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House of Wolves


Capítulo 6


A cada dia que passava, o meu imprinting ficava mais forte e parecia que quanto mais forte, mais fadado ao fracasso ele se mostrava. Rudolph não havia mais conversado comigo nem olhado pra mim, parecia que ele procurava ficar o mais distante possível de mim. Tentei não pensar nisso, pois cada vez que a idéia de ter o coração partido mais uma vez tomava conta de mim, tornava-se mais difícil viver. Por outro lado minha amizade com o Derek parecia ter engatado. Ele vinha sempre a minha casa e ficávamos horas conversando, vez ou outra o Scott e o Styles também davam o ar da graça.
Derek era um cara bacana, mas com quem o destino já havia brincado várias vezes. Ele perdera toda a família em um acidente há cinco anos atrás e agora a irmã morrera de causas desconhecidas. Era muito fechado em relação a falar de si, mas adorava ouvir sobre minha vida. Sempre que eu tentava fazê-lo falar sobre a minha mãe, ele se esquivava do assunto. Eu havia achado estranho o fato dele dizer que conhecera ela, já que quando ela morreu, ele deveria ter pouco mais de quatro anos.
Uma tarde em que estávamos sentados na varanda da casa, perguntei a ele porque se incomodava tanto quando eu tocava no assunto da minha mãe. “Não quero que você fique triste. Deve ter sido difícil perdê-la.” “Foi mesmo. Mas não é como se eu sentisse muita falta, quer dizer, eu nem cheguei a conhecê-la, ela morreu quando eu tinha um ano.” Ele se sobressaltou na cadeira e olhou assustado para mim. “Um ano? E quantos anos você tem?” “18. Porquê?” “Annie, o nome da sua mãe era Caroline Balmer?” “Era. Porquê?” eu já estava começando a ficar impaciente com o jeito com que ele me olhava. “Eu não acho que sua mãe morreu quando você tinha um ano.” “Do que você está falando?” “Eu conheci a sua mãe. Ela vivia na minha casa conversando com a minha mãe. Ela estava lá no dia do incêndio.” “Não, você deve estar enganado. Minha mãe morreu há 17 anos atrás. Caçadores a mataram.” “Não, Annie. Eu conheci a sua mãe, não estou ficando louco. Ela era muito amiga da minha mãe.” O Derek estava pirando, só pode. “Não pode ser. Se ela estava viva, porque não me procurou? Porque não me ajudou quando eu mais precisei.” Estava agora pensando em voz alta.
Derek aproximou-se de mim como se fosse me consolar, mas eu me afastei. Entrei em casa e me tranquei em meu quarto, detestava que me vissem chorar. Precisava ter calma, talvez o Derek estivesse enganado, pode ser que tenha outra Caroline Balmer no mundo. “Annie, o que aconteceu? Você entrou em disparada e o Derek ficou me pedindo desculpas... por favor, abra a porta.” Bruno estava batendo. Eu não queria abrir, mas precisava, só ele poderia esclarecer aquela confusão toda que havia se formado. Abri e o deixei entrar. “O que aconteceu? Você está chorando? Foi algo que o Derek fez?” “Tá mais pra algo que ele disse.” Respondi áspera. Não sabia como perguntar aquilo, então joguei toda a história, não sabia como enrolar. “Porque você nunca me disse que a minha mãe estava viva?” perguntei e, dada a pausa que se deu depois da minha fala e a tensão que se pôs sobre o quarto, percebi que era verdade, minha mãe estivera viva durante treze anos e ninguém nunca me disse nada. Minha raiva foi tão grande que tive vontade de quebrar todas as paredes que estavam ao meu redor, mas só tive forças pra chorar.
“Annie, tente entender, sua mãe estava tentando te proteger. Ela estava sendo caçada e não podia arriscar a sua vida.” “Isso não é justificativa para se abandonar um filho. Porque não me explicaram isso antes? Porque me deixaram pensar que ela havia morrido?” “Annie, era a vontade dela. Ela voltaria para te ver. Estava se preparando para voltar quando o incêndio aconteceu.” “Depois de treze anos? Depois de todo esse tempo ela queria voltar?” “Ela queria explicar tudo para você no dia da sua primeira transformação, quando você fez treze anos. A intenção dela nunca foi abandonar você.” “E porque vocês não me contaram isso antes?” “Pra quê? Pra você ficar mais triste. Minha querida, eu via nos seus olhos o pesar por ter sido deixada pelo seu pai, não queria que você achasse que a sua mãe fizera o mesmo.” “Mas no fim ela fez. Me deixou sozinha sem saber o que fazer com essa herança maldita.” A raiva que eu estava dela agora juntava-se à de me sentir sozinha, condenada a amar quem não me amava por uma maldição que ela havia me deixado. Bruno abraçou-me e, como mágica, me senti protegida em seus braços. Não me lembro de uma única vez que meu pai tenha me abraçado como ele fazia, como se fosse levar consigo cada problema e insegurança que eu sentia.
Era difícil aceitar que mais alguém havia me deixado pra trás. A insegurança que tomava conta de mim era tão grande que não consegui levantar no dia seguinte para ir à aula. Não queria ter que olhar na cara do Rudolph e ver seu olhar distante do meu. Nick havia me ligado umas dez vezes, mas eu não conseguia nem ao menos estender a mão para minha mesinha ao lado da cama e pegar o celular. Meus lençóis pareciam incrivelmente confortáveis, como se me abrigassem e protegessem do mundo. O Bruno e o Guilherme bateram algumas vezes na minha porta, mas como não respondi, eles desistiram.
Já era noite quando consegui me levantar. Tomei um banho e me permiti descer para comer alguma coisa mesmo sem fome. Quando estava na cozinha com a porta da geladeira aberta e olhando para o seu interior como se esperasse que a comida saísse sozinha, a campainha tocou. O Guilherme atendeu e eu pude ouvir a voz de quem chegara. Mesmo com meus instintos aguçados, hoje eu não estava muito no ânimo de ouvir conversas, mas aquela voz me chamava como o sino aos fiéis da igreja.
Rudolph estava parado à porta com uma jaqueta de couro preta, calça jeans surrada e seu cabelo sempre bagunçado-arrumado. Fechei imediatamente a porta da geladeira e como uma garotinha boba me olhei no vidro do armário. Meus olhos estavam cheios de olheira, meu cabelo só o bagaço e vestia um pijama velho. Tive vontade de subir e me arrumar, mas para chegar à escada teria que passar pela sala e ele me veria de qualquer jeito. Fingir que não estava também não dava porque o Guilherme já estava gritando meu nome a plenos pulmões. Tentei dar um jeito no cabelo e saí em direção à sala.
Rudolph ainda estava à porta e ao me ver, sorriu com aqueles dentes perfeitamente brancos. Eu deveria parecer uma boba, porque o Guilherme ficou me olhando como se eu tivesse uma doença contagiosa. “Annie! Você não apareceu na aula hoje e a Nick me disse que você não atendia o telefone, pensei que tivesse acontecido algo.” Pára tudo! Ele tinha vindo saber se eu estava bem? E ele tinha falado com a Nick, com quem nunca falara antes, só pra saber notícias minhas? Ele estava preocupado comigo! “Está tudo bem. Só não estava no clima de aula hoje, não precisava se incomodar de vir aqui.” Falei isso, mas por dentro eu gritava que precisava sim. “Não foi incômodo algum. Moro aqui perto.” “E como você soube onde era a casa dela?” O Derek havia aparecido do nada atrás dele e estava de braços cruzados e com olhos de sangue olhando para ele como se prestes a atacá-lo. “Foi fácil. A Annie se mudou há pouco tempo, só sair perguntando.” Ele se virou e respondeu todo educado, uma fofura mesmo, mas o Derek não mexeu um só dedinho. Dado o clima pesado que havia se instalado com a chegada do Derek, o Rudolph se despediu: “Bem, já que está tudo bem com você, eu vou indo. A gente se vê amanhã na aula?” “Claro.” Respondi toda boba e o acompanhei com o olhar até ele seguir para o lado da casa do Scott. Olhei enfurecida para o Derek, mas depois da saída do Rudolph ele se tornara outra pessoa. Estava todo atencioso. Perguntou-me se eu estava bem e me pediu mais uma vez desculpas por ter falado sobre a minha mãe. “Tudo bem, Derek. Pelo menos agora eu sei.” Queria brigar com ele por ter aparecido na hora errada, mas ele estava to preocupado e ressentido sobre ontem que preferi não inflamar.

