jantar iríamos começar o preparo da porção, como já havia muitos bruxos pedi ao meu pai para ficar de fora, não queria estragar tudo por estar perdida em meus loucos pensamentos. Subi as escadas e bati na porta do quarto do Tiago que ele dividia com o Giordanno e o Tyler. Meu irmão estava ajudando com a porção e o Giordanno estava conversando com a Rose e a Sophie lá em baixo, portanto o Tyler estava sozinho. Como não obtive resposta abri a porta.
Tyler estava sem camisa deitado na cama olhando para o teto, vestia uma bermuda marrom e parecia ter o pensamento longe. Ao perceber minha presença, olhou para mim e continuou na mesma posição sem dizer nada.
- Queria conversar com você. – disse fechando a porta atrás de mim. Estava a começando a me arrepender de ter entrado, a visão daquele corpo perfeito estava me distraindo.
- Pode falar, mas eu acho que já sei o que você quer. – ele disse se sentando na cama.
- É sobre a noite do resgate da Elena. Eu queria saber se...
- Se eu não estava mentindo quando disse que não lembrava o que tinha acontecido. – ele me completou.
- Isso.
- Eu não me orgulho do que fiz – ele baixou a cabeça – mas eu não pude controlar. Naquela noite, você bebeu o chocolate e adormeceu no sofá com a cabeça em meu ombro, estava tudo perfeito até que ele apareceu e te olhou de uma forma diferente, te pegou no colo e te levou para o seu quarto como se eu não estivesse presente. Ele me ignorou completamente. Eu o acompanhei até o seu quarto e quando ele te colocou na cama, te deu um beijo e você sorriu e sussurrou o nome dele – Tyler tinha lágrimas de ódio em seus olhos. – Lílian, eu não pude suportar, eu pensei que você gostasse de mim. Fiquei parado e esperei ele sair do quarto, tentei controlar minha raiva, mas era mais forte que eu. Desci as escadas e o cacei. Cacei como nunca fiz antes. Busquei o cheiro dele em cada parte da floresta e quando o encontrei o mordi. Quando o sangue dele tocou minha boca, percebi o que tinha feito e saí correndo.
Eu estava chocada, não sabia o que dizer. Eu realmente não lembrava de nada, mas era difícil acreditar que o Damon tivesse feito aquilo, era difícil de acreditar que eu o tivesse beijado e chamado pelo seu nome.
- Tyler, deve ter algum engano. O Damon nunca me beijaria, ele ama a Elena.
- Eu sabia que você ia defendê-lo. O Damon nunca faz nada de errado, ele merece ser salvo!
- Tyler você está sendo egoísta!
- Egoísta, eu? Lílian, você já parou pra pensar que eu fui transformado para o sacrifício, que se ele acontecer mesmo eu também vou morrer? – ele não me deixou responder – Claro que não! Afinal, se o Damon tiver bem, tudo bem pra você, não é!
- Tyler... – eu não conseguia me controlar, as lágrimas agora banhavam o meu rosto – eu sei que você também corre perigo, mas...
- Mas o Damon é mais importante, não é? – mas uma vez ele não me deu chance de defesa – Se é assim fique com o seu Damon, afinal vocês se merecem. – ele tirou uma mochila debaixo da cama e saiu pela porta.
Eu corri, gritei, mas nada o fazia voltar. Caí de frente a casa com o rosto molhado de lágrimas. Todos que estavam na casa pararam à porta, olhando sem entender. Tyler estava fora de alcance agora e eu chorava copiosamente de joelhos na grama implorando que ele voltasse.

