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Maturidade

Dizem que as coisas acontecem na sua vida quando você está preparada para que elas aconteçam... Talvez isso seja verdade. Eu tentei por inúmeras vezes te esquecer, partir pra outra e até consegui, confesso, por um curto espaço de tempo. Percebi que não daria certo entre a gente e agora sei o motivo. Eu era muito infantil e carente. Precisava de você de um jeito que você não poderia ser, não é da sua natureza, e agora sei, ser atencioso e constantemente presente como eu queria. Você não é carinhoso e cheio de dedos para tratar com os outros, do contrário, é reservado e raramente se dispõe a manifestar seus desejos e seus pensamentos. Eu queria e precisava de alguém que pudesse fazer isso; queria um romance de conto de fadas e você nunca foi um príncipe. Agora eu sei o que estava me faltando naquela época, era maturidade.
Acho que eu consegui adquirir durante esse tempo que não pensei em você, que desviei minhas atenções para mim, que cuidei de mim, como todos diziam que eu deveria fazer. Mesmo machucando saber que não pude te ter, suportei e superei, pelo menos nos últimos meses. Me mantive distante, evitando qualquer tipo de contato até que foi inevitável.
Conversar com você agora e até mesmo te olhar já não é mais tão difícil. Deixou de ser uma razão para expectativas e coração disparado para se tornar um ato normal. Mas mesmo assim, mesmo não ficando mais tão nervosa em sua presença, eu sei que aquele sentimento de tempos atrás ainda não morreu, eu só aprendi a lidar com ele de forma adulta, de forma madura.

Amor de verão

A brisa do mar no verão trouxe mais do que paz ao meu coração. Quando o que menos esperava fosse encontrar uma paixão, você surgiu. Me tirou o foco, a determinação. Jogou meus planos pelo ralo e nem se preocupou em me perguntar se podia. Ao simples olhar, me roubou a respiração e tudo o mais que tinha naquele momento. Queria seguir, mas os laços que nos prendiam eram mais fortes e poderosos do que meu desejo de continuar na caminhada. Você me tirou o chão, me roubou a linha, me frustrou os pensamentos. E agora me deixou. Sem rumo, sem forças. Sigo na esperança de um dia te encontrar novamente e em seus negros olhos ver que tudo isso não foi em vão. Que o que eu senti, você sentiu. Voltar aqui dói, mas é preciso. Olhar essa paisagem e não te ter ao meu lado é insuportável. Fizemos promessas, rasgamos convenções, sonhamos com um futuro só para nós, feito à mão. Mas no fim, chegou o outono e percebemos que tudo aquilo foi puro amor de verão.

Vai Passar

Tá tudo bagunçado. Roupas pelo chão, sapatos sobre a cama, janelas abertas e o som do vento a sacudir a cortina. Tá tudo bagunçado. A porta está aberta, mas ninguém quer entrar, as vozes que um dia me diziam que tudo ficaria bem se calaram. O som dos pássaros ecoa em seu lugar. Queria poder dizer que está tudo bem, que depois de tanta pancada, decepções já não me afetam mais. Estaria mentindo. O coração dói a cada pulsar por lembar como era ao te encontrar. Paredes me prendem como em um cárcere eterno onde tudo que vejo se perde na memória do seu olhar. Cansei de chorar feridas que não saram, pois a cada nova cura tem alguém a espreita para perturbá-la. Tá tudo bagunçado e está doendo, mas não vou dizer que vai passar. Isso só o tempo dirá.