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Capítulo 5


No dia seguinte o garoto misterioso sentou ao meu lado e eu criei coragem, mesmo em meio aos batimentos acelerados do meu coração e à falta de ar que me dominava, de me apresentar. Ele virou para mim e sorriu. Disse que seu nome era Rudolph e que ele morava sozinho na cidade. Não sei como consegui falar com tudo que estava sentindo no momento, mas nós conseguimos conversar um bocado antes do professor chegar. Era aula de Antropologia e o professor resolveu fazer a chamada para conhecer melhor os alunos. Ele chamava cada um pelo sobrenome e eu fui a primeira. Quase no final ele chamou por Hunt e Rudolph levantou a mão. Conhecia esse sobrenome de algum lugar, mas não conseguia lembrar de onde. Passei o resto da aula tensa com ele sentado ao meu lado.
Ao fim da aula, Derek me esperava acompanhado de Scott e Styles. Rudolph passou por nós e eu sorri, mas ele não parecia ter visto. Quando olhei de volta para o nosso grupo, Derek me encarava com olhos de fogo, fingi que não tinha visto e resolvi me concentrar na conversa dos meninos. Styles estava todo empolgado com uma festa que iria ter na reserva aquela noite e o Scott também porque seria seu primeiro encontro com Allison. “Acho isso uma péssima idéia. O alfa pode tentar entrar em contado com você e terminar em derramamento de sangue.” O Derek estava completamente revoltado com aquela situação e eu ainda não entendera por que. “Vamos deixar para discutir isso em casa. Alguém pode escutar aqui.” Dizendo isso seguimos para a minha casa. A casa estava vazia. Guilherme no plantão e o Bruno no supermercado. Depois de muito discutirmos, resolvemos ir à festa, Derek era voto vencido. Eu estava com uma sensação boa daquilo tudo depois do que ocorrera hoje na aula.
Às oito em ponto, Styles me esperava na porta de casa, ele seria meu par enquanto Scott levaria Allison. Confesso que não gostei da idéia; Styles era legal, mas um tanto irritante às vezes e parecia querer impressionar os amigos saindo com uma garota da faculdade. Passou quase a festa toda tentando me exibir como troféu. Quando finalmente consegui me livrar dele, ouvi um grito vindo da floresta. Eu conhecia aquela voz e sai correndo, era Derek. Ele estava deitado a 10 metros de onde a festa estava acontecendo e seu braço sangrava. “O que aconteceu?” “Caçadores. Preciso que me tire daqui.” Chamei o Styles para ajudar e levamos ele para o carro. Chegamos em casa e o Guilherme tentou tirar a bala, mas ela havia se liquefeito. “Eu não entendo, nunca vi uma bala assim.” O ferimento não se curava e a cada minuto ia adquirindo uma coloração arroxeada. Era como um veneno. “Wolfsbane! Precisamos saber a espécie para curá-lo.” Bruno teve um insight. “Já vi isso acontecer uma vez, com um tio nosso. Eles colocaram em uma flecha.” “Como salvaram ele?” “Não salvamos. Em 48 horas o veneno atinge o coração e não conseguimos achar o antídoto a tempo.”
Meu coração palpitou. Para Bruno, só havia uma chance de salvar o Derek: entrar na casa dos Argent, encontrar a bala e trazê-la. “Mas se não foram os Argent, se houverem mais caçadores na região?” perguntou o Scott que havia acabado de chegar. “Teremos que arriscar com eles, afinal são os únicos que conhecemos.” “Eu posso tentar encontrar. Allison me convidou para um jantar em sua casa, posso tentar encontrar a bala.” Disse Scott. “Procure nas coisas da tia dela, tenho certeza que foi ela.” Derek estava ficando branco e fraco.
Passei a noite ao lado dele tentando mantê-lo acordado, mas nem foi preciso tanto esforço por que com as dores que ele sentia era um tanto impossível dormir. Lembrei do que ele tinha dito sobre mais um alfa na noite passada e resolvi perguntar de novo quem seria. “ Você é um alfa, Annie.” “Eu? Impossível! Eu nunca matei um alfa pra ser um.” “Não é só matando um alfa que você se torna um. Sua mãe era um alfa e, de acordo com a lenda, ela passa para sua filha mais velha esse legado quando morre. Tanto ela quanto a minha mãe eram alfas.” “Você também é um? Por ser o filho mais velho.” “Não. Seria se meu pai fosse o alfa, mas só passa hereditariamente para filhos do mesmo sexo. A Laura era o alfa-herdeiro.” “Como você tem tanta certeza que eu sou um alfa? Você conheceu minha mãe?” “Na verdade, acho que a conheci, mas sei que você é um alfa porque tem transformação completa. Não sei se você percebeu, mas na outra noite você foi a única que atingiu completa forma de lobo enquanto eu e o Scott tínhamos apenas alguns traços modificados na transformação.” “Ah, entendi. Como você conheceu a minha mãe?” “Prefiro não entrar em detalhes.” Falando isso ele reclamou de uma dor no braço e eu apertei mais o lençol que tentava estancar o veneno o qual continuava subindo em direção ao seu coração.
O dia seguinte foi cheio de tensão. Todos estavam ansiosos pela noite e o Scott mais ainda por ter a responsabilidade de encontrar a cura para Derek. Ele passou em minha casa antes de ir à casa dos Argent, tremendo de medo, mas assim que ele viu o estado do Derek, mudou de humor. Derek estava deitado em minha cama e, depois de 24 horas da ação do acônito em seu corpo, cada veia que saia do ferimento em direção ao coração estava sobressalente e de cor roxa ou esverdeada. O veneno estava seguindo e assim que atingisse seu coração, ele morreria.
Depois do que me pareceu uma hora meu celular tocou, era uma mensagem do Scott. Ele havia enviado uma foto com uma pequena caixa de madeira onde havia uma espécie de planta desenhada em prata. Ao ver aquele símbolo, lembrei automaticamente das fotos que encontrei assim que o Bruno me contou sobre a história dos lobisomens. Aquela era a imagem do acônito azul, uma wolfsbane poderosa que tinha o poder de matar lentamente um lobisomem. Liguei para o Scott, mas a ligação ia para a caixa de mensagem. Será que ele havia sido descoberto?
Tentei contatá-lo mais três vezes e então resolvi procurá-lo. Peguei o casaco e desci correndo a escada. Ao abrira porta, encontrei ele ofegante a minha espera. “Scott! Pensei que havia sido descoberto.” “Quase... Allison... história...” ele ofegava entre uma palavra e outra. “A caixa, seja o que for que estava dentro dela, é o eu nós precisamos.” “Aqui.” Ele respondeu tirando do bolso uma bala comprida. Tomei a bala de sua mão e subi correndo. Styles, que havia ficado para cuidar do Derek, estava com um facão sobre seu braço, prestes a cortá-lo. “O que porra é isso, Styles?” “Foi ele que mandou. Disse que não ia dar tempo.” “Já deu!” respondi mostrando a bala. Abri a cápsula e lá estava um pó azul. Despejei sobre a minha escrivaninha e pedi para o Derek ficar de pé. Peguei o isqueiro e queimei a substância e depois coloquei no ferimento e mantive pressionando com o dedo bem fundo na ferida. Ele gritava de dor e se debatia, mas pouco tempo depois as veias foram desaparecendo e Derek assumia sua cor normal. Estava curado.