Capítulo 15: Dilema





- Posso entrar? – perguntou meu pai à porta do meu quarto.
Eu estava com o pensamento longe. Depois da conversa que tive com o pai de Elena, não conseguia me concentrar em mais nada. E se para salvar a Elena fosse mesmo necessário que ele morresse? Não sei se eu teria coragem de salvar a vida de Damon nessas condições.
- Claro pai, entre. – respondi ainda absorta em devaneios.
- Você ainda está chateada comigo?
- Não, é só que... Toda aquela história de vocês quererem me deixar de fora e de terem deixado o Tyler de lado também...
- O Tyler? Mas nós não o deixamos de lado, Lílian. Quando íamos sair o procuramos por todos os cantos da casa e não encontramos. – ele respondeu confuso.
- Então vocês não drogaram o Tyler também? – eu estava mais confusa que ele.
- Claro que não. Eu não poderia impedi-lo de ir.
- Mas ele disse que não se lembra de nada que aconteceu depois de beber o chocolate.
- Lílian, eu tenho plena certeza deque não tinha nada na bebida dele.
Agora eu estava sinceramente intrigada. O que acontecera com o Tyler? Será que ele estava mentindo para mim, será que ele se lembrava de tudo? Ou pior, será que ele tinha mordido o Damon?
- Bem, eu vim te chamar. Estão todos lá em baixo, eu e o Tiago achamos o livro, vamos lê-lo agora. – ele continuou a falar, mas eu não estava exatamente prestando atenção.
- Ok, então vamos descer.
O livro não trazia mais informações do que eu relatara mais cedo, mas contava a história da mãe que se sacrificara para salvar a vida do filho. Essa parte de livro não consegui ler em voz alta, se eu dissesse que alguém deveria morrer para que Elena e Damon fossem salvos, duvido que alguém na sala fosse gostar.
- Lílian, queria falar com você. – Tiago me chamou logo depois que eu terminei a leitura. – Você sabe tão bem quanto eu que havia mais informações importantes no livro.
- Tiago, agora não, por favor.
Ele agarrou meu braço e continuou.
- Lílian, o John vai morrer!
- Ele sabe disso! Ele me pediu pra não dizer à Elena, por isso eu não li essa parte em especial.
- O que está acontecendo com você? Você vai mesmo deixar ele se sacrificar?
- É a vontade dele, não? Nem eu nem você podemos fazer nada contra isso.
- Eu não sei você, mas eu posso!
- Não, Tiago! Por favor, não diga nada. – agora eu quem segurava seu braço.
- Isso tudo por causa daquele vampiro? Lílian, você está apaixonada por ele, é isso?
- Claro que não! Eu gosto do Damon como amigo e não vou deixá-lo morrer.
- Pode haver outro jeito de salvar a vida dele, minha irmã.
- Pode haver, você disse bem, PODE. E se não houver, e se o Damon morrer e eu não tiver feito nada pra impedir? E além do que não é só a vida do Damon que está em jogo, é a da Elena também. Por mais que a gente não aceite a proposta do Klaus, ele vai continuar insistindo com essa história de sacrifício.
- Nós podemos matá-lo. – Rose estava próximo e ouvira a conversa calada, até agora.
- É, mais a gente sabe que matar um vampiro original não é nada fácil. – agora era Sophie quem falava.
- Pode ser difícil, mas não impossível. – Rose respondeu.
- Vocês só estão pensando no lado da Elena, em como salvá-la! E quanto ao Damon? Não podemos deixar que ele morra, eu não vou deixar que isso aconteça! – Eu estava transtornada com a forma com que eles tratavam a vida do Damon, ninguém se importava com ele.
- Lílian, você sabe que eu não sou a favor de sacrificar ninguém, mas se nós tivermos que escolher entre a vida de um trouxa e a de um vampiro... – meu pai falava agora brandamente segurando meu ombro.
- Além disso, o Damon já viveu mais de cem anos, já tá mais do que na hora dele morrer mesmo. – o Giordanno que ao lado do Tiago agora mostrava um sorriso desdenhoso no canto da boca.
- Você cale essa sua boca porque eu ainda não terminei com você, seu verme. – disse me dirigindo ao Giordanno – Nós não temos esse poder de escolher quem vive e quem morre. O próprio John está de acordo em morrer pela filha e nós não temos tempo para procurar novas soluções, o sacrifício será em 3 dias!
- E você acha que a Elena vai aceitar que o próprio pai que ela não sabia que tinha até horas atrás dê sua vida só para que ela possa salvar o irmão sanguinário de seu namorado? – o Giordanno parecia estar decidido a me provocar.
- Lílian eu concordo com você, não podemos deixar o Damon morrer, mas eu acho melhor a gente falar com a Elena sobre isso. Não é justo que ela não saiba. – Rose era incrivelmente sensata nessas horas, mas eu não tinha gostado da idéia. Por mais que eu concordasse, tinha medo que a Elena fosse contra o sacrifício do pai.
- Eu concordo com a Rose, é melhor que ela saiba. – disse Sophie.
- Mas, independentemente do que ela decida, nós vamos procurar uma forma de salvar tanto a Elena quanto o Damon. – disse meu pai. Ali estava o Harry Potter que eu conhecia.
- Tudo bem, vamos falar com ela.


