Não contei cada segundo, minuto, hora ou dia desde que te conheci, mas sei que foram poucos. Tenho que buscar fundo na memória seu rosto, sua voz, seu jeito, tão longo é o tempo desde que nos vimos pela última vez. Me arrependo, hoje, por não ter aproveitado mais nossos encontros, por não ter olhado pra você por mais tempo. Talvez se o tivesse, lembrasse mais vividamente o arrepio que sentia cada vez que seus negros olhos encontravam os meus. Por timidez, burrice e estupidez me reservei a desviar o olhar durante nossas esparsas conversas, tentando evitar que pudesse ver em meus olhos o que tanto tentei esconder de todas as outras pessoas, tentando evitar que os outros vissem em meu sorriso ao te olhar o que meu coração gritava a cada forte pulsar em meu peito.
Tentei esquecer, fingir que nada estava acontecendo, mas acontece que a cada conversa fui percebendo o quanto temos em comum, o quanto somos parecidos. Isso me assusta, não é que eu te ame, sei que amor não surge assim, mas estou gostando de você de uma forma como não consegui gostar de ninguém.
Te encontrei onde nunca pensei encontrar. Te conheci e percebi que nunca conheci alguém como você.
Anna Grant.
17/03/2013