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Capítulo 4



A noite estava fria e nublada. Quando chegamos em frente a casa dos Hale não acreditei que alguém pudesse viver ali. A casa era as ruínas do incêndio que anos atrás matara toda a família e parecia a ponto de desmoronar a qualquer momento. Descemos do carro e imediatamente senti um cheiro estranho, era uma mistura de ferro com outra coisa e aquele odor me remeteu a um dia quando eu fora visitar o Guilherme durante uma de suas aulas. Era cheiro de sangue. O Scott parecia sentir a mesma coisa, olhou pra mim assustado e nós nos pomos a farejar o local em busca da origem do odor. Styles nos seguia sem entender nada.
Ao lado da casa havia um pouco de terra mexida e nós começamos a cavar até encontrar o que parecia ser um monte de pêlo, quando retiramos melhor a areia percebemos que era uma parte de um lobo morto e havia um cordão ao redor do corpo. Comecei a puxar mesmo tendo uma noção do que se tratava, quando cheguei ao final, percebi que era o que imaginava: wolfbane. “O que é isso?” perguntaram o Styles e o Scott ao mesmo tempo. O cordão desenhava sobre o chão uma espiral ao redor do corpo. “Um ritual. O enterro de um lobisomem.” Respondi e voltei para perto do corpo que não mais mostrava a cabeça de um lobo, mas de uma mulher: Laura. Me ajoelhei ao lado de seu corpo sem vida e chorei. Chorei pela única pessoa que havia conhecido que entendera realmente pelo que eu passava dia após dia, pela pessoa que me ajudou a superar cada dificuldade que eu encontrava por ser como era, pela minha melhor amiga.
Os meninos se aproximaram de mim e seguraram cada um em um braço porque eu mal conseguia me manter em pé. “Vejo que você a encontrou. Não sabia o que fazer com a outra metade do corpo” Disse uma voz atrás de nós, era Derek. “Seu miserável! Porque você a matou?” Não havia mais como me controlar. Me desvencilhei dos meninos e parti pra cima dele, não pude conter a transformação e quando o ataquei estava em minha forma lupina. Derek percebeu o que aconteceria e foi só o tempo de jogá-lo no chão para ele se recuperar e transformar também. Me deu uma chave de braço que o deslocou. “Eu não a matei, mas sei quem pode ter feito.” Ele respondeu e eu relaxei; algo em sua voz me fazia acreditar em suas palavras. Ele me soltou e eu coloquei de volta meu braço no lugar. Scott estava atrás de mim, também transformado a ponto de atacar o Derek e Styles estava escondido atrás de uma árvore. “Eu disse pra trazer o novato e você me trás o pateta também?” Derek olhava para Styles se divertindo com a cara de horror que ele fazia. Scott rosnou e eu tentei controlá-lo. “Vamos deixar de conversa, quem fez isso com a Laura?” “Primeiro eu achei que tivesse sido os caçadores que estão na cidade, mas depois da transformação do McCall, acredito que possa ter um outro alfa na cidade.” “Caçadores? Outro alfa?” perguntei meio desorientada. “Os Argent. Eles estão na cidade, foram eles que fizeram isso com a minha casa.” Ao ouvir o nome me lembrei de uma conversa com a Laura onde ela citou essa família. “Argent? Não pode ser!” o Scott de repente ficara branco. “Você conhece eles?” Perguntei. “A garota que eu conheci. Allison Argent.” Um frio percorreu a minha espinha. Se isso fosse mesmo verdade o Scott estava fadado a ter sua primeira decepção amorosa. “Imprinting?” perguntou o Derek. “Acredito que sim.” Respondi tensa. “Haha, já começou mal.” Ele falou com uma risadinha irônica. “Deixe de ser idiota, isso não é engraçado e nós sabemos que não!” ele se calou e eu prossegui “quanto ao Alfa, o que você sabe?” “Nada, só que ele transformou seu amiguinho aí. Mas se ele estiver disposto a colaborar, nós podemos saber bem mais.” Scott não entendeu o que ele dissera, mas eu sim. “Não, não vou pedir pra ele fazer isso, além do que é o Alfa que tem que começar a ligação e nós nem sabemos se ele vai fazer.”
O Scott, por ter sido transformado pelo Alfa, possui uma ligação direta com ele, uma espécie de telepatia. Mas eu não podia pedir que ele deixasse essa ligação se perpetuar, era muito perigoso. Geralmente a intenção de um Alfa de formar uma alcatéia era de dominar um território, procriar, ou o pior de todos: matar em larga escala. Quando expliquei isso ao Scott, ele ficou mais apavorado do que nunca. Derek permanecia balançando negativamente a cabeça como se dissesse que eu estava explicando errado: “Scott, a única forma de você se livrar da maldição é sabendo quem é o Alfa. Se você o encontrar e matá-lo, estará livre para viver como uma pessoa normal.” Ele explicou. “Acho melhor você explicar a ele as chances que ele tem de matar um Alfa!” eu retruquei, mas Scott parecia não me ouvir: “Eu quero minha vida de volta, e faço tudo por isso.” “Scott, é muito perigoso. O Alfa tem domínio sobre você, ele te criou, é o seu senhor. Não vai ser nada fácil derrotá-lo sozinho.” Tentei argumentar, mas o Derek continuava rebatendo. “Ele não vai estar sozinho. Se me ajudar a encontrar o Alfa, ajudarei você a acabar com ele. E tenho certeza que a Annie não vai te deixar sozinho nessa.” O Derek poderia muito bem estar trabalhando como advogado, só pelo seu poder de persuasão.
Concordei em ajudá-lo e o Styles, que passara o tempo todo só observando nossa conversa, levantou e disse que já eram quase oito e meia da noite, nosso prazo máximo para ficar fora antes que o Bruno acionasse meu pai em Washington, coisa que ele tinha prometido fazer. Não acho que teria feito muita diferença, afinal duvido que meu pai fosse mexer uma palha pra me salvar, mas resolvi não testar a paciência do meu tutor. Me despedi do Derek e já estava a caminho do carro quando ele me puxou pelo braço. Me virei e estava a um palmo de seu rosto. “Só queria agradecer pelo que você está fazendo pela minha irmã e me desculpar pelo seu braço.” Ele disse isso e sorriu. Não consegui responder frete àquele rosto tão perfeito, dei um sorriso bobo e quando ele me soltou saí correndo para o carro.

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Capítulo 3


Depois de uma noite mal dormida, levantei às 5 da manhã para me arrumar. Era meu primeiro dia de faculdade. Pensei que fosse estar mais animada, mas depois da notícia sobre Laura, nada mais me animava. Peguei minha mochila e desci. Engoli a vitamina que o Bruno tinha feito e saí correndo. Estava cedo ainda, mas detestava chegar atrasada, principalmente quando eu não conhecia ninguém. Saí de casa na mesma hora que o Scott, nos cumprimentamos e andamos juntos até a escola dele que ficava duas quadras antes da universidade. Ele parecia bem, mas ainda um tanto abalado com as mudanças. Marcamos de nos encontrar na minha casa depois da aula para conversarmos.
Cheguei na porta da minha sala e tinha uma garota de cabelos castanhos e uma mecha roxa encostada ao lado da porta. “Você vai fazer Jornalismo também?” perguntei a ela. “Vou sim, meu nome é Nicole, mas, por favor, me chame de Nick.” “ok, Nick. Meu nome é Annie. Você é da cidade mesmo?” perguntei enquanto apertava sua mão. “Não. Venho do Mississipi, estou morando sozinha aqui.” Entramos na sala e conversamos até iniciar a aula. Já fazia uns 15 minutos que o professor havia entrado quando a porta e se abriu. Um garoto alto com um ar misterioso entrou por ela. Ele parecia dominar cada centímetro da sala com seu charme. Não era lindo de morrer, mas possuía uma presença inigualável. Não gostei da sensação que me tomou, vinha tempestade por aí. Ele sentou duas cadeiras ao lado da minha e nem ao menos olhou para o lado. Nick me cutucou e sorriu, ela parecia ter gostado dele, eu nem tanto.
No final da aula o garoto misterioso saiu feito bala. Tudo mundo tinha conversado com alguém no intervalo ou ao menos dito seu nome para as pessoas mais próximas, mas ele não falara uma só palavra. “Bonito o cara, mas um tanto misterioso.” Nick comentou assim que saímos da sala. Ao chegar na porta da universidade o vi novamente, não o cara da sala, mas o da floresta, o irmão de Laura. Ele me encarava de um jeito nada convidativo. Despedi-me de Nick e fui até ele. “Preciso falar com você, mas não aqui.” Ele foi dizendo todo autoritário, evitava me olhar nos olhos. “Não tenho nada de importante para falar com você.” Respondi rispidamente. “Você era amiga da minha irmã e veio aqui procurando por ela, preciso saber o que você sabe sobre... sobre a morte dela. Encontre-me na minha casa ao anoitecer, se tiver dificuldades, leve o novato com você, ele sabe o caminho.” “Como você sabe sobre o Scott?” “Isso não vem ao caso.” Ele respondeu, deu as costas e saiu.
Cheguei em casa e Styles e Scott estavam me esperando na sala, conversando com o Guilherme. “Qual é a história tão engraçada?” perguntei ao ouvir as risadas deles. “O Scott conseguiu ouvir uma garota a metros de distância e agora tá todo apaixonadinho.” Olhei depressa para ele com uma expressão de espanto. Ao verem minha cara todos pararam imediatamente de rir. “O que aconteceu, Annie?” As únicas coisas que consegui dizer foram: “ai, meu Deus! Scott está com sintomas terríveis da pior das maldições que um lobisomem pode carregar: o imprinting.” Scott e Styles olharam para mim sem entender, mas o Gui olhou como se tivesse entendido e virou para o Scott com pena. Por morar comigo há tanto tempo ele já me conhecia como um irmão, eu contava tudo para ele, até mesmo minhas paixões não correspondidas. “Peraí, eu li sobre isso. Um imprinting não é quando um lobo se apaixona e começa a viver em função daquela pessoa? Mas isso não é ruim, é? Quer dizer, a pessoa tem que amar de volta.” O Styles falava enquanto eu e o Guilherme balançávamos a cabeça. “Você acertou na definição. Quando se tem um imprinting você passa a adotar aquela pessoa como seu sol, seu universo, mas não é obrigado a pessoa sentir o mesmo por você. Na maioria dos casos esse sentimento não é recíproco e é aí onde mora o problema.” “Você já sofreu imprinting?” Scott perguntou asustado. “Mas até do que eu acho que merecia.” Respondi enquanto o Guilherme só balançava a cabeça. “E o que acontece quando não se é correspondido?” “Não é muito diferente do que acontece com os humanos normais, exceto pelas cicatrizes.” “cicatrizes?” “É. A cada imprinting não correspondido você passa a acreditar que todos os outros também serão e aí você passa a ficar meio depressivo. A cada novo imprinting falho, os sintomas pioram. Quando você vê a pessoa seu coração começa a acelerar, as mãos a suar e tremer, essas coisas. Você só percebe que é um fracassado na hora de escolher por quem se apaixonar quando o seu coração bate tão rápido que chega a dar falta de ar e isso passa a acontecer com o simples fato de pensar na pessoa amada.” Scott me olhava em choque e o Styles na era diferente. “Como você faz para se curar de um imprinting?” Dessa vez foi o Gui que respondeu: “Usando aquele ditado: ‘esquecer o amor velho com um novo’.”
Não deixava de ser verdade o que ele disse, eu só conseguira me livrar de um imprinting quando surgia outro na minha vida. Mas não era bem se livrar, se o novo não desse certo eu ainda alimentava esperanças no anterior e isso era pior do que tudo. “Você parece saber descrever tudo que acontece...” Scott falou desanimado. “É, eu acho que é porque eu estou perto de viver um novamente.” Dizendo isso, me joguei na cadeira da varanda arrasada. O que eu sentira ao olhar para o cara misterioso era bem parecido com as minhas outras “ilusões”, como eu gostava de chamar. “Ah, não! De novo não!” Gritou o Guilherme levantando as mãos em protesto. “Você tem certeza?” ele me olhava como se eu tivesse em estado terminal. “Tanto quanto eu tenho certeza do quanto vou me machucar com isso. O cara nem ao menos fala!” respondi olhando pra ele, vendo sua expressão de tristeza. O Guilherme passara por todas as minhas outras aventuras amorosas junto comigo, me dando força e tentando me animar, na maioria das vezes sem sucesso.
Passei o resto da tarde conversando com eles sobre o imprinting e outras coisas de lobo. Quando olhei para o relógio já eram 6 horas da tarde, levantei e subi para me arrumar. Desci vestindo uma calça jeans escura, uma camiseta e o meu inseparável casaco de couro. “Para onde a senhorita pensa que vai?” perguntou o Bruno quando me viu passar em direção a porta. “Vou me encontrar com o Derek.” Respondi girando a maçaneta depressa antes que ele me impedisse. “O irmão da Laura? Mas não vai mesmo, não sozinha!” respondeu o Guilherme e o Bruno concordou com a cabeça. “Pessoal, nós precisamos descobrir o que aconteceu com a Laura! Estou saindo!” O Guilherme bateu a porta impedindo minha passagem. “Gui, por favor, eu preciso ir. Se não quer que eu vá só, eu poso levar o Scott comigo.” Supliquei com minha carinha de cachorro sem dono que sempre funcionava, mas falhou dessa vez. “Annie Archibald, esse Derek é suspeito do assassinato da própria irmã e você quer que eu deixe você ir a casa dele acompanhado de um lobo recém transformado para conversar?” “ok, vamos combinar assim: se eu não voltar em menos de 2 horas, vocês chamam até a CIA pra me procurar, certo?” O argumento foi convincente. Saí da casa com o Scott e o Styles que iria só nos levar até o local.