Capítulo 14: Barganha

 


- Não precisa disso, eu vim em paz. – disse Katherine ao ver mais de 20 varinhas apontadas para ela – trago apenas um recado.
- Que tipo de recado? – eu disse, ainda apontando a varinha para o Giordanno que permanecia preso a mim pelo colarinho.
- Uma proposta do Klaus. – Ela respondeu agora fixando os olhos no Damon, como se quisesse avaliar o quão debilitado ele estava.
- Que proposta? – Perguntou ele.
- Está mais para uma troca. Ele está disposto a lhe dar a cura para a mordida e em troca a Elena teria que se apresentar na clareira daqui a três noites para o sacrifício.
- O quê? – Perguntou Stefan.
- Ele está blefando. Não há cura para uma mordida de lobisomem. – Rose estava com a varinha apontada para Katherine. Apesar de concordar com ela não posso negar que uma possibilidade de cura, mesmo vinda do Klaus, seria mais do que bem recebida.
- Na verdade há sim. Não sei como ele descobriu, mas ele a tem, ou melhor, sabe como conseguir. – Katherine agora tinha um sorriso malicioso nos lábios.
- Como assim? – perguntei, me interessando.
- Só o sangue de um híbrido pode curar um vampiro de um ferimento causado por lobisomem.
- Sangue de um híbrido? – Elena parecia confusa.
- Híbrido é um meio vampiro meio lobisomem. Eles ainda não existem, mas se tudo correr como ele espera, após o sacrifício Klaus será um perfeito exemplo de hibrido. Tudo que você precisa fazer é se entregar para ele e morrer feliz, assim o Damon estará a salvo. – disse ela a Elena.
- E como eu vou ter certeza de que ele vai mesmo curar o Damon? – Elena perguntou se desvencilhando do Stefan.
- Klaus pode ser sem escrúpulos às vezes, mas ele honra com a sua palavra. – Katherine respondeu agora impaciente.
- Não, Elena! Você não precisa fazer isso, nós vamos achar um jeito. E mesmo que nada funcione, eu prefiro morrer a ver você sendo sacrificada por mim. – Pela primeira vez, Damon não tinha um olhar ou sorriso sarcástico em meio a tantas pessoas.
- Até parece, Damon. Não tente fingir o que você não é! Você nem se importaria se algo acontecesse com ela, contanto que você estivesse a salvo. – Stefan dirigia-se com ódio ao seu irmão.
- Eu arrisquei minha vida por ela! Eu fui mordido por ela, fui eu quem te convenci a não fugir feito um cachorrinho assustado quando ela descobriu o que você era, fui eu quem primeiro quis protegê-la ficando aqui. Eu me arrisquei bem mais do que você que só fica feito uma princesinha sentado ao lado dela ou com essa cara de pamonha enquanto ela corre perigo! Não me venha falar agora sobre se importar com os outros, você sabe melhor do que eu que você não é um exemplo de altruísmo. - senti orgulho do Damon naquela hora. Finalmente ele tinha conseguido falar tudo que estava preso em sua garganta.
- Que lindo! Os dois brigando por uma mulher. Acho que eu já vi esse filme antes. – Disse Katherine, aplaudindo – não tenho todo o tempo do mundo. Já dei o recado, a resposta vocês podem dar daqui a três dias, basta você aparecer. – disse ela para Elena.
- Espere! Quais foram as exatas palavras dele? – perguntei a Katherine.
- Como assim? – ela perguntou sem entender.
- Basta a Elena aparecer para que ele dê a cura para o Damon?
- Bruxinha, você é realmente bobinha não é? Tentando jogo de palavras contra o Klaus. Ele é bem mais esperto que você. A Elena precisa morrer, Damon só terá a cura caso o sacrifício ocorra, o que exige a morte dela.
- Tudo bem, já entendi. – Disse tentando disfarçar um sorriso.
Depois que Katherine saiu, todos ficaram estáticos. Sophie guardou sua varinha e veio em minha direção.
- Lílian, o que foi todo aquele interrogatório?
- Uma idéia que passou pela minha cabeça.
- Que tipo de idéia? – perguntou Tyler, agora ao meu lado.
- Não, não e não! Isso seria muito perigoso e pode nem dar certo! – Tiago havia seguido meu raciocínio.
- Mas é uma saída! Você tem que admitir que é bem melhor do que partir do nada para encontrar uma cura pra mordida.
- Do que vocês estão falando – meu pai tentava entender onde queríamos chegar.
- Prometa que não vai ficar bravo e que vai escutar tudo. – disse me dirigindo a ele.
- Ok. – ele estava realmente curioso.
- Nós crescemos ouvindo o senhor falar do professor Dumbledore e de como ele era importante para o senhor. Eu e o Tiago perguntamos a todos os professores se havia algum feitiço que pudesse trazer os mortos de volta, mas nenhum dele tinha idéia de algo tão poderoso, a professora McGonagall até quis nos aplicar detenção pelo simples fato de perguntarmos. Já que ninguém parecia saber, decidi recorrer aos livros. Uma noite, usamos sua capa da invisibilidade e invadimos a Seção Restrita da biblioteca. Encontramos esse livro Druida que falava da ressurreição. O feitiço era bastante complicado e exigia um poder muito grande, segundo o livro, era necessária uma grande quantidade de bruxos para trazer alguém de volta à vida.
- E o que é preciso para fazer isso? – perguntou Rose.
- Essa é a parte mais complicada. O livro contava a história de uma criança que tinha sido trazida de volta ligando a sua vida a da mãe. Pelo que dizia lá, era necessário ser parente para que funcionasse por isso nós não tentamos com o professor Dumbledore, ele não tem mais nenhum parente vivo.
- Vocês ainda lembram do feitiço? – perguntou Bonnie.
- Não, mas se nós tivéssemos o livro poderíamos fazê-lo. Acho que temos bruxos suficientes aqui e seria uma boa opção de mantermos tanto o Damon quanto a Elena vivos.
- Vou tentar falar com a professora McGonagall para ter acesso à Seção Restrita. Tiago, você lembra qual é o livro? – perguntou o senhor Potter.
- Se eu vir, posso dizer qual é.
- Ótimo, então você vem comigo para Hogwarts agora mesmo. O resto de você fica cuidando da segurança da casa. – disse ele, dirigindo-se aos aurores presentes.
Depois que meu pai saiu e que todos da sala se dispersaram, o senhor Gilbert veio falar comigo.
- Lílian, só queria ter certeza de que eu entendi direito. Quando você disse que as vidas precisam estar conectadas você quis dizer que alguém precisa morrer para que a Elena continue viva?
- Eu não tenho certeza. – não havia pensado naquele termo “conectar”.
- Só quero que você saiba que, caso seja esse o significado, eu estou pronto para morrer no lugar dela e peço que você não comente nada com ninguém, não quero que a Elena fique sabendo.
Antes que eu pudesse responder, ele já se afastara me deixando atordoada com o que me dissera.

