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Capítulo 10: Complicações




Acordei com o sol em meu rosto e um Tyler assustado na minha frente. Ele tinha  o peito nu e vestia apenas um short.
- Tá tudo bem com você? – Perguntamos ao mesmo tempo e depois rimos da coincidência. Ele fez sinal para sairmos.
Fomos caminhando até a Pensão, ele fez questão de me deixar em casa. No caminho ficamos falando sobre nós dois, mas não mencionei a noite passada. Ao chegar à porta, nos despedimos e ele me deu um beijo na testa, bem demorado por sinal, e me agradeceu por não ter deixado-o só. Depois que ele saiu, entrei em casa radiante, mas assim que olhei para a sala minha felicidade esvaiu-se.
- O que está acontecendo aqui? – perguntei ao ver todos ao redor de Damon que estava acorrentado em uma cadeira, aparentemente sendo torturado.
- Graças à Deus que você chegou Lílian! Por favor, faça-os parar! – Elena estava com o rosto molhado de lágrimas e vinha em minha direção.
- Não se meta minha irmã, eu lhe disse que era perigoso estar entre vampiros! – Tiago disse isso segurando o meu braço e tentando me arrastar para fora da sala.
- Hipócrita – Disse Damon – Aposto que foi seu amiguinho que fez isso com a garota.
- Amiguinho? Garota? Do que você está falando, Damon? – Tentei ir até ele, mas meu irmão me segurava.
- Lílian, por favor, saia! – Giordanno disse do outro lado da sala.
- Eu não vou sair daqui enquanto vocês não soltarem o Damon! – Disse tirando o braço do meu irmão que me segurava e puxando a varinha – E ai de quem me impedir por que eu não vou hesitar em duelar com ele até a morte!
- Eu não sei como ele fez isso, mas você está claramente hipnotizada! – Tiago disse isso e puxou sua varinha.
- Você vai mesmo querer duelar comigo?! – Disse olhando nos olhos dele.
- Você não me deu escolha. – Disse ele me rondando como em um duelo.
- Tiago, ela é sua irmã! Por favor, pare! – Disse o Giordanno.
Tiago abaixou a varinha, mas não soltou, mantendo-se alerta. Fiz o mesmo e continuei.
- Que amiguinho é esse, Tiago?
- Esse seria eu. – O cara que eu vi conversando com ele na noite passada, estava agora à porta da Pensão.
- Quem é você? – Apontei a varinha para ele.
- Tiago, por favor controle a sua irmã. E me convide para entrar de uma vez.
- Expeiliarmus! – Enquanto eu estava distraída, Tiago me desarmou e convidou o intruso a entrar – Pode entrar, Klaus.
- Klaus?! – Meu coração congelou naquela hora. Olhei para Elena que parecia assustada com todos na sala, até mesmo com Stefan que estava do outro lado da sala atrás da cadeira de Damon.
- Vejo que você conseguiu o que eu pedi – Disse Klaus olhando para Elena.
- NÃO! – Tentei atacá-lo mesmo sem varinha, mas o Giordanno me segurou.
- Venha comigo, minha querida. – Disse Klaus, para Elena, mas ela se manteve onde estava.
- Ah, verbena! Tiago, arranque o colar dela!
- Tiago, por favor, não faça isso! Ele vai matá-la! – Gritei para ele, tentando me soltar do aperto do Giordanno.
- É tudo por um bem maior, Lílian – Dizendo isso, ele arrancou o colar da Elena. Tiago estava hipnotizado por Klaus e eu não havia percebido.
Stefan saiu correndo e foi para o lado de Elena, mas Tiago jogou-lhe um feitiço que o fez voar por toda a sala e bater contra a parede. Damon e eu gritávamos tentando nos libertar e salvá-la, ma não adiantavam nossos esforços. Klaus pegou Elena e saiu acompanhado pelo meu irmão e pelo Giordanno que havia me deixado amarrada no chão.
Consegui pegar a minha varinha e me soltei, corri para onde o Damon estava e o desamarrei. Ele estava enfurecido com o que acontecera a Elena. Correu para Stefan que agora estava se levantando e o empurrou contra a parede.
- Eu disse que eu não tinha feito nada contra aquela garota, mas você não podia perder a oportunidade de me deixar como o vilão na frente da Elena! – Disse ele transtornado.
- Damon se acalme, por favor! Precisamos ficar juntos se quisermos salvar a Elena.
Apesar das minhas palavras eu estava apavorada. Meu irmão havia sido hipnotizado por um vampiro, eu precisava salvá-lo! Lembrei-me do dia que vim para Mystic Falls. Minhas amigas, Rose e Sophie, haviam me dado uma moeda encantada. Elas acharam nas coisas dos pais de Rose, a tia Hermione e o tio Rony.

- Lílian, essas moedas foram enfeitiçadas pelos nossos pais na época da Armada de Dumbledore. – Disse Rose – Eles usavam pra se comunicar, se você precisar da gente é só apertá-la que nós vamos ajudar você onde quer que esteja.