House of Wolves


Capítulo 9



O telefone estava tocando sem parar em cima da cama. O rapaz alto de corpo bronzeado saiu do banheiro com a toalha enrolada na cintura para atender. “Alô?” disse ele com a voz grossa. “Rudolph, onde você estava? Fiquei preocupado por não ter atendido logo.” “Mestre, é o senhor?” “Sim, Rudolph, sou eu. Acabo de saber sobre os acontecimentos aí e não estou nada feliz.” “Senhor, eu estou fazendo o que posso.” “Não me parece o suficiente. Espero que você não falhe comigo.” O homem do outro lado da linha parecia enfurecido. “Mestre, a garota é difícil, não consigo me aproximar mais para dar continuidade ao plano.” Rudolph estava nervoso. Ele aparentava respeitar muito o Mestre. “De qualquer forma estou indo para Beacon Hills. Devo chegar amanhã ou depois. Sinto que as dificuldades vão aumentar e talvez você não consiga lidar com elas sozinho. Só espero que até lá você não faça nenhuma besteira!” “Não se preocupe mestre, vou manter o plano até que o senhor chegue.”
Antes que o Rudolph pudesse dizer alguma coisa, o Mestre já havia desligado.

Já havia perdido a noção do tempo que passara trancada em meu quarto. Ao ver o meu pai, ali, parado na minha frente, não senti nada além de surpresa. Sei que ele é o meu pai, que eu deveria ter ficado feliz em vê-lo, mas ele não significava nada pra mim. Fugira na primeira adversidade por que passei e, tirando o dinheiro que mandava todo mês, não me mandou notícias desde então.
O Guilherme estava claramente furioso com a chegada do meu pai e continuou a discutir com ele até que o Bruno chegou e acalmou os ânimos. Me despedi do Derek e subi para o meu quarto; apesar de ter muitas perguntas a fazer à nossa visita inesperada, não estava a fim de fazê-las agora. Depois de olhar o relógio e constatar que já eram quase oito da noite, tomei um banho rápido e desci para comer algo.
O Guilherme tinha saído para o plantão e o Bruno conversava na mesa da cozinha com o meu pai. “Annie, você mal falou com o seu pai.” O Bruno mudou de assunto assim que me viu. Olhei para o meu pai com indiferença e o cumprimentei: “Olá, Ethan. Como vai?” Ele me olhava encantado, como se eu fosse algum tipo de criatura de outro mundo. “Annie, senti tanto a sua falta!” Ele se levantou e veio em minha direção para me abraçar, mas eu me esquivei. “Não foi o que pareceu. Você passou quatro anos para vir me ver, acho que não fiz tanta falta assim.”
Ele imediatamente tirou o sorriso do rosto e colocou um olhar triste. “Porque demorou tanto? Porque vir só agora?” “É complicado, mas eu prometo que vou lhe explicar tudo se você me der uma chance.” Não respondi, me detive a olhá-lo com indiferença e seguir em direção à geladeira.
Me abaixei para pegar o pote de geléia e senti um aperto em meu braço. Por instinto, levantei e me desvencilhei do meu pai que me segurava com força e tinha o olhar fixo em meu pescoço. “O que é isso? Onde você conseguiu?” ele perguntou, rodando na mão o pingente do meu colar. “Achei em um diário que a mamãe deixou pra mim... ei!” Antes que eu pudesse impedir ele já o havia arrancado  e segurava próximo ao rosto. “Quem você pensa que é para invadir a minha casa e quebrar o colar que era da minha mãe?” A fúria em mim era tanta que o Bruno, percebendo que eu não ia me controlar sozinha, me segurou para que eu não avançasse no Ethan.