Capítulo 13: Lobo sem lua



Pela manhã, acordei e meu pai já estava em Mystic Falls. Trouxera com ele cerca de 20 aurores. Já estava tudo combinado, iríamos atacar o esconderijo de Klaus ao anoitecer.
Por volta das cinco da tarde estava pronta para o ataque, conversando com Tyler, quando minha mãe veio nos oferecer um chocolate quente. Achei estranho o gesto dela em meio àquela correria que se instalara na pensão que mais parecia um quartel general, mas mesmo assim aceitei. Comecei a ficar sonolenta e subi para jogar um pouco de água no rosto. Cheguei ao pé da escada e pronto. Isso é tudo que eu lembro.


Fui despertada pelos raios de sol que entravam por entre as brechas da cortina do meu quarto, levantei-me assustada e desci correndo as escadas, quando cheguei ao último degrau pude ouvir o burburinho de conversas espaçadas que vinha da sala. Tyler vinha logo atrás de mim e parecia tão atordoado quanto eu. Quando entramos na sala as conversas cessaram quase que imediatamente. Meu pai seguiu para perto de mim e assim que ele o fez pude ver que Elena estava sentada atrás dele na poltrona que normalmente era ocupada por Damon. Ela parecia atordoada, mas bem; segurava a mão de Stefan que se mostrava protetor sentado ao seu lado no braço da cadeira.
- Pai, eu não posso acreditar que o senhor fez isso! – Disse ultrajada.
- Lílian, por favor, deixe-me explicar – ele disse tentando se aproximar.
- Não tem nada que explicar! O senhor me deixou aqui depois de tudo que eu fiz, depois de todos os planos que eu bolei para resgatar a Elena! – lembrei imediatamente do chocolate servido pela minha mãe na noite anterior – A senhora me dopou? E ao Tyler também! -  Dirigia-me agora a ela.
- Minha filha, foi para o seu bem. Você ainda é muito nova para enfrentar certos perigos.
- Rose e Sophie têm a mesma idade que eu e eu não estou percebendo-as nem um pouco confusas. – olhei para elas com raiva. Não acredito que elas me deixaram de fora.
- Nós não tivemos culpa, só contaram o que tinha acontecido depois que você havia dormido. – a voz de Rose soava como um sincero pedido de desculpas.
- E porque vocês puderam ir e eu não? – nesse momento me senti uma criança e fiquei com mais raiva ainda.
- Rose e Sophie estão recebendo treinamento de auror, tem mais habilidade para lidar com certas situações. – minha mãe parecia aflita com a minha insistência.
- É mas eles bem que tentaram nos deixar de fora, se não fosse a Sophie ter desconfiado do chocolate e não ter me deixado tomar, estaríamos na mesma situação que você agora. – Rose continuava com seu tom de desculpas.
Quando ela se aproximou mais de mim, pude ver duas pessoas escondidas em meio a tantos aurores que ocupavam a sala. Apesar de toda a raiva que estava sentindo por terem me deixado de lado, não pude conter o sorriso quando vi o seu rosto. Corri ao seu encontro e abracei-o. Mesmo com todas nossas diferenças, eu amava meu irmão a cima de tudo e não podia negar a alegria que me dava vê-lo novamente ao meu lado.
Depois de ter me acalmado, continuamos nossa comemoração. Sophie e Rose seguiam encenando cada luta que tiveram com os vampiros e se gabando por terem se saído tão bem em seu primeiro combate com tais criaturas. Todos na sala conversavam em grupos e de vez em quando se voltavam para ver o show que elas davam perto da lareira. Olhei em volta e senti falta de uma pessoa em especial, pedi licença para os presentes e me retirei para a cozinha percebendo os olhares de Tyler e de Giordanno, agora de volta, me seguirem. Ao entrar no cômodo, encontrei-o com um copo de Whisky em sua mão direita e a esquerda apoiada na mesa. Damon parecia preocupado com algo, e pela sua cara era grave.