Corri para o meu quarto e deixei o Damon e o Stefan sem entender nada lá em baixo. Abri meu malão que estava sob a cama e achei a moeda dentro de um dos meus livros. Apertei-a, torcendo para que o feitiço desse certo e para que elas ainda lembrassem do nosso combinado.
Peguei o pouco de Pó de Flu que estava no fundo do baú e desci as escadas até a sala. Joguei na lareira e coloquei a cabeça dentro.
- Largo Grimmauld! – gritei.
Cheguei na lareira da cozinha e vi um criaturinha olhando para mim.
- Mostro! Onde está o meu pai? – Perguntei
- Senhorita Potter, Mostro está muito feliz em revê-la! – ele disse se agachando.
- O que está acontecendo, Monstro. - Minha mãe apareceu logo atrás dele – Lílian?! Está tudo bem, minha filha! Estou com tanta saudade!
- Mãe onde está o papai? – Estava morrendo de saudades dela também, mas não tinha tempo para conversar.
- Seu pai está trabalhando no Ministério. O que está acontecendo? Você parece nervosa.
Contei rapidamente que o Tiago estava comigo e que estávamos com problemas.
- Por favor, mamãe, assim que o papai chegar peça para ele vir para Mystic Falls o mais rápido possível! – A campainha tocava agora -  Tenho que ir, não esqueça que eu te amo.
- Lílian! Me explique isso direito! – deixei ela falando sozinha e saí da lareira.
Quando olhei para a sala, elas estavam ali, ao lado do Damon que havia aberto a porta. Não pude acreditar que ela haviam ouvido o meu chamado. Corri e abracei-as.
- Ah meninas, estava precisando tanto de vocês! – a presença delas me deixou mais aliviada e não pude segurar a emoção, comecei a chorar.
- Lílian o que está acontecendo? – Sophie perguntou com aquele seu jeito consolador.
Contei tudo para elas, não resumi nada. Damon e Stefan estavam na sala no outro sofá, nos observando. De vez em quando as meninas olhavam para eles, eu não as culpava, eles eram realmente de tirar o fôlego. Quando terminei, Rose se pronunciou.
- Nós precisamos contar para o tio Harry, Lílian. Seu pai precisa saber o que está acontecendo aqui.
- Eu já falei com a mamãe, eles devem estar vindo antes do amanhecer. Se eu conheço bem a mamãe, antes mesmo do anoitecer.
- E o que o seu pai vai poder fazer contra eles? Enquanto ele não chega, o que acontecerá com a Elena? – Damon que se mantivera calado durante toda a minha conversa com minhas amigas, agora se pronunciara.
- Meu pai é chefe da sessão de Aurores, no Ministério da Magia, ele pode fazer muitas coisas e quanto a Elena, ela estará a salvo, pelo menos até a próxima lua cheia. – Respondi me levantando – Precisamos encontrar o Tyler, ele será o próximo a ser capturado por eles.
- Tyler Lockwood? – Perguntou Stefan.
- Sim, depois do que aconteceu na casa da Elena, ele se transformou, ontem foi sua primeira lua cheia. – Disse isso seguindo para a porta.
- Nós vamos com você. – Disse Rose – Não vamos deixá-la só com um lobisomem.
- Não tem perigo algum, mas se vocês quiserem vir, tudo bem.

Ao chegar nas terras Lockwood, a porta estava escancarada. Entrei na casa com a respiração ofegante.

Capítulo 9: Lua Cheia




No dia seguinte, quando cheguei à escola acompanhada do Giordanno (o Tiago não me deixava mais andar só, então teria que ir todos os dias com ele) a Caroline estava na porta da escola distribuindo panfletos.
- Ah Lílian, Giordanno! Vocês também estão convidados para o lual que vou fazer hoje na queda d’água no final da cidade. – Disse ela animada, nos entregando os convites.
- Lual? – Perguntei, não entendendo o motivo da festa.
- É. Todo ano escolho uma lua cheia para ser a noite do lual. Já é uma tradição. – Respondeu ela “secando” o Giordanno enquanto ele mantinha-se de cabeça baixa lendo o panfleto.
- Lua cheia?! – Havia esquecido completamente que essa noite seria de lua cheia. Fiquei desesperada. Precisava encontrar o Tyler, ele precisaria da minha ajuda.
Saí correndo para dentro do colégio e fui seguida de perto pelo Giordanno que, assim que percebeu minha ausência ao seu lado, deixou Caroline sozinha e foi ao meu encontro. Cheguei próxima ao armário de Tyler, mas ele não estava ali. Encontrei o Matt, seu melhor amigo, e perguntei se ele viria para a aula hoje.
- Liguei pra ele hoje cedo, ele disse que estava doente e não poderia vir. É algo muito importante? – Eu nem bem respondi e saí correndo para a entrada do colégio, temia o que Tyler pudesse fazer ao se ver sozinho numa situação tão complicada. Tomei a direção para a mansão dos Lockwood, mas fui surpreendida por um puxão em meu braço.
- Aonde você pensa que vai? – O Giordanno me segurava com força.
- Preciso encontrar o Tyler! – Respondi tentando me desvencilhar dele, sem nenhum sucesso.
- O que quer que você tenha a falar com ele pode esperar até amanhã. Não vou deixar você sozinha por aí, o Tiago me mataria.
- Pois que mate! Não estou nem aí pra você ou para as paranóias do meu irmão, tenho coisas mais importantes com que me preocupar! – Puxei o meu braço, mas ele me apertava com força.
- Depois que a Caroline falou em lua cheia você ficou assim – Ele franziu a testa e ficou um tempo assim, depois percebeu o que estava acontecendo – Não pode ser! O Tyler? – dizendo isso ele afrouxou mais o aperto em meu braço.
- Não tenho tempo para explicações, se o Tyler estiver desprotegido essa noite, todos correremos perigo. – Disse, dando as costas para ele e retomando a minha caminhada.
- Espere! Levo você até lá, não é bom andar sozinha.


Chegamos à mansão dos Lockwood e bati à porta, mas não obtive resposta.
- Tyler, eu sei que você está aí! Por favor, abra. – Disse me tomando de desespero. Se o Tyler soubesse o que lhe esperava, não sei o que seria capaz de fazer. – Por favor, Tyler, abra a porta! Sou eu, Lílian.
- Vá embora! Não quero ver nem falar com ninguém! – Ele tinha a voz fraca – Vá antes que eu machuque você.
- Tyler você não vai me machucar, só quero falar com você... – O som de sua voz despertou em mim uma tristeza incomparável e uma lágrima rolava agora sobre minha face.
- Você não me conhece, é melhor ir embora! Eu sou uma ameaça à todos. – Depois que ele disse isso, fiquei em silêncio.
- Eu sei o que você é e não tenho medo. Quero lhe ajudar – Tentei disfarçar na voz as lágrimas que insistiam em rolar.
Esperei um tempo, cerca de 3 minutos e ele abriu a porta. Seu rosto estava inchado como se ele tivesse passado a noite chorando. Ele abriu espaço para que eu entrasse. Conversamos durante um tempo, eu expliquei o que estava acontecendo com ele, menti dizendo que tinha um amigo que passara pela mesma situação, mas não revelei minha condição de bruxa. Ele disse que seu tio havia lhe falado um pouco sobre o que iria acontecer na lua cheia, mas que ele havia sumido. Lembrei da cena na pensão, do Damon segurando um coração e o corpo de Mason Lockwood enrolado no tapete da sala. Senti vontade de contar tudo para o Tyler, mas aquele não era o momento certo.
- Passei a noite vasculhando o quarto dele, tentando encontrar algo que me ajude a enfrentar essa noite. Estava assistindo esse vídeo que ele fez em uma lua cheia. – ele apertou  play e não pude acreditar no que via. Mason estava acorrentado e jogado no chão completamente nu. Gritava e se contorcia, parecia que estava sendo espancado, podia-se ouvir o barulho de ossos quebrando enquanto ele se transformava. Olhei para Tyler e ele tentava segurar o choro e o desespero que lhe abatiam. Passei a mão sobre seu ombro e fiquei assim por um bom tempo.
- Antes de ir embora ele me disse onde ficava este lugar – Tyler disse isso, tirando o DVD do aparelho. – É no final das terras Lockwood, uma espécie de porão no meio da mata.
- Se você quiser, posso ir com você. Você não precisa passar por isso tudo sozinho. – Disse.
- Não. – ele foi categórico – Seria perigoso demais para você. Eu me viro.
- Então prometa que se precisar de alguma coisa, qualquer coisa, você vai me ligar. – Disse me levantando e me dirigindo à porta.
- Pode deixar, eu aviso se precisar de algo. – Ele disse isso com um sorriso tímido e me abriu a porta.