“Isso não é da sua mãe. Não pode ser! Desde quando você está usando esse colar, Annie?” Ele correu para uma pequena maleta de madeira revestida em couro que estava ao seu lado na mesa e começou a procurar algo entre frascos que haviam lá dentro. “Encontrei ontem à noite no diário daminha mã que o Bruno me deu. Estou com ele desde então. Pra que você quer saber?” Eu estava preocupada agora, se o colar não era da minha mãe, então de quem seria? Ethan não respondeu a minha pergunta e, ao invés disso, passou a folhear um grande livro de aspecto desgastado e capa dura que estava em sua mala.
“O que você está fazendo?” Ele continuou a me ignorar e colocou o colar em um frasco com o que pareceu ser uma folha e algumas gotas de uma solução que ele havia posto. Abriu o livro e agora começou a falar o que parecia um encantamento. “Ei, será que você pode me explicar o que está acontecendo aqui?” Eu estava a ponto de quebrar tudo se ele não me desse atenção. “Annie, espere. Deixe seu pai terminar.” O Bruno veio em defesa dele e segurou meu braço mais uma vez. “terminar o quê?” No momento que eu terminei de falar, uma chama preta irrompeu de dentro do frasco onde estava o meu colar e o transformou em pó.
Nem mesmo o aperto forte que o Bruno deu em meu braço conseguiu me segurar naquele momento. Pulei em cima do meu pai o derrubando no chão. Meus olhos estavam verdes e como de lobos e a fúria que subia em mim era impossível de controlar. Estava a ponto de morder seu pescoço quando a campainha da casa tocou e me trouxe de volta à realidade, respirei fundo e consegui me controlar. Rudolph estava à porta e viera para estudar comigo, já tinha até me esquecido que marcara com ele. Apesar de querer muito ficar perto dele, disse que estava muito cansada e o despachei; tinha assuntos mais importantes para tratar neste momento.
“Agora o senhor vai me explicar o que aconteceu aqui.” Eu me voltei para Ethan na hora que a porta da frente se fechou. “Annie, não há tempo. Você precisa sair daqui. Agora!” Já não estava entendendo mais nada. “Sair? Da minha casa?” “Annie, você leu o diário da sua mãe, não foi?” fiz um movimento afirmativo com a cabeça e ele virou imediatamente para o Bruno “Como você conseguiu o diário?”. Meu protetor parecia atordoado com tudo que havia acontecido ali “Caroline me enviou poucos dias antes de morrer”, respondeu Bruno. Ethan começou a praguejar “Havia alguma carta junto com o caderno?” “sim, dizia que eu deveria entregar à Annie quando ela soubesse de toda a verdade, assim ela iria entender e perdoar a mãe.” Depois que o Bruno respondeu, Ethan voltou-se novamente para mim.
“A pessoa de quem ela fala no diário, o cara que nos perseguiu por anos e que provavelmente enviou o diário para o Bruno, foi ele quem fez esse colar. O que eu acabo de destruir é uma espécie de localizador. Ele procura por você há anos e agora que você usou o colar, já sabe onde você está, precisamos te tirar daqui.” “Eu não vou largar tudo por causa de um louco! Li o diário e vi o quanto minha mãe sofria ao viver fugindo, não quero ter o mesmo destino. Não vou jogar tudo pro alto, faculdade, amigos, por que um idiota está atrás de mim.” “Filha, eu entendo o seu sentimento, mas ele é perigoso. Eu e sua mãe não fugíamos dele porque achávamos legal.”
Ele só podia estar brincando, né? Eu não iria mesmo sair pelo mundo fugindo com um cara que se diz meu pai, mas que na primeira oportunidade que teve me deixou sozinha quando mais precisava de apoio. Rebati todos os argumentos dele e, pouco depois do início da nossa conversa, o Guilherme chegou e ajudou a mim e ao Bruno (que também era contra a idéia de fugir) a fazer meu pai desistir dessa loucura.
O Derek veio mais tarde para saber se estava tudo bem e eu contei a ele tudo que havia acontecido, ele então teve uma das idéias mais absurdas que eu já vi: me convidou para morar com ele.