- Porque você não está comemorando com os outros na sala? – perguntei.
- Tenho certeza que não faço falta, ela está muito bem com ele. Tudo está como deveria ser. – Disse ele, referindo-se a Elena e Stefan.
- Eu senti sua falta e quanto ao tudo está como deveria ser, acho que você não tem razão. Ainda há uma esperança.
- Esperança é uma das muitas coisas que não existe mais. – Disse ele tomando um gole da bebida.
- Claro que há, Damon. Você arriscou tudo para salvá-la, ela vai perceber isso. – Respondi me aproximando. – Você só precisa dar tempo a ela.
- Tempo é o que eu não tenho. – ele me olhou com rancor.
- Do que você está falando?
- Eu estou falando disso. – ele levantou a manga da camisa e pude ver uma marca de dentes rodeada por uma mancha roxa.
- Isso é o que eu estou pensando? – Perguntei assustada.
- Se você está pensando em uma mordida de lobisomem, acertou em cheio. – Respondeu ele sarcástico.
Nesse momento, o professor Alaric entrou na cozinha e antes que Damon pudesse esconder, ele já notara a marca em seu braço.
- Mordida de lobisomem? Isso é impossível, a lua cheia é só daqui a três dias! – ele disse atrás de mim.
- Na verdade, não é tão impossível assim – saí correndo para a sala seguida por Damon que gritava para que eu não dissesse nada.
Cheguei perto de onde estavam meu irmão e Giordanno, eles conversavam com Rose, Sophie, Elena, Stefan, Caroline, Tyler, Bonnie e Jeremy, irmão de Elena. Entrei no círculo que eles haviam formado e me voltei de frente para eles, interrompendo o assunto.
- Qual dos dois fez a porção de Acônito? – Gritei tão alto que toda a sala ficou em silêncio e olhou para nós. Os dois pareciam não entender o que eu estava falando, mas percebi uma olhada de relance do Giordanno para o Damon.
- Foi você, não foi? Ele te mandou fazer isso? Ele tem um lobisomem reserva não é? O que ele está planejando fazer, nos pressionar a fazer o que ele quer matando o Damon? – segurei pelo seu colarinho e apontei a varinha para ele pronta para disparar toda a sorte de feitiços que eu conhecia, até mesmo uma maldição imperdoável se fosse preciso.
- Lílian, pelo amor de Deus, se acalme minha filha! – minha mãe se levantou nervosa.
- O que aconteceu agora? – meu pai perguntou.
- Aconteceu que esse filho da mãe fez uma porção do Acônito para o Klaus que deu a um lobisomem ontem a noite para que ele se transformasse e mordesse o Damon! E agora o Damon está entre a vida e a morte! – continuei com a varinha apontada para o Giordanno.
- Na verdade, eu não corro risco, eu vou morrer, Lílian. Não existe cura para uma mordida de lobisomem.
- Não, Damon! Tem que haver um jeito! Você não pode morrer. – ouvir aquilo deu um aperto no coração e eu não pude controlar as lágrimas. – Se o Damon morrer, seu verme, eu juro que mato você! – Disse olhando bem nos olhos do Giordanno.
- Lílian, pare já com isso! Você não vai matar ninguém. Se o Giordanno fez mesmo isso, ele não tem culpa, estava hipnotizado pelo Klaus. Nós precisamos conseguir a cura para o Damon. – Meu pai agora falava não como pai, mas como Harry Potter, o homem que no passado salvara o mundo bruxo e que agora era chefe da sessão de aurores no Ministério da Magia.
Assim que ele terminou de falar, a porta da sala se abriu e Katherine entrou. Trazia um recado de Klaus.

Capítulo 12: Um professor diferente



Numa casa abandonada do outro lado da cidade, Klaus e seus aliados conversavam diante de uma lareira acessa.