Não estava no menor clima de ir àquele lual, mas meu irmão estava louco para conhecer minhas “amiguinhas” e não parava de insistir que iria ser divertido, apesar de ter explicado mil vezes a ele que eu não tinha amigas ali. Na verdade, eu só tinha amigos: o Damon, o Stefan e o Tyler... Não conseguia parar de pensar no Tyler e no que poderia acontecer com ele, no que ele teria que enfrentar essa noite. Enquanto eu discutia com meu irmão ao pé da escada, Damon interveio.
- Estou pensando em aparecer nesse lual. – Ele estava deitado no sofá da sala, brincando com um copo de Bourbon. – Talvez seja uma boa idéia mudar de ares um pouco.
Desde que eu chegara da casa dos Lockwood, Damon estivera melancólico. Na noite anterior, Stefan estava decidido a deixar Mystic Falls, mas Damon o convencera de que Elena estava correndo perigo e que eles precisavam protegê-la. Hoje pela manhã Stefan saíra decidido a voltar com a Elena, e talvez Damon estivesse se culpando por jogar sua amada nos braços do seu irmão.
- Lílian, você gostaria de me acompanhar nessa festa? – Disse ele fazendo uma reverência e segurando minha mão com aquele sorriso sarcástico de sempre no rosto.
- Ela não vai a lugar nenhum com você! – Tiago já estava ao meu lado me afastando do Damon.
Damon o encarou como se tentasse se controlar. Nesse momento meu coração gelou. Damon já tinha se mostrado uma ótima pessoa, mas instável em seus momentos de rejeição e o Tiago não era exatamente um Buda; se os dois começassem uma briga ali não tinha certeza se eles parariam antes de um deles estar morto.
- Chato! – Disse Damon, terminando a bebida em seu copo e passando pelo meu irmão para subir as escadas.


Mesmo depois da quase briga fomos todos juntos para a festa que estava bombando, segundo Caroline. A minha idéia de lual era o barulho das águas, um bom violão e todos ao redor de uma fogueira, mas parecia bem diferente da idéia dos demais presentes. O som que se ouvia era o de uma picape que tocava uma música eletrônica de apenas uma batida e no lugar de fogueira havia tochas espalhadas formando um círculo no qual todos dançavam.
Tentei me afastar do meu irmão e me misturar na multidão na esperança de que se ninguém me notasse, poderia ir ao encontro do Tyler e ver se estava tudo bem com ele, mas o Tiago estava mesmo dedicado à minha proteção. Seguiu para a pista de dança e me deixou sentada com o Giordanno no meu encalço. Estava agora observando Damon que dançava de um jeito completamente incomum, que eu achei até engraçado, mas que aparentemente estava agradando as garotas que agora se amontoavam ao seu redor.
Meu celular vibrou na bolsa e quando vi tinha uma nova mensagem. “Preciso de você”. Era do Tyler. Olhei para o meu lado e percebi que o Giordanno estava pegando um drink junto com o meu irmão e que agora conversavam com um cara de elegante de cabelos claros. Aproveitei o momento e saí rapidamente dali antes que notassem a minha ausência. Vi o Stefan chegando de mão dadas com a Elena e desejei que o Damon não visse aquela cena, ele estava realmente se divertindo na festa.


Cheguei ao fim das terras Lockwood e encontrei uma escada que levava a um andar inferior. Desci e me deparei com um portão de ferro entreaberto. Temi que ele tivesse conseguido sair, mas ouvi um barulho lá dentro. Adentrei na escuridão até chegar a uma espessa porta de madeira no fim de um corredor, olhei para dentro e vi um lindo lobo marrom-cinzento rosnando.
- Calma Tyler vai ficar tudo bem. – Eu havia chegado tarde, a transformação já havia acontecido. Sentei no chão próximo a porta com a varinha em punho. Se ele conseguisse passar pela porta, eu o pararia.


Próximo à queda d’água, uma garota de cabelos loiros brilhantes corria em meio a floresta, seu coração palpitava no peito enquanto sentia algo seguindo-a de perto. Tropeçou em uma raiz que saia do solo e caiu, tentou se levantar, mas algo a pendia no chão. Gritou. E de repente o que quer que seja que a pendia ali desapareceu. Assustada, ela virou de costas e viu aquele rosto diabólico. A criatura a atacou e o seu grito foi absorvido pela imensidão de árvores ao seu redor.

Amor é pecado.

Se ser falsa for sorrir para esconder as lágrimas que insistem em querer cair, eu sou falsa.
Se ser dissimulada for fingir não ligar para não fazer papel de boba na sua frente, eu sou dissimulada.
Se ser egoísta for querer te ter por perto 24 horas por dia, eu sou egoísta.
Se ter inveja for olhar para aquela garota te abraçando e querer estar no lugar dela, eu sou invejosa.
Se ser orgulhosa é querer andar abraçada com você para todos verem, eu sou orgulhosa.
Se a ira for o fato de querer matar aquela oferecida que não te deixa em paz, eu tenho a ira dentro de mim.
Se ter preguiça for querer deitar abraçada com você e nunca mais levantar, eu sou preguiçosa.
Isso tudo é sintoma do amor.
Então, se amor não é pecado, não sei o que poderia ser.