Epitáfio

Já ouviu falar naquela velha história de "só dá valor quando perde"? Pois é, hoje eu comecei a acreditar... O tempo passa rápido demais, essa é a mais pura verdade, e quando você menos espera aqueles 15 minutos de insegurança ou a meia hora de covardia te custam caro. Não estou aqui pregando a inconsequência e a irresponsabilidade, afinal, tudo tem q ser pensado e pesado antes de se tornar ação, mas pensar demais atrapalha. E muito.
Olhar pra trás e ter que dizer "se" é horrível. Dá uma sensação de "abestalhamento" completo. A sensação de deixar passar oportunidades é frustrante, o saber que poderia ter feito diferente e que, se tivesse, agora tudo estaria melhor, é mortificante.
Quer sair, saia. Quer curtir, curta. Quer arriscar, arrisque. Chega de ouvir conselhos de gente que está mais pra trás do que você. Quem tá vivendo é você e só você sabe, melhor do que qualquer um, o que está arriscando e o quanto vale aquele passo.
Viva com responsabilidade, mas viva intensamente. As lembranças serão suas e de mais ninguém assim como as decepções e lágrimas derramadas. Corra atrás do que deseja, afinal ninguém merece ouvir "epitáfio" e sentir o coração doer a cada verso por ver sua história cantada.

Anna Grant.

House of Wolves



Capítulo 8


As últimas páginas do caderno que Bruno me dera estavam em branco, mas na penúltima havia um envelope colado. Abri e dentro dele havia um colar com dois pingentes, um em cada extremidade. Cada um trazia uma inscrição desgastada pelo tempo e na parte interna da aba do envelope havia uma inscrição: “Para: Annie.”
Tirei o colar e fiquei observando por um tempo. Resolvi colocá-lo em meu pescoço para depois perguntar o seu significado ao Bruno ou, quem sabe, achá-lo durante a leitura do caderno. Continuei a folhear, mas não havia nada de importante. Percebi que meus pais haviam viajado por todo o mundo fugindo de um alguém que minha mãe denominava “Ele.” Procurei por uma data próxima ao meu nascimento e percebi que um ano antes de eu nascer eles começaram a morar em Los Angeles. Segundo a minha mãe, a nossa vizinha, senhora Cattermore, havia protegido eles.
A senhora Cattermore morrera um ano depois do meu nascimento em circunstâncias suspeitas. Foi aí que me pai me levou para Dallas e que minha mãe resolveu se afastar de nós. Essa era a última página escrita do caderno.
Tentei organizar as idéias para entender melhor o porquê de a minha mãe ter nos deixado, mas depois de passar a noite lendo e relendo aquelas linhas desgastadas, desisti. Ela não havia explicado nada, apenas relatado o que ocorrera depois de conhecer o meu pai. Não conseguia entender o motivo de ela ter deixado aquele diário para mim, eu não conseguia entender a sua mensagem. Sim, havia alguém perseguindo eles e eles rodaram o mundo fugindo dessa pessoa, mas porque Ele os perseguia? Porque eles tinham tanto medo? O que a minha mãe tinha que Ele tanto queria?
Minha cabeça já estava latejando de tanto me forçar a entender aquele labirinto. Olhei para o relógio e já eram duas da manhã. Resolvi dormir, afinal no dia seguinte teria prova e não havia estudado nada ainda. Tive sonhos perturbados em que uma coisa me perseguia no meio da floresta e quando ela conseguiu me alcançar, acordei assustada.
Cheguei na sala de aula e encontrei a Nick revisando a matéria com o Matt. Ela nos apresentou e me convidou para estudar com eles. Olhei em volta e percebi que o Rudolph não havia chegado ainda. Li rapidamente minhas anotações, agradecendo pelos meus poderes de lobo que me permitiam assimilar facilmente a matéria. Apesar de lembrar bastante do que havia lido, na hora da prova não fui muito bem porque não consegui me concentrar pensando na noite passada.
Terminei a prova e saí da sala apressada. Tentei acompanhar o Rudolph que havia saído pouco antes de mim, mas assim que abri a porta ele já estava fora de vista. Desisti de encontrá-lo porque queria chegar logo em casa para perguntar ao Bruno sobre o colar que achara no diário da minha mãe. Peguei o caminho de casa e, enquanto passava próximo à entrada da reserva ouvi um barulho estranho vindo do meio das árvores.
Entrei na floresta e segui caminhando pela trilha, até que ouvi passos atrás de mim. Quando me virei algo me derrubou e pressionou meu corpo contra o chão. Antes que eu pudesse gritar ou tentar me desvencilhar, ouvi um rosnado a minha frente. Derek pulou sobre a criatura que me atacara e, acuada, ela fugiu por entre as árvores. “Você está bem?” Ele estava voltando à sua forma normal e só agora eu realmente havia notado uma diferença entre nós. No dia que eu o atacara estava com tanta raiva que não percebera que ele, diferente de mim, ao se transformar, não adquiria forma completa de lobo. “Estou.” Respondi enquanto ele me ajudava a levantar, mas permaneci olhando-o fixamente. “Algum problema, Annie?” “Não, nenhum. Está tudo bem.”
Apesar da minha insistência em dizer que eu podia voltar só para casa, ele me acompanhou até a porta sempre perguntando como eu estava. Abriu a porta pra mim e eu me assustei ao ouvir gritos de discussão na cozinha. Corri para lá, seguida de perto pelo Derek. Ao chegar encontrei o Guilherme aos brados discutindo com meu pai.