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Capítulo 2


Na manhã seguinte acordei muito cedo para arrumar algumas coisas e encontrar mais tarde com a Laura. Passei a manhã inteira ligando para ela, mas a ligação só caia na caixa de mensagem, estava começando a ficar preocupada. Depois do almoço, desci as escadas e encontrei os meninos assistindo um jogo de lacrosse na TV. “Estou saindo, vou ver se encontro a Laura.” Avisei, mas acho que eles não ouviram, tamanha era a concentração no jogo.
O céu estava limpo e o sol iluminava cada pequena flor no jardim. Era incrível como as paisagens na Califórnia era bonitas. Ouvi um burburinho vindo da casa vizinha. “Scott, você tem que me levar lá!” “Styles, você pirou? Eu não volto mais lá!” “Você tem certeza de que viu o corpo?” “claro que tenho! Tanta certeza quanto da marca de mordida que tem agora na minha cintura!” Meu coração acelerou. Styles me viu na entrada da casa olhando para eles. “Annie, tudo bom?” Parei por um segundo para assimilar se ele estava falando mesmo comigo “Tudo, Styles. Vocês estão de saída?” “Estamos. Vamos para a reserva agora. E você?” “Também estou indo pra lá. Posso ir com vocês?” O Scott parecia nervoso, mas o Styles saiu arrastando ele até o seu Jeep. “Claro que pode, entre.”
Chegamos à reserva e eles permaneceram um tanto afastados de mim cochichando. Conseguia ouvir tudo. Na noite anterior, Styles tinha levado Scott para a reserva assim que ouviu o chamado no rádio do pai. Os dois se perderam um do outro e o Scott achou a outra parte do corpo da garota e perdeu sua bombinha para asma tentando fugir de um bicho que o tinha mordido. Eles tinham me dito que iam procurar essa bombinha, mas agora pude ouvir que estavam tentando encontrar o corpo.
“O que vocês estão fazendo aqui?” Um homem alto e musculoso estava parado a uns 3 metros da gente. Ele permanecia com uma posição ereta e desafiadora. Nós paramos de repente e Scott respondeu: “Perdi minha bombinha ontem, estamos procurando.” “Aqui é uma propriedade particular. É isso que vocês estão procurando?” ele jogou um pequeno objeto na nossa direção, na mesma hora eu e Scott, por reflexo, levantamos a mão para agarrá-lo. “Agora saiam logo daqui!” “Espere. Você disse que isso é propriedade particular, sabe dizer onde fica a casa dos Hale?” perguntei enquanto a mão do Styles agarrava meu braço em protesto. “Pra quê você quer saber?” ele perguntou asco. “Estou procurando minha amiga Laura.” A reação dele foi imediata. Ele disse que não sabia de nada e nos mandou sair imediatamente. Aquele cara não sabia com quem estava falando. Eu não quis insistir para não assustar os meninos, o Styles estava quase arrancando o meu braço.
“você está ficando maluca? Aquele era Derek Hale. Ele é louco, poderia ter matado todos nós!” Styles falou depois de me forçar a entrar no carro. “Hale? Então ele é o irmão da Laura. Porque ele não disse nada?” perguntei intrigada. “Não sei e não vou esperar aqui até você descobrir.” Scott ainda estava do lado de fora do carro quando Styles tocou a chave “Scott, entra logo!” Styles gritou chateado. “Eu não to me sentindo nada bem” foi tudo que ele conseguiu dizer antes de desmaiar no meio da estada.
O colocamos dentro do carro e me lembrei do que ele tinha dito sobre a mordida. Levantei sua camisa e o Styles ficou me olhando como se eu estivesse assediando ele. Não havia marca alguma de mordida. “Styles, você tem certeza que o Scott foi mordido mesmo?” “Foi o que ele disse. Vamos levá-lo pro hospital.” Disse ele, entrando no carro. “Nada disso, vamos para a minha casa. Acho que eu sei o que está acontecendo com ele.” “HA, agora você vai me dizer que o Scott foi mordido por um lobisomem...” “Liga esse carro e segue pra minha casa, AGORA!” Algo na minha voz fez ele ligar o carro e sair tremendo dali.
Chegamos em casa e colocamos o Scott cuidadosamente para dentro sem que ninguém visse. O jogo tinha terminado e o Guilherme foi logo perguntando se a gente tinha trazido trabalho pra ele. “Bruno, eu preciso que você me ajude. Acho que um lobo mordeu o Scott aqui, acho que ele está se transformando.” O Styles virou pra mim com cara de espanto “Isso é sério mesmo? Ele vai virar um lobisomem?” “Annie, eu não sei o que posso fazer. Nunca vi ninguém ser transformado, toda a nossa família já nasceu assim.” O bruno parecia preocupado e o Guilherme foi examinar o Scott. “Vocês são lobisomens? Que porra é essa? Alguém pode me explicar o que tá acontecendo aqui?” Styles estava começando a entrar em choque. “Styles, a história é muito longa. Gui, como ele está?” “Parece bem, tirando a febre. Mas se ele estiver mesmo se transformando, a temperatura do corpo está normal.”
Deixei o Guilherme cuidando do Scott e puxei o Styles pra varanda. Contei que eu era um lobisomem, mas que ele não precisava se preocupar, eu não iria atacar ninguém, só queria ajudar o amigo dele. O Styles continuava em choque. O Guilherme chegou e avisou que o Scott estava acordado, entramos e tentei explicar tudo para ele. “Scott, você lembra o que atacou você?” “Era um lobo, mas um tanto maior do que um lobo normal. Era preto e tinha o olhos vermelhos.” Eu ainda tinha esperança que fosse a Laura, mas pelo que lembrava ela tinha os olhos azuis ao se transformar. “o que vai acontecer comigo agora?” ele me perguntou assustado. “Sua vida vai mudar um bocado. Seus instintos, olfato, paladar, audição vão ficar mais aguçados e as emoções a for da pele.”
Senti-me um pouco culpada por estar feliz com aquela situação. Sempre tinha vivido sozinha e apesar de não desejar a minha vida pra ninguém, era bom saber que agora teria um companheiro. Styles e Scott passaram a tarde do domingo na minha casa. Pesquisamos sobre mordidas de lobisomens e achamos algumas aberrações que me renderam boas gargalhadas. Por último eles me perguntaram por que eu estava procurando os Hale, resolvi não dizer que eles era lobisomens também e contei apenas da minha amizade com Laura. No início da noite eles foram embora, teriam aula no dia seguinte. Scott era meu vizinho então fiz questão de salientar que qualquer dúvida ele poderia me procurar. Ele agradeceu e seguiu para casa enquanto eu ficava imaginando que dia louco eu havia tido.
Sentei no sofá da sala enquanto Bruno assistia ao noticiário e o Guilherme se preparava para o plantão. Olhei para a televisão e entrei em choque; havia uma foto de Laura no canto da tela e a repórter falava sobre o corpo da garota encontrada na reserva: era ela.