Anna Grant.

Capítulo 8: Família



- Tiago? O que você está fazendo aqui?– Disse intrigada.
- Vim te fazer uma visita, maninha! – Ele respondeu com um sorriso de orelha a orelha. Tiago era meu irmão mais velho. Diferente de mim ele tinha os cabelos ruivos da nossa mãe, era um tipo forte e atlético por ter herdado a habilidade do nosso pai no quadribol. Apesar de sermos irmãos não éramos muito próximos, o Tiago sempre ficava no seu grupinho em Hogwarts e eu ficava em meio aos livros como uma boa rata de biblioteca como ele me chamava.
Ao ouvir o “maninha”, Damon escancarou a porta e olhou pra mim com um ar de quem havia perdido alguma coisa naquela conversa. Stefan também parecia intrigado como eu, o único que não parecia surpreso era o Giordanno.
- Tiago, a quanto tempo! – Disse ele apertando a mão do meu irmão e dando-lhe um abraço.
- Giordanno! O que você está fazendo por aqui? – Perguntou o meu irmão retribuindo o abraço.
- Tentando fugir da loucura do nosso mundo. – Os dois riram.
- Ok, já chega! Alguém pode me explicar o que está acontecendo? Agora isso aqui virou uma conferencia de bruxos, é isso? – Damon estava tremendamente irritado com aquela situação.
- Conferência de bruxos? – Tiago teve um sobressalto – Do que ele está falando, Lílian? O que você andou contando a esses trouxas?
- Eu fiz uma pergunta primeiro e você ainda não me respondeu! – Tentei fugir da pergunta dele. Droga! Bem que o Damon podia controlar aquela boca de vez em quando – O que você veio fazer aqui?
- Papai me mandou para passar um tempo com você. Acabei de voltar da Romênia, estava visitando o tio Carlinhos. Você não vai acreditar o que eu vi por lá! – Disse ele animado.
- O que foi?
- Depois eu te conto. Agora quero saber como esses trouxas sabem que somos bruxos.
Pensei um pouco numa mentira para contar pra ele, mas ele me encarava tão fixamente que não conseguia pensar direito. O Tiago sempre fora um exemplo de irmão mais velho em todos os sentidos, apesar de muito brincalhão tinha a capacidade de me proteger e de mostrar autoridade quando preciso. Resolvi contar a verdade, afinal nada poderia ser pior do que a reação dele se soubesse depois. Virei para Damon e no momento que eu olhei para ele, ele percebeu o que eu estava prestes a fazer, revirou os olhos e cruzou os braços como se dissesse que não tinha jeito mesmo.
- Nos precisamos conversar. – Disse voltando-me novamente para o Tiago.

- Vampiros?! Lílian você enlouqueceu? Estou levando você de volta para casa agora mesmo!
Estávamos no meu quarto agora. Tinha acabado de contar tudo para o Tiago e ele estava transtornado, gritando feito louco, dizendo que era perigoso demais e que não iria me deixar ali nem mais um minuto.
- Você quer fazer o favor de se sentar! Eu não vou sair daqui, eles precisam da minha ajuda e se eu achasse que era perigoso demais já teria ido embora não precisaria de você pra me arrastar daqui. – Falei firmemente.
- Lílian, Você enlouqueceu? Vampiros são perigosos! Vou falar agora mesmo com o papai, ele com certeza vai concordar comigo. – Ele foi para perto da lareira.
- O que você está fazendo?
- Vou usar o Pó de Flu para chegar em casa mais rápido. E quando eu voltar será com o papai ou quem sabe com uma guarda de aurores para levar você daqui o quanto antes! Não vou deixar a minha irmãzinha em meio a esses monstros! – Eu tinha esquecido o quanto o meu irmão era chato quando se tratava da minha proteção.
- Você não vai fazer nada! Não sou mais uma criança para você e o papai ficarem me controlando! E mesmo que você faça alguma coisa, não acho que o papai vá apoiá-lo, ele quem me incentivou a vir. – Eu duvidava muito disso, apesar do senhor Potter ter me incentivado mesmo a vir, se ele soubesse da existência dos vampiros eu já estaria em casa a muito tempo – Tiago, eles não são maus!
- Agora você vai tentar me convencer que eles nunca tentaram atacar você!
- Claro que não! O Stefan e o Damon são muito civilizados, não saem por aí atacando ninguém – Esperava que ele não tivesse percebido a hesitação na minha voz.
- Lílian, por favor vamos para casa! É perigoso você ficar aqui sozinha. – Ele agora parecia mais calmo.
- Mas eu não estou sozinha, o Giordanno também mora aqui na Pensão. – Tentei argumentar.
- O Giordanno não vai cuidar de você.
- Se você não quer que eu fique só poderia ficar também. – Não queria propor aquilo, mas parecia ser a única saída. Eu conhecia o meu irmão, ele não ia sossegar se não tivesse 24 horas comigo ali. O Damon ia querer me matar por isso, mas eu não podia nem queria deixá-lo sozinho com uma ex maluca e uma paixão não correspondida.
- Não sei... Se eu estivesse aqui ficaria mais tranqüilo... – Ele estava cogitando a possibilidade, isso já era um começo – Está bem, mas a qualquer sinal de perigo eu levo você de volta pra casa sem discussão, ok?
- Tudo bem! – Disse sorrindo e o abracei.