Desabafo

Estou cansada e sei que vocês também estão. De abrir essa página e só ver fics inacabadas e reclamações da minha vida, mas fazer o quê, né? Aí vai mais uma: Porque tudo é tão complicado? Você quer alguma coisa e, para "não fazer papel de bobo" e correr atrás, resolve ficar nessa sua cadeira, olhando pra tela do pc, lendo esse blogzinho mais ou menos esperando que tudo caia do céu. Levanta e CORRE ATRÁS!!!!
Vish, revoltei... rsrsrs. Mas é sério! Tenho visto tantos (e eu me incluo nesses "tantos") que simplesmente olham pra sua vida, dizem que tá uma merda, sabem o que está faltando e não fazem nada pra conseguir. Alô, galera, nada cai do céu!

Mas não vou ficar aqui só brigando com vocês, afinal eu sei que muitas vezes as coisas não dependem só de nós (no meu caso é assim). E também não vou vir aqui escrever post de autoajuda mandando vocês nunca desistirem. Desistam sim! Se já tentou, se já correu atrás, se já demonstrou seu desejo, se já "fizeram papel de boba" e não teve resposta, desista! Respire fundo e bola pra frente! E não chore! Se não deu certo, se ele (não adianta disfarçar, vocês sabem que o ponto chave é "ele") não percebeu,ou esnobou, ele não te merece e muito menos merece seu rímel borrado, colega!

Detesto conselhos e frases feitas, mas... no futuro, quando você olhar pra trás e lembrar de tudo que aconteceu, do jeito que você o olhava e ele simplesmente não dava a mínima, das horas gastas na internet tentando puxar assunto com ele enquanto o lesado fazia pouco caso, dos dias que você esperava ansiosamente pra que ele viesse falar com você e ele nem te olhava,quando  lembrar de todas as vezes que chegou em casa se sentindo menor e mais insignificante que uma formiga e correu pra ouvir aquelas músicas bem "animadas" de Backstreet Boys e Ed Sheeran, você vai rir. Confie em mim, vai gargalhar! E vai também olhar pro seu lado, encontrar o seu príncipe ao volante te levando pra casa depois de um jantar romântico e vai entender... vai entender que você teve que passar por tudo aquilo, vai entender porque não deu certo com aquele idiota.



