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House of Wolves


Capítulo 5


No dia seguinte o garoto misterioso sentou ao meu lado e eu criei coragem, mesmo em meio aos batimentos acelerados do meu coração e à falta de ar que me dominava, de me apresentar. Ele virou para mim e sorriu. Disse que seu nome era Rudolph e que ele morava sozinho na cidade. Não sei como consegui falar com tudo que estava sentindo no momento, mas nós conseguimos conversar um bocado antes do professor chegar. Era aula de Antropologia e o professor resolveu fazer a chamada para conhecer melhor os alunos. Ele chamava cada um pelo sobrenome e eu fui a primeira. Quase no final ele chamou por Hunt e Rudolph levantou a mão. Conhecia esse sobrenome de algum lugar, mas não conseguia lembrar de onde. Passei o resto da aula tensa com ele sentado ao meu lado.
Ao fim da aula, Derek me esperava acompanhado de Scott e Styles. Rudolph passou por nós e eu sorri, mas ele não parecia ter visto. Quando olhei de volta para o nosso grupo, Derek me encarava com olhos de fogo, fingi que não tinha visto e resolvi me concentrar na conversa dos meninos. Styles estava todo empolgado com uma festa que iria ter na reserva aquela noite e o Scott também porque seria seu primeiro encontro com Allison. “Acho isso uma péssima idéia. O alfa pode tentar entrar em contado com você e terminar em derramamento de sangue.” O Derek estava completamente revoltado com aquela situação e eu ainda não entendera por que. “Vamos deixar para discutir isso em casa. Alguém pode escutar aqui.” Dizendo isso seguimos para a minha casa. A casa estava vazia. Guilherme no plantão e o Bruno no supermercado. Depois de muito discutirmos, resolvemos ir à festa, Derek era voto vencido. Eu estava com uma sensação boa daquilo tudo depois do que ocorrera hoje na aula.
Às oito em ponto, Styles me esperava na porta de casa, ele seria meu par enquanto Scott levaria Allison. Confesso que não gostei da idéia; Styles era legal, mas um tanto irritante às vezes e parecia querer impressionar os amigos saindo com uma garota da faculdade. Passou quase a festa toda tentando me exibir como troféu. Quando finalmente consegui me livrar dele, ouvi um grito vindo da floresta. Eu conhecia aquela voz e sai correndo, era Derek. Ele estava deitado a 10 metros de onde a festa estava acontecendo e seu braço sangrava. “O que aconteceu?” “Caçadores. Preciso que me tire daqui.” Chamei o Styles para ajudar e levamos ele para o carro. Chegamos em casa e o Guilherme tentou tirar a bala, mas ela havia se liquefeito. “Eu não entendo, nunca vi uma bala assim.” O ferimento não se curava e a cada minuto ia adquirindo uma coloração arroxeada. Era como um veneno. “Wolfsbane! Precisamos saber a espécie para curá-lo.” Bruno teve um insight. “Já vi isso acontecer uma vez, com um tio nosso. Eles colocaram em uma flecha.” “Como salvaram ele?” “Não salvamos. Em 48 horas o veneno atinge o coração e não conseguimos achar o antídoto a tempo.”
Meu coração palpitou. Para Bruno, só havia uma chance de salvar o Derek: entrar na casa dos Argent, encontrar a bala e trazê-la. “Mas se não foram os Argent, se houverem mais caçadores na região?” perguntou o Scott que havia acabado de chegar. “Teremos que arriscar com eles, afinal são os únicos que conhecemos.” “Eu posso tentar encontrar. Allison me convidou para um jantar em sua casa, posso tentar encontrar a bala.” Disse Scott. “Procure nas coisas da tia dela, tenho certeza que foi ela.” Derek estava ficando branco e fraco.
Passei a noite ao lado dele tentando mantê-lo acordado, mas nem foi preciso tanto esforço por que com as dores que ele sentia era um tanto impossível dormir. Lembrei do que ele tinha dito sobre mais um alfa na noite passada e resolvi perguntar de novo quem seria. “ Você é um alfa, Annie.” “Eu? Impossível! Eu nunca matei um alfa pra ser um.” “Não é só matando um alfa que você se torna um. Sua mãe era um alfa e, de acordo com a lenda, ela passa para sua filha mais velha esse legado quando morre. Tanto ela quanto a minha mãe eram alfas.” “Você também é um? Por ser o filho mais velho.” “Não. Seria se meu pai fosse o alfa, mas só passa hereditariamente para filhos do mesmo sexo. A Laura era o alfa-herdeiro.” “Como você tem tanta certeza que eu sou um alfa? Você conheceu minha mãe?” “Na verdade, acho que a conheci, mas sei que você é um alfa porque tem transformação completa. Não sei se você percebeu, mas na outra noite você foi a única que atingiu completa forma de lobo enquanto eu e o Scott tínhamos apenas alguns traços modificados na transformação.” “Ah, entendi. Como você conheceu a minha mãe?” “Prefiro não entrar em detalhes.” Falando isso ele reclamou de uma dor no braço e eu apertei mais o lençol que tentava estancar o veneno o qual continuava subindo em direção ao seu coração.
O dia seguinte foi cheio de tensão. Todos estavam ansiosos pela noite e o Scott mais ainda por ter a responsabilidade de encontrar a cura para Derek. Ele passou em minha casa antes de ir à casa dos Argent, tremendo de medo, mas assim que ele viu o estado do Derek, mudou de humor. Derek estava deitado em minha cama e, depois de 24 horas da ação do acônito em seu corpo, cada veia que saia do ferimento em direção ao coração estava sobressalente e de cor roxa ou esverdeada. O veneno estava seguindo e assim que atingisse seu coração, ele morreria.
Depois do que me pareceu uma hora meu celular tocou, era uma mensagem do Scott. Ele havia enviado uma foto com uma pequena caixa de madeira onde havia uma espécie de planta desenhada em prata. Ao ver aquele símbolo, lembrei automaticamente das fotos que encontrei assim que o Bruno me contou sobre a história dos lobisomens. Aquela era a imagem do acônito azul, uma wolfsbane poderosa que tinha o poder de matar lentamente um lobisomem. Liguei para o Scott, mas a ligação ia para a caixa de mensagem. Será que ele havia sido descoberto?
Tentei contatá-lo mais três vezes e então resolvi procurá-lo. Peguei o casaco e desci correndo a escada. Ao abrira porta, encontrei ele ofegante a minha espera. “Scott! Pensei que havia sido descoberto.” “Quase... Allison... história...” ele ofegava entre uma palavra e outra. “A caixa, seja o que for que estava dentro dela, é o eu nós precisamos.” “Aqui.” Ele respondeu tirando do bolso uma bala comprida. Tomei a bala de sua mão e subi correndo. Styles, que havia ficado para cuidar do Derek, estava com um facão sobre seu braço, prestes a cortá-lo. “O que porra é isso, Styles?” “Foi ele que mandou. Disse que não ia dar tempo.” “Já deu!” respondi mostrando a bala. Abri a cápsula e lá estava um pó azul. Despejei sobre a minha escrivaninha e pedi para o Derek ficar de pé. Peguei o isqueiro e queimei a substância e depois coloquei no ferimento e mantive pressionando com o dedo bem fundo na ferida. Ele gritava de dor e se debatia, mas pouco tempo depois as veias foram desaparecendo e Derek assumia sua cor normal. Estava curado.

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