Do outro lado da cidade, num sobrado a venda, um homem alto e forte, cabelos meio loiros e curtos, roupas elegantes e com um olhar fidalgo entrara pela porta e subira a escada em uma velocidade sobrenatural. No andar superior encontrara com uma mulher de cabelos castanho cacheados, magra e igualmente elegante. Ela tentou fugir dele, mas ele a agarrara pela cintura e agora sussurrava em seu ouvido.
- Ah Katherina, senti tanto sua falta!
- Klaus? O q... O que você veio fazer aqui? – Katherine tremia ao sob o aperto do visitante.
- Você sabe muito bem quais são os meus planos. – Disse ele, virando-a de frente – Onde está a selenita que você roubou de mim na última vez que nos encontramos?
- Eu não sei do que você está falando – Katherine tentava desviar daquele olhar penetrante.
- Katherina, não tenho tempo pra joguinhos.  – Disse ele agarrando seu pescoço.
- Não está comigo, mas eu posso conseguir. – Ela estava quase sufocando.
- Assim está bem melhor, não queria ter que arrancar esse seu lindo pescoçinho agora... E quanto aos outros ingredientes? – Ele agora cheirava o pescoço dela e passava a mão pela sua cintura num movimento quase lascivo.
- Estou providenciando. – Ela tentava resistir, mas o jeito como ele a segurava era enlouquecedor.
- Para esta lua cheia? – Perguntou ele.
- Não tão rápido, talvez na próxima. – No momento que ela disse isso ele a jogou contra a parede e segurou seus braços pressionados contra a superfície fria.
- Espero que não demore muito, afinal sua existência depende disso e eu não quero ter que matá-la tão rápido. – Dizendo isso ele passou a língua pelo rosto dela a levando a loucura e depois saiu com a mesma rapidez com que entrara.

Capítulo 7: Sangue


Tentei gritar, mas minha voz não saia. Estava em choque com o que via. Damon tinha um olhar perdido e suplicante, se eu não fizesse algo ele morreria. Corri rapidamente para o seu lado, segurei-o, mas não conseguia pensar em nada que pudesse salvá-lo. De repente tive um lampejo. Olhei para os lados e encontrei um pedaço da cadeira que estava quebrada logo atrás de mim. Eu sabia exatamente o que deveria fazer.

Tyler entrara completamente transtornado em casa. Não podia acreditar que aquilo acontecera. Ele matara uma pessoa, o que o tio havia lhe dito iria se cumprir. Onde estaria ele agora? Tyler sabia que seu tio não era de se prender muito tempo em um lugar, mas ele havia prometido ensiná-lo como lhe dar com as conseqüências caso aquilo ocorresse. Bateu à porta do quarto de Mason e não obtendo resposta, entrou. O quarto estava vazio, as roupas ainda no armário, mas nem sinal de seu tio. Tyler não conseguia suportar, estava apavorado com a situação. Ajoelhou-se ao pé da cama e começou a chorar copiosamente. Se tudo que seu tio havia lhe dito acontecesse mesmo ele estaria perdido. Enfrentar tudo aquilo sozinho, toda a transformação sem ter apoio seria insuportável.

Passei o pedaço de madeira em forma de estaca sobre o meu pulso e senti o material perfurar minha pele deixando um risco de sangue que agora saia do ferimento.
- Damon beba! Por favor, beba! – Disse passando o braço pela boca dele.
- Não – Disse ele num sussurro.
- Você precisa!
Naquele momento a sede falou mais alto e ele começou a tomar o meu sangue. Não doía, chegava a ser prazeroso saber que estava salvando a sua vida. Chegou um ponto em que ele perdeu o controle e me empurrou. Suas feições estavam muito parecidas com o dia que nos conhecemos. Eu estava começando a ficar com medo e tentei me afastar, mas ele pulou em cima de mim e cravou suas presas em meu pescoço. Tentei lutar, mas ele era mais forte que eu. Estava sentindo a vida esvair-se de mim quando aconteceu.
- Estupefaça! – Alguém gritou da porta da Pensão e o Damon foi jogado contra a parede.
O vulto correu em minha direção e quando ele chegou ao meu lado pude reconhecê-lo. Giordanno olhava para mim com uma expressão preocupada. Não podia acreditar que ele fosse um bruxo. Mesmo ainda estando fraca pela quantidade de sangue que dei ao Damon, me levantei rapidamente e olhei assustada para ele.
- Quem mais está aqui? – Perguntei.
- Só eu, você esse seu amiguinho vampiro. – Ele respondeu sem entender o motivo da minha pergunta.
- Não não não! Não pode ser! Você é um bruxo?!
- Como você sabe? – Ele perguntou mais assustado do que eu.
- Foi ele não foi? Foi o meu pai que te mandou para me vigiar né? Eu sabia! Ele nunca vai acreditar que eu consigo me virar sozinha e agora mandou um espião! – Estava muito irritada com aquela situação.
- Do que você está falando? Eu não tenho nada a ver com o seu pai... – Ele parecia não estar mesmo entendendo o que eu queria dizer com aquilo.
Damon levantou-se e se colocou ao meu lado.
- Lílian, você está bem? Me desculpe eu perdi o controle. – Disse ele levantando uma mecha do meu cabelo e verificando o ferimento que deixara em meu pescoço.
- Fique longe dela seu maníaco! Você pode hipnotizá-la, mas a mim não. Eu sei muito bem o que você é e não vou hesitar em acabar com você. – Giordanno falou isso com a varinha em punho apontada para o Damon.
- Não me venha com essa, você sabe muito bem que ele não pode me hipnotizar! – Disse me pondo entre a varinha dele e Damon.
- Não pode? Como assim? – Ele parecia realmente não saber que eu era uma bruxa.
- Eu também sou uma bruxa. O senhor Harry Potter não te contou isso antes de mandar você servir de guarda para a filhinha dele?
- Harry Potter? Você é filha de Harry Potter? – Ele disse isso baixando a varinha.
- Não foi o meu pai que te mandou aqui? – Indaguei, agora sem entender mais nada.
- Claro que não! Eu vim da Itália. Estou tentando ter uma vida normal entre os trouxas, mas parece que não está dando muito certo: a primeira cidade que eu paro venho morar com dois vampiros e uma bruxa! – disse ele.
- Se você sabia que eu era um vampiro, porque aceitou morar aqui? – Perguntou Damon confuso.
- Fiquei preocupado com a Lílian, imaginei que ela estivesse sendo compelida a ficar aqui com vocês e não podia permitir isso. – Respondeu Giordanno.
Stefan entrou na sala e se deparou com todo aquele estrago. Viu a mancha de sangue em minha blusa e correu em direção a Damon.
- Seu psicopata! O que você fez agora? – indagou ele pressionando o irmão contra a parede.
- Dessa vez nada. A sua ex namoradinha apareceu para se vingar do que eu fiz com o cachorrinho dela e quase me matou. – Damon respondeu como sempre num tom irônico.
- Você mordeu a Lílian! – Stefan pegou a estaca que eu havia usado para me cortar e cravou no abdômen do irmão.
- Stefan pare! Eu dei meu sangue ao Damon. Ele estava quase morrendo, não foi culpa dele. – Disse.
Depois que o Stefan se acalmou mais, contei a ele o que tinha acontecido. Enquanto eu falava o Damon e o Giordanno, um em cada canto da sala, se encaravam. Quando terminei de explicar tudo ao Stefan, ele levantou e começou a andar pela sala. Ele parecia está distante dali, preocupado com algo.
- Stefan, você não pode me culpar pelo que eu fiz... estava tentando salvar o Damon – Disse tentando trazê-lo de volta dos seus pensamentos.
- Ela sabe de tudo. – Ele disse olhando para mim.
- De tudo o quê? – Temi a resposta.
- Sabe que sou um vampiro. Descobriu hoje. Depois que os outros saíram ela estava lendo o diário de John Gilbert e ele me citava como uma criatura abominável que havia matado sua família inteira. Ela nunca vai me perdoar, eu nunca deveria ter voltado. – Enquanto ele falava, seus olhos se enchiam d’água.
- Stefan você não tem culpa de ser como é! Não deveria sofrer tanto assim, se a Elena gosta mesmo de você ela vai entender. – Respondi passando a mão pelo seu ombro.
- Ah maninho, você sabia que ia dar nisso desde o começo. Uma hora ela teria que descobrir. – Disse Damon ainda encarando o Giordanno
- Nós precisamos sair da cidade. E se ela contar para alguém? – Stefan parecia preocupado.
- Não vamos sair coisa nenhuma! A Katherine provavelmente está aqui para tentar quebrar a maldição e se ela tentar fazer isso a Elena estará em perigo! Temos que protegê-la! – Pela primeira vez desde que comecei a falar com o Stefan, o Damon havia tirado os olhos do novato.
- Eu concordo com o Damon. Agora vamos dar um jeito nessa sala. Vou preparar alguma coisa para comer, essa história de salvar a vida de vampiros me deixou com fome. – Dizendo isso encerrei a conversa e segui para a cozinha seguida do mais novo bruxo da cidade.
- O que você quer aqui? – Falei rispidamente.
- Você não pode me culpar por não ter dito quem eu sou, você também não foi honesta comigo – O Giordanno estava certo, mas eu ainda estava com raiva por ele não ter me contado.
Virei para ele e no instante que o fiz desejei não ter feito. A visão daquele corpo perfeito me fez fraquejar na raiva, mas mesmo assim me mantive firme. Estava pronta para começar uma discussão quando a campainha tocou. Um frio subiu pela minha espinha, não gostava daquela sensação. Damon abriu a porta e, quando cheguei na sala já estava tudo arrumado, não havia vestígios do que acontecera a pouco. Olhei para a porta e reconheci imediatamente o visitante. Droga! Quando a gente pensa que não tem como piorar, as coisas pioram.