House of Wolves

Capítulo 1


“Annie, acorde! Temos que terminar de empacotar as coisas!”
Acordei com o Bruno me chamando na escada. Eram seis da madrugada e ele queria que eu já estivesse de pé, será que ele esquecera que a noite passada havia sido de lua cheia? Levantei, calcei minhas pantufas de lobo (presente do meu primo Guilherme, ele adorava esses trocadilhos) e desci as escadas sem a mínima vontade de terminar a mudança. Eu estava muito empolgada para começar a faculdade, mas não achava justo que o Bruno tivesse que deixar toda vida dele para trás por minha causa. Sempre que eu tocava no assunto ele dizia que a vida dele agora era cuidar de mim, o que não deixa de ser verdade.
Depois que minha mãe morreu morei sozinha com meu pai, mas quando completei treze anos as coisas começaram a mudar. Eu vivia irritada com tudo, quebrando as coisas com muita facilidade e conseguia ouvir coisas que não deveria. Depois da minha primeira lua cheia que acordei no meio do parque da cidade, ele saiu de casa dizendo que tinha uma reunião importante em Washington, me deixou sozinha com o Bruno, que eu mal conhecia na época, e só voltou depois de um mês dizendo que não poderia ficar, tinha sido chamado para um cargo muito elevado da Marinha. Foi assim que eu passei a ter que morar com o primo da minha mãe e foi assim que eu descobri minhas origens.
Minha mãe era um lobisomem e eu herdei isso dela. O Bruno me explicou toda a história, mas eu tive que aprender a lidar com isso praticamente sozinha. Ele era da parte “normal” da família e não sabia me explicar direito o que estava se passando comigo, que tipo de mudanças eu teria que enfrentar. Tive de aprender a controlar meus instintos, as minhas transformações. “A Laura ligou querendo falar com você. Eram umas duas da manhã, ela deixou um recado na secretária.” Fui retirada do meu devaneio pela voz do Bruno. “A Laura?” Laura era uma amiga que eu tinha conhecido no segundo ano do ensino médio. Ela era uma lobisomem como eu e, segundo ela, estava tentando conhecer novos lobos. Nunca fui de fazer amizade, acho que porque sempre me senti diferente (enquanto as outras meninas se preocupavam com garotos, maquiagem e roupas eu tentava me controlar para não sair matando todos) mas a Laura era diferente, ela me entendia. Não fazia idéia do que tivesse feito ela ligar, da ultima vez que nos falamos ela estava voltando para Beacon Hills, a cidade onde nascera, encontrar com seu irmão.
Corri para o telefone e apertei o botão da secretária. Depois do bipe, pude ouvir a voz de Laura, ela parecia aflita “Annie, eu sei que já é tarde, lembrei que você está vindo para Beacon fazer faculdade. Preciso da sua ajuda aqui. Acho que estou sendo seguida, talvez sejam os caçadores que mataram minha família, não sei. Descobri algumas coisas sobre a sua mãe, preciso falar urgente com você.” A gravação havia acabado, mas eu não conseguia me mexer. Laura havia perdido toda a sua família num incêndio nunca explicado, os únicos que haviam sobrevivido eram ela, seu irmão e um tio que agora permanecia inválido em um hospital da cidade. Ela sempre desconfiou de uma família de caçadores de lobisomens que havia passado na região à época do incidente. Será que eles tinham encontrado ela? O que ela teria descoberto sobre a minha mãe?
Peguei o telefone e liguei imediatamente para ela. “Laura, acabei de ouvir sua mensagem. O que você descobriu, tem alguém te seguindo?” eu mal conseguia respirar. “Annie, eu não posso falar por telefone. Quando você vai chegar aqui?” “Estamos terminando de empacotar as coisas. Nosso vôo sai de meio dia.” “Vocês devem chegar à noite, então. Encontre-me na minha casa, você tem o endereço, né?” “Tenho sim.” Disse apenas isso e ela desligou. Eu queria ir agora mesmo correndo para o aeroporto, mas ainda tinha muita coisa para arrumar antes disso.
Quando terminamos de embalar tudo, a campainha tocou. Era o Guilherme, ele tinha acabado a faculdade de medicina há poucos meses atrás e estava indo para Beacon Hills a trabalho. “e então, todos prontos?” ele perguntou. “Vamos colocar isso logo no carro.” O Guilherme era filho do Bruno, mas os dois eram muito diferentes. Enquanto um era todo divertido e brincalhão, o outro era sério e reservado. Acho que isso se devia ao fato do Bruno ter sido um oficial da Marinha e servido na guerra, ele devia ter passado por muita coisa e preferia ficar na dele. O Guilherme morou toda a sua vida com a mãe, mas quando ela resolveu se casar novamente e se mudou com o marido para a Inglaterra ele preferiu ficar em Dallas terminando a faculdade e foi morar com a gente, acho que por essa falta de convivência eles não pareciam pai e filho. Não pareciam mesmo. O Gui tinha nascido quando o Bruno só tinha 17 anos, eles pareciam bem mais irmãos.
Quando chegamos ao aeroporto só deu tempo de engolir o almoço e correr para o avião. Levei um livro e fui a viagem toda lendo e ouvindo música. Chegamos a Beacon Hills já à noite. A casa que o Bruno tinha escolhido parecia um sobrado. Era enorme e rodeada por um jardim encantador. “Hum, muito espaço para a nossa lobinha correr aqui, não é Bruno?” o Guilherme adorava fazer piada comigo, às vezes acho que ele queria ser o lobisomem da família. “Nem pense nisso. Depois do que a Laura falou a senhorita vai passar as noites de lua trancada no porão”. “Mais eu não falei nada!” disse isso e bati no Guilherme. Ele cambaleou e quase caiu numa roseira que tinha na entrada da casa. “Desculpa, não domei a força.” Respondi, rindo da sua cara de espanto.
Saí para a casa da Laura assim que terminamos de colocar as coisas na casa. Ela morava perto de uma reserva florestal um pouco afastada da cidade. Resolvi cortar caminho pela floresta para conhecer o território e me assustei ao ver uma viatura da polícia no meio das árvores. “O que está acontecendo aqui?” perguntei a um garoto que estava encostado na viatura. “Encontraram o corpo de uma mulher no meio da floresta e estão procurando a outra parte.” Disse ele um tanto animado demais. Meu coração congelou. Será que era Laura? Será que os caçadores haviam encontrado ela? “Já está muito escuro, vamos continuar as buscas amanhã.” Falou o homem que parecia ser o xerife. “E a senhorita, quem é?” percebi que ele estava falando comigo e respondi “sou nova na cidade. Estou procurando a casa dos Hale, o senhor sabe dizer onde fica?” ele me olhou espantado e respondeu que ficava um pouco mais a frente, mas que já era tarde e achava melhor me levar para casa, eu disse que não precisava, mas ele insistiu.
Entrei na viatura onde estava o xerife e seu filho, o garoto com quem eu falara há pouco. O nome dele era Styles e estava bisbilhotando a investigação da polícia. Perguntei se ele estava na faculdade, mas ele ainda estava no ensino médio. Teria ficado feliz por conhecer alguém. Quando a viatura parou na minha casa o Bruno veio nervoso, pensando que tivesse acontecido algo. “algum problema, xerife?” ele perguntou olhando para a estrela no uniforme do motorista. “Não senhor, a garota estava procurando pela casa dos Hale, mas como já estava tarde resolvi trazê-la para casa.” O Bruno relaxou um pouco mais e agradeceu a gentileza. Entrei em casa e encontrei o Guilherme apagado no sofá. Passei pela cozinha e comi qualquer coisa antes de subir para o meu quarto; estava exausta, mas demorei a pegar no sono imaginando se a garota encontrada teria sido a Laura.