- Não consegui pegar a vampira nem o lobisomem. – Giordanno parecia transtornado.
- Não tem importância, quanto a eles eu tenho opções. Só espero, Tiago, que sua família não interfira mais em meus planos. – Klaus parecia bem calmo dadas as circunstâncias.
- Não se preocupe com eles. – Tiago tinha um sorriso maligno no rosto.
- Quanto à nossa prisioneira? – Disse Klaus voltando-se para Katherine.
- Estava toda nervosinha com o fato de sermos tão parecidas, mas já consegui calá-la.
- Katherina, lembre-se de que ela é de extrema importância para o sacrifício.
- Não farei nada com ela que você não autorize. – Ao ouvir Katherine dizer isso, Klaus deu um sorrisinho com o canto da boca e se levantou. – E quanto as opções que você disse ter, quais são?
- Na hora certa você saberá, Katherina. Eu passei séculos tentando quebrar essa maldição, não cometo mais erros.


- Damon! – me abaixei e tirei a estaca de suas costas, por pouco não atingira seu coração. – Você está bem? Quem fez isso com você?
- Afaste-se Lílian, é perigoso ficar perto dele! – O professor Alaric vinha caminhando da escuridão com uma espécie de arco de pressão na mão carregado com uma estaca na ponta.
- Professor Saltzman? O que está acontecendo? – Tyler que estava ao meu lado ajudando a levantar o Damon perguntou aproximando-se do recém-chegado.
- Ele é um vampiro, Lockwood, precisa ser abatido. Por favor saiam de perto para que eu acabe com ele.
- Professor, Damon está apenas me ajudando. – respondi pondo-me entre eles.
- Ajudando? Potter, ele é perigoso. Matou a minha esposa e sumiu com o corpo dela e agora está na cidade para fazer mais vítimas!
- Professor, o senhor deve estar se confundindo – tentei argumentar.
- Isobel, lembra dela? Ou você a matou sem nem ao menos saber seu nome? – ele continuou sem dar ouvidos ao que eu dizia.
- Ah, ela era sua esposa... bem, na verdade, eu não a matei, pelo menos não tecnicamente. – Damon parecia estar gostando da conversa.
- Damon, por favor, não piore as coisas!
- Onde está Elena? – perguntou um senhor que agora aparecera atrás do professor Saltzman.
- Quem é o senhor? – indaguei intrigada.
- Meu nome é John Gilbert, sou o tio da Elena. Soube que ela está namorando com um vampiro e exijo vê-la agora!
- Senhor Gilbert, eu acho melhor o senhor e o professor entrarem, lá dentro eu explico o que está acontecendo.


Depois que os ânimos se acalmaram, contei o que estava acontecendo. Fui interrompida algumas vezes pelo desespero do tio de Elena que parecia ser bem próximo a ela.
- Meu Deus! Isso só pode ser castigo. – disse o senhor Gilbert.
- O que o senhor quer dizer com isso? – perguntei.
- Elena não é minha sobrinha, é minha filha! Eu não era casado com sua mãe, me apaixonei e ela engravidou. Meu irmão era médico, fez o parto e cuidou de Elena como se fosse sua filha. Isobel era muito nova e não queria a filha.
- Isobel? A esposa desse maluco? – perguntou Damon apontando para Alaric.
- Sim. Durante algum tempo eu me correspondi com ela,mas de uns tempos pra cá perdi o contato; foi quando achei o Alaric e ele me contou o que tinha acontecido.
- Não se preocupe senhor Gilbert, eu vou fazer de tudo para salvar sua filha. Meu pai está providenciando ajuda. – tentei tranqüilizá-lo, sem muito efeito.
- Você não entende. Elena não sabe que sou o pai dela, todos esses anos eu venho escondendo isso dela. Mesmo depois que meu irmão morreu, eu a deixei sozinha! Deveria ter vindo antes, talvez eu pudesse ter evitado isso tudo.
- Eu duvido muito. Eles a pegaram por causa da maldição, uma hora ou outra isso iria acontecer. – disse – Precisamos descobrir onde ela está e tirá-la de lá.
- Acho que eu posso ajudar com isso – Bonnie, amiga de Elena adentrara pela porta.
- Como? – Perguntou Damon, curioso.
- Sou uma bruxa. – ela respondeu. – Uma bruxa de Salem.
- A Lílian também é uma bruxa e não faz idéia de como encontrar a Elena. – retrucou Tyler
- As bruxas de Salem são diferentes das de Merlim. Enquanto os bruxos de Merlim tem a sua magia dividida meio a meio entre eles e suas varinhas os bruxos de Salem possuem toda a sua magia concentrada dentro de si, externada através de feitiços. – Eu disse animada – Se a Bonnie for mesmo uma bruxa de Salem, acredito que ela possa mesmo ajudar.
- Preciso de algum objeto dela. – Bonnie de sorrira para mim ao ouvir minha explicação, agora estava focada em recuperar sua amiga.
- Tenho o colar que ela usava na noite que foi pega. – Damon tirou o colar do bolso e passou-o para Bonnie.
Ela colocou o colar na mesinha no centro da sala e pegou um mapa em sua bolsa. Segurou o colar sobre o mapa e começou a sussurrar o que parecia ser um feitiço. Enquanto ela falava o colar se movia sobre o mapa, até que parou sobre um espaço que indicava o outro lado da cidade.
- É aqui. – ela respondeu após abrir os olhos.