Capítulo 6: Lobisomem



- Damon! O que você fez aqui? – Disse horrorizada.
- Não aconteceu nada que seja da sua conta! Só tive que limpar uma sujeirinha que achei nessa cidade... – Disse ele com seu ar sarcástico.
- Oh meu Deus! – Exclamou o Giordanno. Eu tinha ficado tão espantada com a cena que esqueci completamente da presença dele.
- Giordanno me desculpe, mas é melhor você vir outra hora. – Eu realmente não tinha como explicar aquilo agora, precisava descobri quem o Damon matara e por que.
Antes que o novato pudesse fazer ou falar alguma coisa, Damon já estava entre nós olhando fixamente para ele.
- Quem é esse? – Perguntou ele encarando-o.
- Damon, por favor, não faça nada. Ele é novato na escola e precisa de um lugar para ficar e a Caroline insistiu para trazê-lo aqui. – Respondi nervosa com a proximidade deles – Deixe-o ir, e me explique o que aconteceu aqui.
- O deixar ir? Você está louca? Ele não pode ir, ele viu demais! – Respondeu ele voltando-se para mim.
Nesse momento ele voltou-se novamente para o Giordanno que permanecia imóvel, assustado. Fixou seu olhar no dele e começou a falar:
- Você nunca esteve aqui. Combinou com a Lílian que viria mais tarde. Agora vá, rápido!
Assim que ele disse isso, Giordanno piscou algumas vezes atordoado e saiu pela porta.  Pouco tempo depois se ouvi o barulho de um carro arrancando.
- Da próxima vez não traga visitas sem antes avisar. – Disse ele.
- Da próxima vez não mate ninguém no meio da sala. Quem é essa pessoa que está enrolada no tapete? – Perguntei
- Mason Lockwood.
- O tio do Tyler?! Damon você matou o tio do Tyler?!
- Eu precisei.
- Precisou?! O que diabos você está pensando?! Eu realmente me enganei com você, pensei que você fosse diferente.
- Blá blá blá!
- Damon, porque você fez isso?!
- Ele era um lobisomem! Era uma ameaça!
- O QUÊ?! Um lobisomem?! Como você sabe?
- Isso não vem ao caso. Ele estava ajudando a Katherine. – No momento que ele disse o nome dela seu olhar tornou-se sombrio.
Fiquei olhando para ele, esperando uma explicação.
- Andei lendo aquele seu livro, sobre as doppelgängers. Nele diz que para que a maldição do Sol e da Lua seja quebrada é necessário um lobisomem e uma selenita, mas conhecida como Pedra da Lua. – Enquanto ele falava, eu sentei no sofá. Sabia que por aí vinha bomba. – A Pedra ela me deu pouco antes de desaparecer, eu não sabia para que servia, mas é idêntica a figura do livro.
- Você tá querendo dizer que a Katherine está tentando quebrar a maldição e é por isso que ela voltou a Mystic Falls? – Perguntei e ele assentiu – E como você sabe que o Mason trabalhava com ela?
- Segui ele e vi os dois se encontrando na floresta, próximo a propriedade dos Lockwood.
- Espera, se o Mason, que é tio do Tyler, é um lobisomem, quer dizer que o Tyler também é? – Aquela história estava começando a me assustar.
- Na verdade não. Um lobisomem se transforma quando mata alguém. Pensei que você como bruxa soubesse disso. – Damon era absurdamente sarcástico.
- Nunca fui fã dessas coisas sobrenaturais. – Respondi com desdém.
- Agora é melhor que a gente limpe logo isso antes que o Stefan chegue e comece o sermão.