Nova fanfic em breve! "HOUSE OF WOLVES"


Prólogo


Meu nome é Annie. Annie Archibald. Minha mãe morreu quando eu tinha um ano de idade, a morte dela não foi explicada até agora. Moro em Dallas com um primo dela, o Bruno. Ele é um oficial aposentado da Marinha. Meu pai me deixou sob os cuidados dele quando eu tinha sete anos, o Bruno diz que ele agora trabalha em Washington numa das patentes mais altas da Marinha e por isso que ele nunca tem tempo de vir me ver, mas eu acho que ele foi embora por causa do que eu sou. Tenho 18 anos agora e vou começar a faculdade de Jornalismo na Beacon Hills University, onde minha mãe estudou. Quando estava começando o último ano do ensino médio conheci essa garota, a Laura. Ela era como eu, e nós nos tornamos amigas. Depois de quase um ano recebi uma ligação dela dizendo que precisava da minha ajuda. Estava em Beacon Hills, a cidade onde nascera e algo a estava caçando. Depois dessa ligação, tudo começou.

Permito


Permito que você me proteja com teus braços e abraços apertados e quentes nesses dias de verão que tudo -em mim- é mais frio que o próprio inverno. Permito sim, que você me cale com um beijo desesperado e que me acalme com um afago, cafuné ou coisa assim. Me faça promessas clichês, planos ultrapassados, me queira o tempo necessário pra me fazer não te esquecer. Permito que me conheças como um dia eu quis, como nem eu mesmo me permiti. Desvende meus medos, meus mistérios e segredos. Dai então, saiba tudo de mim, tudo o que eu não tive coragem de saber. Permito a ti, que tenhas tudo de mim, sem pedir tudo de ti em troca. Me veja o tempo que quiser, me use como aquele seu pijama velho e rasgado. Aquele que tem valor eterno pra você. O que tu veste todas as noites antes de dormir e que ao acordar não faz a mínima questão de tirar.

Autor Desconhecido.

Capítulo 20: A cura




Levamos o Damon pra casa. Ele suava muito e delirava, chamando Elena de Katherine. Ela por sua vez não saia um só segundo de perto dele. Deixei os dois no quarto e desci para a sala onde todos estavam discutindo o que fazer. Tyler veio até mim me pedindo desculpas, disse a ele que a culpa não era dele, mas do Giordanno. Lembrei que o crápula estava no porão e desci para interrogá-lo, já não sabia mais o que fazer.
- E então, conseguiu salvar o cachorrinho? – perguntou ele.
- Onde está Klaus? Ele fugiu logo depois do sacrifício, pra onde ele foi? – perguntei sem dar ouvidos aos seus comentários.
- Hum, então o vira-lata foi salvo, mas o sanguessuga corre perigo... É nisso que dá se apaixonar tão fácil Lili! – ele tinha uma risada ferina.
- Eu não quero machucar você, mas se você não colaborar, não terei escolha!
- Eu não me importo! Se quiser pode até me matar! Vou morrer muito feliz em saber que levei um dos seus amados comigo! – ele tinha os olhos vermelhos de ódio.
- Seu psicopata! Você acha mesmo que se o Tyler morresse, eu ficaria com você? – perguntei ultrajada.
- Só você não percebe o quanto é fraca, não é? Desde a época da escola você era assim, vivia inventando amores por se sentir sozinha.
- Eu nunca fui sozinha! Minha família sempre esteve comigo! E como você sabe da minha vida em Hogwarts?
- Seu irmão comentava muito, ele realmente se preocupava com suas paixões platônicas. Não tente se enganar! Quantos e quantos feriados você passou na escola por que seus pais estavam trabalhando e não poderiam lhe dar atenção? E aí era só alguém demonstrar pena por você que já se dizia apaixonada. – ele jogava tudo na minha cara e a cada lágrima de corria ele demonstrava a vitória em seu olhar.
- Isso não é verdade!
- Vai dizer que você não teve inúmeros amores não correspondidos? Se o Tyler tivesse morrido, bastava que eu te consolasse durante poucos minutos para você dizer que me amava! Porque você acha que eu escolhi você? Você sempre foi o ponto fraco da família!
-Cala a boca! – levantei minha varinha pronta para atingi-lo com a maldição da morte, mas algo me deteve. Tyler agora segurava o meu braço, ao vê-lo cai em prantos e ele me segurou. Não posso negar que parte do que o Giordanno falou tinha seu teor de verdade.eu havia mesmo me apaixonado várias vezes e na maioria delas havia sido ignorada, mas com o Tyler era diferente. Nunca sentira aquilo antes, eu não tinha vindo a Mystic Falls com a intenção de me apaixonar, como geralmente acontecia a cada novo ano em Hogwarts, estava ali buscando fugir de todo aquele meu passado, de construir uma nova vida, sem dramas. Conheci o Tyler e não me apaixonei perdidamente, ele me conquistou aos poucos.
- Muito bem, lobinho. Você está no caminho certo, é só consolar mais um pouquinho e pronto, já pode casar. – Giordanno continuava com ar de deboche.
Tyler nada respondeu. Nesse instante dois homens usando longas capas entraram no porão e seguraram cada um em um braço do Giordanno.
- Pra onde vocês estão me levando? Larguem-me! – ele gritava desesperado.
- É melhor ficar quietinho ou vamos trazer os dementadores! – um dos homens falou e depois virou-se para mim – Obrigado senhorita Potter. Nós estamos procurando senhor Heifer a mais de um ano por prática de magia das trevas. Não se preocupe, o levaremos para Askaban e os dementadores cuidarão dele.
- Eu ainda não desisti, vou destruir sua família um por um, vou vingar o Lorde das Trevas! – ele continuou gritando enquanto era arrastado pelos guardas de Askaban.
Subimos logo depois dos bruxos e encontramos todos na sala, ainda sem uma solução para o Damon. Fui ao quarto ver como ele estava e encontrei a porta entreaberta. Damon estava deitado na cama com Elena e eles falavam muito baixo. Alguém bateu no meu ombro e quando me virei vi Katherine segurando um frasco contendo um líquido vermelho. Ela passou por mim e entrou no quarto.
- Klaus não deixa de cumprir sua palavra. – dizendo isso entregou o frasco a Elena.
Elena parecia ter sido pega de surpresa.
- Está tudo bem, você fica com ele e eu com o outro. – disse Katherine.
- Onde está o Stefan? – perguntou Elena.
- Ele não vai voltar. Eu se fosse você tentaria salvar o que lhe restou. – respondeu Katherine, apontando para Damon.
Ela saiu como um vulto pela janela entreaberta. Elena sentou ao lado de Damon na cama e colocou o sangue do híbrido em sua boca. Pouco tempo depois, ele já estava mas corado e sem tantas dores.

Uma semana depois, meu pai e os outros bruxos já haviam voltado para o Ministério e eu havia ficado para terminar o Ensino Médio dos trouxas. A escola estava toda enfeitada para o baile de fim de ano. Cheguei um pouco atrasada porque Rose e Sophie passaram horas para decidir suas roupas. Tyler me esperava na porta da escola, junto com seus dois amigos que seriam os pares das meninas.
- Você está linda! – ele m cumprimentou.
- Obrigada! – demos as mãos e seguimos para dentro do salão. Encontamos Caroline dançando com Matt e logo ao lado, Damon e Elena.
Todo o peso que havia sobre eles uma semana atrás parecia ter sumido, apesar de Elena ainda insistir em procurar por Stefan, nós decidimos que seria melhor não. Ele havia mandado uma carta dizendo que não queria ser visto naquele estado e Damon explicara que, se Klaus o tivesse posto para beber sangue humano não seria uma boa idéia entrar em contato com ele.
A festa foi ótima, todos estavam realmente empolgados. No fim da noite, fomos todos para a pensão e sentamos nos jardins, cada um com seu par, e ficamos em silêncio por um tempo contemplando a noite e pensando em tudo que havia se passado durante aquele curto espaço de tempo. Eu havia feito verdadeiros amigos ali, encontrado o amor e vivido uma das maiores aventuras de toda minha vida. Apesar de ter vindo querendo fugir de quem eu era, descobri que não preciso mudar ou esconder minha identidade para ser feliz.