Não ligue

Simplesmente não se importe. Diga "foda-se" para quem diz que não vai dar certo, que você deveria tentar outra coisa, fazer de outro jeito. O sonho é seu e só você pode dizer se é capaz ou não de continuar com ele.
Tem pessoas que só existem para te colocar pra baixo e que, mesmo quando tentam te ajudar, te empurram para o fundo do poço. Não deixem que elas o façam. Não dê esse gostinho de vitória. A vida é sua e você pode sim mudar o rumo dela, basta querer. Lute. Corra atrás e não ligue para os obstáculos, para os sem coração, os sem amor, os sem esperança porque eles são os que não conseguiram seguir os próprios sonhos e agora tentam impedir os outros de fazê-lo.

"Estou cansado de ser o que você quer que eu seja [...]
Mas eu sei que
Você era exatamente como eu
Com alguém desapontado com você" (Linkin Park - Numb)

Capítulo 11: Mais bruxos




- Tyler! Tyler, você está aí?! – Perguntei quase chorando.

- Lílian? – Ele respondeu ao pé da escada – O que aconteceu?

- Graças a Deus você está bem! – Disse abraçando-o.
Olhei para cima e vi Caroline. Não entendi o motivo dela estar ali até que ela desceu a escada com uma velocidade sobrenatural. Me desvencilhei do abraço de Tyler, saquei a varinha e apontei para ela.
- Caroline, o que aconteceu com você? – Perguntei com Rose e Sophie atrás de mim, também empunhando suas varinhas.
Ela me contou que tinha bebido muito noite passada e foi para a floresta onde foi seguida por uma pessoa que a agarrou e mordeu-a no pescoço, depois deu sangue a ela e desapareceu na escuridão. Ela havia encontrado um homem acampando e bebido o sangue dele pouco antes do Tyler a encontrar em suas terras. Tyler havia trazido ela para casa e estavam tentando entender o que acontecera. Resolvi contar tudo a eles, desde a existência de vampiros em Mystic Falls até a maldição do Sol e da Lua.
- Então você acha que eles hipnotizaram a Amber para me provocar só para me transformar? – Perguntou Tyler.
- Acredito que sim, eles já criaram o lobisomem e o vampiro para o sacrifício e levaram a Elena também. Acho que eles planejam fazer o ritual na próxima lua cheia. – Disse olhando para ele e para Caroline enquanto explicava. A medida que eu falava eles e as meninas ficavam cada vez mais horrorizados. – Eu preciso que vocês venham comigo. Não é seguro continuarem sozinhos, vocês são peças chaves para a quebra da maldição e eles já devem estar procurando por vocês.
- Para onde você vai nos levar? – Perguntou Caroline.
- Para a Pensão Salvatore, é o lugar mais seguro que conheço. – Assim que terminei de falar o Giordanno apareceu à porta.
- O que você está fazendo aqui? – Perguntei apontando a varinha contra ele.
- Lílian, por favor, não se meta. Eu vou levar essas aberrações e nem você nem as suas amigas vão me impedir. – Ele também empunhava sua varinha e dizendo isso, ele entrou na casa.
- Nem mais um passo! – Meu pai, que agora aparecera à porta, apontava a varinha para ele. – Ninguém aponta a varinha para a minha filha e sai ileso.
- Senhor Potter, eu não quero machucar ninguém só quero a vampira e o lobisomem e vou embora. – Ele continuava apontando a varinha para mim e me encarando com firmeza.
- Vampira e lobisomem? Lílian, o que está acontecendo aqui? – Minha mãe que estava ao lado do papai também com a varinha em punho, baixou-a e voltou-se para mim.
- Mamãe, prometo que explico tudo depois, mas agora preciso tirar esse maluco daqui. – No momento que eu disse isso, o Giordanno lançou um feitiço sobre mim e eu não consegui bloqueá-lo. Senti uma dor lacerante no peito e caí contra a parede.
Tyler agora estava entre eu e meu agressor pronto para servir de escudo, mas a Sophie foi mais rápida e jogou um feitiço contra o Giordanno que por pouco não o atingiu. Ao ver que estava em menor número ele desaparatou.
- Lílian, você está bem? – Tyler estava agora ao meu lado.
- Estou. E o Giordanno?
- Aquele covarde fugiu quando viu que era minoria. Se ele não tivesse desviado, teria acertado um feitço da petrificação bem no peito dele. – A Sophie estava vermelha de ódio. Se eu bem a conheço, o Giordanno precisava se cuidar, da próxima vez que ele aparecesse, ela não deixaria barato aquela fuga.
- Ele não tinha culpa, está hipnotizado pelo Klaus. – Disse, me levantando.
- Onde está o seu irmão, quem é Klaus e o que está acontecendo aqui? – Minha mãe parecia uma leoa enfurecida por terem atacado seu filhote.
- Vamos para a Pensão, quando chegarmos lá eu explico tudo.
Ela ia protestar, mas o papai segurou seu braço e ela assentiu.