Quando o Stefan chegou, Damon contou a história toda a ele e como sempre ele foi discutir com o irmão. Eu sei que o que o Damon fez não foi a coisa mais certa, mas se o Mason continuasse ajudando a Katherine, provavelmente a Elena estaria em perigo. Subi as escadas, terminei a carta para o papai e entreguei a Edmund para levá-la.
Pouco tempo depois da saída de minha coruja, a campainha da Pensão tocou.Fiquei pensando que fosse a Elena, mas depois lembrei que o Damon havia dito para o Giordanno voltar mais trade, Desci as escadas correndo, assim que cheguei na sala encontrei os Salvatore e aquele lindo novato sentados na sala.
- Lílian, o Giordanno me disse que você sugeriu a Pensão para ele ficar... – Disse Stefan.
- Na verdade foi a Caroline, mas não acho que seja uma má idéia. – Na verdade eu não acreditava que fosse a melhor idéia do mundo, mas só em pensar em morar sobre o mesmo teto daquele deus grego meu estômago revirava e eu gostava daquela sensação.
- Mas Lílian... – Stefan parecia irritado.
- Giordanno, você pode nos dar licença um minutinho? – Pedi.
Puxei os dois irmãos em direção a cozinha.
- Stefan, eu realmente acho que ele deveria ficar. Ele é novo na cidade e esta é a única estalagem das redondezas. – Argumentei.
- Mas Lílian, você sabe que nós não temos condições de abrigar mais ninguém aqui. – Disse ele.
- O quarto do Zack está vago, ele poderia ficar lá.
- Você sabe que não é disso que eu estou falando! – Respondeu ele irritado.
- Por mim ele pode ficar.Não é como se nós fossemos psicopatas por sangue. Ele não faz o meu tipo, prefiro as líderes de torcida e calouras. – Disse Damon com um sorriso meio de lado.
- Por favor, Stefan. Eu prometo que nada de mal vai acontecer a ele. Eu me responsabilizo em protegê-lo. – Disse com os olhinhos de cão sem dono e vi que minha argumentação havia logrado êxito.
- Esta bem, mas saiba que a responsabilidade é toda sua! – Disse ele e depois seguimos para a sala.
- Você pode ficar, Giordanno! – Falei emplogada. Me contive e continuei num tom mais brando – Seu quarto será de frente ao meu. Se quiser pode se mudar hoje mesmo, não é meninos?
Os dois assentiram.
- Obrigado pessoal! Prometo que não vou decepcioná-los. – Dizendo isso ele levantou-se, apertou a mão de todos, mas se deteve um pouco ao cumprimentar Damon e depois foi buscar suas malas no carro.
Após mostrarmos os aposentos do Heifer, me deitei e dormi como um anjo, pensando no meu novo vizinho de quarto.

No dia seguinte depois da aula, fui para a casa de Elena junto com o Giordanno, Stefan, Bonnie, Caroline, Amber,Tyler e o seu melhor amigo Matt. Passamos a tarde pesquisando sobre vampiros nos diários dos Gilbert e dos Lockwood, no final da tarde, algo terrível aconteceu.
Amber havia trazido uma garrafa de tequila escondida na bolsa e ficou chamando todos para beber, sedemos a ela e tomamos uma dose, mas ela estava incontrolável. Ligou o som e logo o que era um trabalho virou uma festa. Eu estava sentada no sofá olhando a Caroline dançar com o Giordanno, morrendo de inveja, quando o Tyler me chamou pra dançar. Eu disse que não tava afim ele insistiu e eu pedi para ele sair. Pouco tempo depois ouviu-se um grito vindo do escritório. Todos corremos pra lá e encontramos Bonnie na porta com as mãos cobrindo os olhos. Quando olhei para dentro do cômodo vi o Tyler perturbado, olhando para o chão próximo a escrivaninha onde estava a Amber desmaiada com sangue escorrendo de sua cabeça.
Corri para perto dela e verifiquei sua pulsação. Meu coração gelou quando constatei: Ela estava morta. E pela explicação que o Tyler estava dando, ele a havia empurrado. Tyler matara alguém. Oh meu Deus, ele agora seria um lobisomem? Fiquei apavorada só de pensar.
Com pouco tempo a xerife chegou e começou a interrogar todos que ali estavam. Bonnie permanecia tremendo, agora sentada no sofá sendo amparada pelo irmão de Elena, Jeremy, Stefan tentava acalmar Elena. Segui para perto do Tyler, mas desisti no meio do caminho. Algo me dizia para sair dali, ir para casa. Nesse momento alguém tocou no meu ombro, virei rapidamente e percebi que ela o Giordanno.
- Você já falou com a xerife? – Perguntou ele. Eu assenti e ele continuou – eu também. Estou indo pra casa, quer carona?
- Claro. – Respondi
Quando chegamos à Pensão percebi que a porta estava aberta. Escancarada. Meu coração acelerou, não esperei nem ele parar o carro e já saí correndo. A sala estava toda bagunçada. O sofá estava de cabeça para baixo de frente a lareira, os quadros uns jogados no chão, outros tortos na parede e haviam algumas manchas de sangue pelo chão.
Desci os três degraus depois da porta e ouvi um sussurro. Quando olhei para o canto da parede, logo atrás de uma cadeira quebrada percebi de onde vinha o barulho. Damon estava jogado no chão sangrando por todas as partes e completamente sem forças.