Capítulo 19: O sacrifício


 

Mal pisei no jardim dos Salvatore, saí correndo para transpor a barreira de feitiços. Quando cheguei do outro lado todos estavam lá planejando o ataque. Parece que Klaus havia pego Elena e eles não conseguiam encontrar o Stefan em lugar nenhum. Giordanno estava no canto ao lado do meu irmão, enquanto andava pensei em fingir que não sabia de nada, mas no momento em que vi seu sorriso em minha direção não pude me conter.
- Seu traidor! Eu devia matar você agora mesmo, verme! Como você pode fazer isso com ele? Você achou mesmo que eu fosse ficar com você que eu não fosse descobrir? – enquanto falava, jogava feitiços aleatórios sobre ele, que eram prontamente bloqueados.
- Lílian, do que você está falando?! – Tiago, que estava ajudando o seu amigo a bloquear meus ataques, parecia assustado com minha reação.
- O Tyler! Ele entregou o Tyler para o Klaus! – pouco depois que eu falei, ele arrancou a varinha da minha mão. – Pai, nós não podemos o deixar sair daqui. Ele fez um acordo com o Klaus de fazer o sacrifício em troca de o Tyler ser o lobo morto.
- Você tem certeza disso, Lílian? – disse meu pai.
- É verdade, tio. Eu e a Lílian estávamos em Hogwarts e vimos uma memória que esse trasgo guardou do Tyler sendo atacado e obrigado a morder o Damon. – respondeu Rose.
- Qual era a idéia, Giordanno?! Você sabia que eu não ia deixar o Damon morrer e iria querer continuar com o sacrifício e, quando eu fosse questionar o Tyler ele enlouqueceria e iria embora, não é? – indaguei, enquanto ele era preso por um feitiço lançado pelo meu irmão.
- E agora, Lílian, como você vai resolver isso? Vai deixar o sanguessuga ou o cachorrinho morrer? – perguntou ele em meio a uma risada maléfica.
- Ninguém vai morrer. Eu vou fazer o sacrifício e exigir que o Klaus libere o Tyler. Enquanto isso você vai ficar aqui, pensando como será sua vidinha em Askaban.
- E quem disse que o Klaus tem um lobo reserva? – perguntou ele cheio de segurança.
- Se ele não for tão estúpido quanto você, ele vai ter.
Giordanno começou a praguejar enquanto o Tiago o levava para o porão da casa. Me voltei para o meu pai e perguntei onde estava o Stefan.
- Não sei, procuramos ele por todos os lugares.
Achei estranho, mas estávamos sem tempo. Klaus já tinha Elena e esperava o bruxo. Segui para a floresta e caminhei por volta de meia hora até chegar à clareira. Ao chegar lá, encontrei Tyler, Elena e Stefan em um canto.
- Ora, mais quem aparece para me visitar nesta noite tão importante! – Klaus estava logo atrás, escondido na escuridão das árvores.
- Não estou aqui para visitas. – respondi – Vim realizar o sacrifício.
- Sabia que isso iria acontecer, aquele bruxinho era muito fraco mesmo. O amor é a maior fraqueza... Então quais são suas condições? – Perguntou ele, se aproximando.
- Libere o Tyler e o Stefan.
- O que a faz pensar que tenho outros para subistituí-los?
- Você não é tão estúpido quanto o bruxinho, se sabia que eu viria, sabia que essas seriam as condições.
- Não vou liberá-los. – no que eu puxei a minha varinha ele levantou as mãos – Vou deixá-los viver, mas só deixarei irem depois da conclusão do sacrifício.
- Está bem – respondi um tanto desconfiada, mas sem escolha. Parecia um acordo justo, ao menos eles não morreriam. Não agora.
- Não se preocupe, é só a garantia de que o serviço será concluído.
Dois homens muito fortes tiraram o Tyler e o Stefan e o levaram para as sombras, e logo depois trouxeram duas mulheres. Uma delas não me era estranha, a vampira. Pouco depois de olhar bem para ela, percebi de quem se tratava.
- Espere! Essa não é...
- Já chega bruxinha! Não vou perder mais tempo com você. Fiz o que você queria, agora comece logo com isso! – Klaus estava a um centímetro de mim.
Dei início ao ritual e, um por um, ele foi matando os “cordeiros” até que chegou a vez da Elena. Meu coração disparou. Tive medo que a porção não funcionasse, Damon nunca iria se perdoar se algo acontecesse à Elena enquanto ela tentava salvar sua vida. Assim que Klaus jogou seu corpo sem vida no chão, as chamas das tochas que circundavam a clareira aumentaram e ele soltou um grito estridente.
Nesse momento, um exército de bruxos circulou a clareira e foram rajadas de feitiços para todos os lados. Eu caí no chão ao lado de Elena, nunca pensei que um feitiço pudesse me deixar tão fraca. Precisava levantar e achar o Tyler. Senti uma mão em meu ombro: era Damon.
- Vá, eu cuido dela. – disse ele.
Corri o mais rápido que pude, usando todas as forças que ainda me restavam até o local onde os dois homens haviam desaparecido com os reféns. Depois de cerca de duzentos metros em meio a escuridão, tropecei no que parecia uma pedra. Olhei para baixo e percebi que havia caído em cima do Tyler. Ele tinha uma cara de sofrimento e me olhava com espanto. Ele sorriu e nesse momento o beijei. Beijei como nunca havia beijado ninguém. Era um beijo de alívio e ao mesmo tempo de desculpas. Levantei e o ajudei a se levantar, o barulho da batalha havia cessado e olhando para os lados percebi que estávamos sozinhos, não havia sinal de Stefan.

Seguimos de volta para a clareira onde Damon segurava o corpo de Elena e a fazia beber um líquido que deveria ser a Resurrectio.
- Por favor, não morra, não vou me perdoar. – ele sussurrava em seu ouvido.
Cambaleei um pouco e o Tyler prontamente me segurou, impedindo que eu caísse.
- Onde está o Klaus? – perguntei ao meu pai.
- Ele conseguiu fugir. – Tiago respondeu decepcionado.
- Droga!
- Elena! Graças a Deus! – gritou Damon – Como você está se sentindo?
Elena não respondeu nada, apenas o abraçou. Ela perguntou pelo Stefan e, na mesma hora o Damon desmaiou em seus braços. Foi aí que eu percebi que Klaus havia sumido sem deixar a cura para Damon e, aparentemente, havia levado Stefan com ele. Tínhamos voltado à estaca zero.

Do jeito que você é

Cansei. E acho que como eu muita gente também tá cansada. De ouvir seus defeitos serem inumerados pelos outros e de não ter suas qualidades reconhecidas. De se sentir só, mesmo em meio a uma multidão. De não tem alguém para amar e de não ouvir que é amado de volta.
Sociedade filha da mãe essa que dita o que é certo e o que é errado, que quer controlar cada passo e movimento seu. Tá na hora de dizer CHEGA!
No Brasil, estimativas indicam que em 2010 cerca de 24 pessoas cometeram suicídio por dia. Você acha que se elas ouvissem que eram amadas, que eram importantes para alguém, que eram perfeitas como eram, acha que elas teriam tirado a própria vida?
Muitas vezes a gente se priva de dizer o quando alguém é importante para nós por achar que aquela pessoa já sabe, mas já pensou se ela não sabe? Se, neste exato momento, ela está pensando em ser mais um em meio a essas 24 pessoas? Pode ser seu melhor amigo,mas você não percebe.
Por isso quero propor uma campanha, para meus leitores e meus amigos. Use o Twitter, o Orkut ou o Facebook pra mandar uma mensagem para aquela pessoa que é especial pra você. escreva para ela "Você é especial para mim, do jeito que você é". Isso não é uma corrente, (detesto correntes) é apenas uma forma de você demonstrar o seu carinho para alguém que pode estar muito precisando dele.