Quando chegamos à pensão, Damon estava pior que a minha mãe. Andava de um lado pro outro, quebrando jarros e esmurrando paredes. Tentei controlá-lo, mas vendo que não adiantava, comecei a contar o que estava acontecendo para os presentes, expliquei também que o Tyler e a Caroline precisavam ficar conosco para sua proteção.
- Ah que ótimo! Agora além de abrigar um batalhão de bruxos vamos ter um lobisomem de hóspede também, era só o que me faltava – Protestou Damon.
- O que você prefere, que o Klaus pegue eles e dê um jeito de adiantar o sacrifício? – perguntei.
- Lílian, o que acontecerá com seu irmão? – Minha mãe estava à beira do choro.
- Mamãe, eu não sei. Precisamos tirá-lo do domínio do Klaus, mas eu não faço idéia de como. Ele e o Giordanno estão hipnotizados por um vampiro Original, não sei de nada que possa quebrar esse tipo de encanto.
- Precisamos de aurores e da mobilização do Ministério. Vou falar com o Kingsley. – Meu pai levantou e dirigiu-se à porta.
- Harry, e quanto ao Tiago? Não podemos deixá-lo nas mãos desse vampiro louco!
- Gina, vou pensar em algo. Precisamos proteger a casa. Vocês se encarregam disso? – Ele se dirigiu a mim e à minhas amigas, nós assentimos e ele prosseguiu. – Ótimo. Vou para Hogwarts agora, talvez o professor Dumbledore tenha alguma idéia para salvar o Tiago. – Dizendo isso ele aparatou.
Meu pai tentava se mostrar forte, mas no fundo ele estava preocupado. Assim que ele saiu, eu, Rose, Sophie e a mamãe começamos a rodear a casa pronunciando toda a sorte de feitiços de proteção. Quando terminamos o Damon parecia mais calmo, mas nada feliz com a idéia de ter um “cachorro” dentro de casa. Caroline permanecia num canto da sala observando o por do sol pela janela e o Tyler sentara-se no sofá tentando se controlar ao ouvir os insultos do Damon. Sentei ao seu lado e ele passou o braço pelo meu ombro, recostei-me em seu peito e ele sorriu.
Não sei o que estava acontecendo entre nós, mas não queria perguntar com medo de que acabasse. Mamãe e as meninas haviam subido para o meu quarto onde iam dormir e o Damon passara pela sala e ao nos ver, nos olhou com desprezo. O Stefan subira também, acompanhado de uma assustada Caroline que nem lembrava aquela garota vibrante de dias atrás.
De repente tive uma idéia. Com pesar, me desvencilhei do abraço do Tyler e saí correndo em direção a escada, Damon, ouvindo o barulho que eu fazia, desceu correndo. Era com ele mesmo que eu precisava falar.
- Damon, preciso da sua ajuda! – disse eufórica.
- Ajuda com o quê? – ele perguntou intrigado.
- Apesar de ser bruxa, não tenho experiência em lutas com vampiros, nem eu nem minhas amigas, preciso de alguém para nos ajudar a treinar.
- Treinar? Você está pensando em me usar como tiro ao alvo?
- Mais ou menos. Preciso praticar lutas, e com você seria ideal!
- Tá, e quando você quer começar?
- Agora mesmo! A gente podia ir lá pra fora, as meninas já devem estar dormindo, mas nós dois podemos ir adiantando. – peguei no braço dele e saí arrastando-o até a porta, seguidos por Tyler.
- Pronto. Agora me ataque! – disse.
- Quê? – tanto o Tyler e o Damon pareciam confusos.
- A gente só pode treinar se você me atacar! Por favor!
- Está bem – ele disse isso e mudou instantaneamente suas feições. Seu rosto agora estava com riscos vermelhos saindo de seus olhos que agora adquiriam um tom avermelhado e presas brotavam de sua boca. Seu olhar encheu-se de fúria, mas assim que ele correu em minha direção mudou para dor. Todo o seu rosto mostrava dor. Ele caiu aos meus pés com as costas da camisa banhada em sangue. Algo o havia atingido. Uma estaca.