Capítulo 5: Giordanno Heifer




O fim de semana foi calmo, o seu auge foi quando Edmund, minha coruja, chegou no sábado pela manhã batendo em minha janela. Ele trazia uma carta do meu pai dizendo que estava tudo bem, mas que queria notícias, por isso havia mandado Edmund para ficar comigo,assim, caso eu precisasse poderia contatá-lo facilmente.
Acho que essa não foi a única intenção dele ao mandar minha coruja. Meu pai era muito ligado à mim, mas do que ao meu irmão. Ele sabia que eu precisava do Edmund ao meu lado, um amigo para conversar sobre tudo que estava acontecendo.
Na segunda de manhã, cheguei mais cedo na aula e comecei a escrever uma carta para meu pai. Não contei a ele muita coisa, disse que estava me adaptando e que já tinha alguns amigos, claro que omiti o fato de alguns deles serem vampiros, afinal o senhor Potter não iria ficar nada feliz se soubesse disso. Duvidava que ele não desconfiasse que algo estava errado pois ele havia dado a idéia de mandar meu irmão mais velho, Tiago, para passar um tempo comigo.
Me envolvi tanto escrevendo, que nem prestei atenção que a sala já estava cheia. Olhei para o lado e vi o Tyler sentado ali. Achei estranho, afinal ele sempre sentava com os outros atletas no fundão da sala. Ao perceber que eu estava observando-o ele deu um tímido sorriso, ruborizou e rapidamente voltou sua atenção ao professor Alaric que já estava na sala e havia iniciado a aula a um tempo.
- Hoje vou passar um trabalho para vocês que vale a nota da prova. – Disse ele.
Toda a sala começou a reclamar.
- Silêncio pessoal! O trabalho vai ser sobre a nossa cidade. Quero que vocês escrevam sobre alguma lenda que cerca a história de Mystic Falls.
- Ah não! – Disse Tyler. – Pelo menos é em grupo?
- Quero que vocês dividam a turma e explorem os assuntos que encontrarem.
- Pode ser qualquer assunto? – Perguntou Bonnie, uma amiga de Elena.
- Contanto que seja alguma lenda da cidade. – Respondeu Mr. Saltzman
- O senhor tem alguma idéia? – Perguntei temendo a resposta.
- Vampiros. – Quando o professor Alaric disse isso, Stefan enrijeceu em sua cadeira e toda a turma mergulhou num burburinho intenso.
- Quero que a turma se divida em três grupos, pesquisem separadamente e depois juntem tudo. – Concluiu Alaric – Lembre-se que a nota será de toda a turma.
- Mr. Saltzman, onde nós podemos encontrar essas informações? – Preguntei.
- Na internet, é claro! – Disse Amber. Ela sempre sentava ao lado de Tyler e hoje estava sentada no fundo da sala me encarando.
- Na verdade não, Amber.Quero que vocês busquem coisas originais. Andei conversando com o diretor da escola sobre a história da cidade e ele me disse que as famílias fundadoras costumavam escrever histórias sobre vampiros – Continuou ele – Sendo assim, quero que procurem esses diários dos seus antepassados. Agora, vamos, dividam logo os grupos. Depois que decidirem podem se reunir pra começar o trabalho.
Olhei para Stefan e ele já estava num grupo com a Elena e alguns amigos dela. Segui para onde eles estavam e senti o Tyler em meu encalço, já estava ficando preocupada com aquela mania dele me perseguir. Quando cheguei perto do grupo, senti um perfume amadeirado e doce ao mesmo tempo. Naquele momento meu coração disparou desesperadamente, olhei em volta e vi o garoto mais lindo do mundo: ele era forte, pouco mais alto que eu, tinha olhos amendoados e verdes, além de curtos cabelos castanhos e encaracolados. Simples, mas impressionantemente belo. Ele caminhava em minha direção e a cada passo dele meu coração disparava ainda mais. Ele usava uma camisa verde escuro que combinava com a cor de seus olhos, um jeans surrado e uma jaqueta de couro muito parecida com a que Damon usava.
- Oi, vocês já formaram um grupo? – Ele perguntou olhando para mim, mas eu não conseguia responder, estava encantada.
- Já formamos sim! Não tem mais espaço! – Tyler respondeu atrás de mim, completamente transtornado.
- Oi , Você deve ser o garoto novo que o Mr. Saltzman apresentou no início da aula, não é? – Perguntou Caroline, uma das amigas de Elena que agora estava ao meu lado.
- Sou sim. Meu nome é Giordanno Heifer, vim da Itália. – Respondeu ele.
Eu continuava paralizada. Aquela voz dele, rouca e mansa e ao mesmo tempo intensa, era como música para meus ouvidos. Eu deveria estar com a maior cara de boba porque a Caroline olhou pra mim com desprezo.
- Meu nome é Caroline Forbes, eu cheguei um pouco atrasada hoje por isso perdi a sua apresentação. Esses são Lílian Potter e Tyler Lockwood – Disse ela.
- Prazer – Respondeu ele.

Resolvemos tudo sobre o trabalho, iríamos nos reunir na casa de Elena amanhã depois da aula. Quando estava na porta do colégio, pronta para voltar para casa, percebi Caroline vindo atrás de mim acompanhada do novato. Tentei apressar o passo para não ter que fazer papel de boba mais uma vez na frente dele, mas ela gritou meu nome e não deu para fingir que não ouvira.
- Lílian, o Giordanno aqui está procurando um lugar pra ficar e eu sugeri a Pensão Salvatore para ele. Tentei achar o Stefan, mas parece que ele sai correndo da escola – Disse Caroline.
Ela estava certa. Stefan saíra “correndo” como todos os dias da escola.
- Eu não sei... Só moro lá.Teria que falar com o Stefan e com o Damon – Respondi quase sussurrando. Procurei não olhar pro tal Giordanno com medo de dar bandeira do meu nervosismo.
- Faça o seguinte: leve ele até lá e converse com os Salvatore. Tenho que ir agora, treino das líderes de torcida! Tchau Gio, espero que dê tudo certo. – Disse ela, beijando sua bochecha. Tive vontade de bater nela. A Caroline se insinuava para todos os novatos, foi assim com Stefan e agora com o Giordanno.
Seguimos para a Pensão no carro dele. Fomos todo o caminho em silêncio, eu estava muito constrangida para falar qualquer coisa. Quando chegamos, abri a porta e Damon estava na sala. Não consegui segurar o grito com o que vi. O tapete da sala estava coberto de sangue e escondia o que parecia ser um corpo. Correntes de prata jaziam no chão. Mas era o que Damon segurava que me espantou mais: um coração!