Anna Grant

Capítulo 18: Hogwarts




Desaparatamos de frente aos portões de Hogwarts. Hagrid estava do outro lado a poucos metros do portão, ao nos ver, Canino, que acompanhava seu dono, deu uma guinada e correu em nossa direção.
- Ó Céus! Canino, volte aqui. – Gritava Hagrid, enquanto corria atrás de seu desesperado cão – Quem está aí?
- Hagrid, sou eu, Lílian. Por favor, abra, preciso entrar!
- Lílian! O que você está fazendo aqui, menina? Ah que alegria em revê-la! – Disse ele abrindo rapidamente os portões.
- Obrigada, Hagrid. Na verdade eu não tenho muito tempo. – Disse, passando correndo por ele e sendo seguida por Canino que babava toda a minha mão. Adoraria poder parar e conversar com ele, mas realmente estava sem tempo. Queria muito poder caminhar tranquilamente admirando o jardim que nessa época do ano – estávamos na primavera – era simplesmente adorável.
Corri em disparada para a porta do castelo onde a professora McGonagall, então diretora da escola, me olhava assustada.
- Srta. Potter, onde pensa que está indo nessa correria toda? – perguntou ela com a voz severa.
- Professora, preciso ir ao seu escritório. – respondi, já passando por ela.
- O quê? Pode voltar aqui e me explicar isso direito. – eu já estava ao pé da escada e tive que voltar. Percebi que Rose e Sophie me olhavam com o mesmo espanto da professora, eu havia esquecido completamente de contar o que viera fazer ali.
- Professora, eu não tenho tempo para explicações, preciso da Penseira que está no seu escritório. É um caso de vida ou morte! – eu não sabia bem se era um caso de vida ou morte, mas valia à pena tentar esse argumento.
- E o que faz a Srta. acreditar que terá acesso ao meu escritório sem a minha permissão? – tinha esquecido completamente da gárgula que protegia a porta do escritório com a senha.
- Por favor, me dê a senha! Preciso voltar a Mystic Falls, haverá uma batalha e eu preciso ajudar.
- E que lembrança é essa que você quer tanto ver? – perguntou ela.
- Eu não sei, mas minha intuição me diz que é de extrema importância para a batalha.
- Oh Merlim! Está bem, pode ir, mas depois quero saber da história completa.  – disse ela, apontando o dedo para mim.
- Rose, Sophie, vamos! – disse animada, subindo as escadas.
- Srta. Potter! – A professora McGonagall me chamava novamente.
- O que foi dessa vez, professora? – Perguntei, irritada.
- Não seja insolente, menina! Você esqueceu a senha! – disse ela, subindo as escadas.
- Ah, me perdoe. Qual é mesmo? – ruborizei
- Clarividência.

Passei pela gárgula correndo, subi as escadas e assim que entrei no escritório vi o quadro do professor Dumbledore me olhando admirado.
- Lílian, o que faz aqui? Está tudo bem com o Harry? – perguntou ele.
- Está sim, professor. Preciso usar a penseira.
- O que lhe aflige, minha pequena? – Dumbledore morreu bem antes do meu nascimento, mas ele me conhecia como ninguém.
- Acho que fiz uma besteira, professor. Não sei como concertar.
- Bem, tentar já é um começo. Mas não é só isso.
- Sabe quando você confia em alguém e acaba descobrindo que essa pessoa não merece sua confiança e você tenta mostrar pra todo mundo que tem algo de errado com aquela pessoa, mas ninguém acredita?
- Ah se sei! – respondeu ele, sorrindo.
- É o meu caso agora. Acho que essa lembrança pode me mostrar o caminho.
- Então não perca tempo!
- Mas e se for tarde de mais?
- Nunca é tarde de mais para a verdade, minha querida.
- Obrigada, professor. – sorri para ele e abri o armário onde ficava a penseira. Depositei o líquido do frasco nela e mergulhei minha cabeça no que fui seguida por Rose e Sophie.
Estávamos agora no meio da floresta. Uma sombra vinha caminhando por entre as árvores e, parou abruptamente atrás de uma delas, aparentemente esperando alguém. Havia uma clareira pouco mais a frente de onde partiam luzes que parecia ser de uma casa, a Pensão dos Salvatore. Ao reconhecer o lugar, meu coração saltou no peito. Ficamos ali esperando pelo que pareceram uns 10 minutos, até que outra sombra, vinda da clareira entrou correndo na floresta. Estava muito escuro, mas eu nunca me esqueceria daquele corpo sem camisa, era Tyler. A sombra que estava escondida lançou-lhe um feitiço silencioso que o fez cair desmaiado. Soltei um grito e me aproximei, pude ver quem o imobilizara: Giordanno. O bruxo agarrou o braço de Tyler e aparatou. O cenário mudou completamente, estávamos agora no que me pareceu um celeiro abandonado. Tyler jazia com as mãos amarradas em um tronco.
- Acorde-o! – gritou um homem sentado em uma poltrona logo atrás de mim. Era Klaus.
- Crucio! – Gritou o Giordano com prazer.
Tyler se contorceu todo e abriu os olhos.
- Olá, cachorrinho! Lembra de mim? – perguntou Giordanno aproximando-se dele.
- Giordanno, o que está acontecendo aqui? – perguntou, Tyler, desorientado.
- Meu chefe quer dar uma palavrinha com você. – assim que Giordanno terminou de falar, Klaus levantou-se e seguiu ao encontro de seu súdito.
- Nós precisamos da sua ajuda, Tyler – disse ele – Preciso tirar aquela bruxinha do meu caminho.
- Lílian? – perguntou Tyler – O que você vai fazer com ela? – ele agora se debatia tentando se soltar.
- Por mim mataria, mas o Giordanno parece estar interessado nela, então você vai me ajudar de outra forma. Soube que eles vão me atacar hoje à noite para resgatar a minha doce refém. Preciso que você morda um dos vampiros Salvatore.
- O Damon! – Completou o Giordanno com um olhar sanguinário.
- Por mim tanto faz, mas que seja o Damon. Preciso que você o morda.
- Pra que? – perguntou o Tyler, sem entender.
- Se o Damon for mordido, vou poder ter a Elena de volta e todos viveram felizes e blá blá blá. Não importa pra que, você só precisa mordê-lo.
- Não! Eu não vou fazer isso com ele!
- Você não entendeu, cadelinha. A gente não está pedindo. – Giordanno disse isso e em seguida o Klaus se aproximou mais do Tyler e, olhando fixamente em seus olhos ordenou:
- Você vai morder o Damon. Você está muito triste pelo que ele fez com a Lílian. Ele ficou com ela, disse que a amava, você não pode perdê-la.
- Eu não posso perdê-la. – repetiu, Tyler.
Eles o soltaram, mas assim que ele se viu livre das amarras, esmurrou o Giordanno. Apesar de Klaus ser poderoso, Tyler tinha sangue de lobisomem, o que o fazia mais forte que as outras pessoas e o protegia do ataque mental do vampiro. Ele parecia meio desorientado, era como se parte dele não estivesse decidida a seguir o que fora ordenado. Ele ficou rodando no meio do celeiro e, assim que avistou a porta, correu para ela, estava quase saindo quando um feitiço o atingiu nas costas. Ele caiu. Giordanno apontou sua varinha para o rosto do prisioneiro, murmurando um feitiço.
- Pra que isso? – perguntou Klaus
- Não se preocupe, meu senhor. Estou apenas colocando nele uma lembrança falsa, isso fará com que ele faça o que o senhor pediu.
- Vamos logo com isso. Leve-o para o meio da floresta, depois volte. Creio que os outros não vão tentar resgatar apenas a Elena, deixe que o levem. Quero saber de cada passo que eles derem. – Klaus não o estava hipnotizando. Giordanno havia feito tudo aquilo por vontade própria. Ele seria o bruxo do sacrifício.
- Tudo bem, senhor. Mas lembre-se do nosso trato, o Tyler deve ser usado no sacrifício, é só isso que eu peço. – disse Giordanno e, nesse momento a lembrança se esvaiu.

- Eu não posso acreditar! Aquele filho de um trasgo manco! – Gritava Sophie assim que nós voltamos para o escritório.
- Vejo que a verdade veio à tona. – O professor Dumbledore estava sentado na poltrona de seu quadro nos observando.
- Eu sabia! O Tyler não morderia o Damon. Ele foi forçado! – Rose esbravejava em meio aos xingamentos que Sophie dedicava ao Giordanno.
- Nós precisamos voltar à Mystic Falls imediatamente! Klaus deve estar com o Tyler se preparando para o sacrifício, nós precisamos detê-lo ou toda essa descoberta será em vão. – disse me encaminhando para a porta.
- Lílian – o professor Dumbledore me interrompeu – lembre-se, siga sempre o seu coração, ele nunca escolhe o caminho errado, mesmo que você não ache, ele sempre está ceto.
Eu agradeci suas sábias palavras e desci correndo as escadas da gárgula. A professora McGonagall estava à porta do castelo e me perguntou se eu tinha conseguido o que queria.
- Até mais do que esperava – respondi a ela.
- Não vai me contar o que a trouxe aqui?
- Sinto muito professora, mas agora, realmente, é caso de vida ou morte! – dizendo isso segui correndo para a entrada do castelo e assim que cruzei o portão de ferro aparatei junto com as meninas de volta a Mystic Falls, rezando para que não fosse tarde demais para seguir meu coração.