Anna Grant

House of Wolves

Capítulo 7



Não consegui dormir o resto da noite. Talvez porque passei o dia deitada, mas acho que foi pela visita inesperada do Rudolph. Quando eu penso que está tudo caminhando para mais um fracasso, ele aparece na minha casa todo preocupado comigo. Acordei no dia seguinte revigorada. Não havia esquecido todas as mentiras em que minha vida tinha se baseado até aquele momento, mas a idéia de um imprinting correspondido me animava bastante.
Cheguei na sala de aula e a Nick foi me enchendo de perguntas e reclamações por não ter atendido seus telefonemas. Tentei explicar, mas ela ficava repetindo que isso não era coisa que se fizesse com uma amiga, então desisti de discutir e fiquei fingindo ouvir o que ela dizia até que um perfume completamente inebriante inundou minhas narinas. Virei repentinamente para a frente e Rudolph estava prestes a abrir a porta. Ele entrou na sala e eu sorri pra ele, ao que ele nem me notou. Sentou na primeira carteira da minha fila e ficou imóvel olhando para o quadro. Meu sorriso esvaiu-se e o professor iniciou a aula.
Definitivamente eu nunca iria entender os homens. Um dia ele chega na minha casa todo preocupado comigo porque faltei aula, no outro nem sequer olha na minha cara. Aquilo era muito mais difícil do que me acostumar com um imprinting em que via todos os sinais de perda. Era como se ele brincasse de ioiô com o meu coração. A aula terminou e eu saí da sala chateada pela possibilidade de falsas esperanças. Nick havia me perdoado pelos telefonemas e já estávamos conversando normalmente.
Sentamos no refeitório e ela começou a contar do garoto novo que tinha chegado no dia anterior na nossa sala. Ele sentou lá atrás então eu nem havia reparado nele hoje, mas a Nick não perdeu um segundo. O nome dele era Mathew Collins e tinha acabado de chegar do Kansas onde morava. Ela conversara com ele ontem e era isso que estava tentando me contar o dia inteiro com seus telefonemas. Depois que ela contou sobre ele e como ele era bonito, voltamos para o assunto Rudolph.
“Me assustei ontem quando estava conversando com o Matt e ele apareceu perguntando por você. Tá rolando um clima?” ela perguntou com aquele olhar de investigadora. “Que clima? A gente mal se fala, se é que você não percebeu.” Falei um pouco irritada e ela notou. “Nossa, calma! Só fiz uma pergunta.” “Desculpa, ando um pouco estressada com alguns problemas de família.” “Algo que queira dividir?” Eu adoraria compartilhar com alguém de fora toda aquela loucura que era a minha vida, especialmente com a Nick que era uma verdadeira amiga, mas eu não podia. Não podia simplesmente dizer a ela que a minha mãe lobisomem havia me abandonado, que todos diziam que ela estava morta quando ela não estava e que ela havia feito tudo aquilo para me proteger sabe-se lá de quê. Mas ao invés de dizer tudo isso, respondi apenas que não queria falar sobre o assunto.

Estava estudando no meu quarto quando o Bruno bateu na minha porta. Trazia um caderno de aparência desgastada. “O que é isso?” perguntei apontando para o objeto em sua mão. “Isso é algo que sua mãe deixou para você.” Dizendo isso ele me entregou o caderno. “Espero que você leia e entenda o que a levou a deixá-la.” Peguei o caderno e o abri. Era um diário onde, aparentemente, minha mãe havia escrito cada parte importante da sua vida. Folheei e percebi que ela não havia escrito todos os dias. Cada página ocupada tinha um mês ou um ano diferente da anterior. Bruno saiu do quarto dizendo que iria me dar um pouco de privacidade. Olhei mais uma vez para o diário sem saber o que fazer. Parte de mim queria lê-lo capa a capa para descobrir os mistérios que envolviam a minha mãe, mas outra parte queria voltar à época em que eu só sabia que ela tinha morrido. Abri em uma página aleatória e comecei a ler:

13 de maio de 1991
Ethan e eu estamos partindo para a França. Ele está atrás de nós e parece ter descoberto da nossa localização. Enquanto organizava minhas coisas, comecei a pensar se valia mesmo à pena viver fugindo daquele jeito. Talvez se eu não tivesse conhecido o Ethan e me apaixonado por ele, nada disso estaria acontecendo. Não gosto de pensar nisso. Não quero colocar a culpa de toda essa confusão num sentimento tão puro e sublime que é o nosso amor.


15 de junho de 1991
Estou cansada de fugir, mas sei que não posso parar. Ele não vai desistir. Ethan tenta me passar força dizendo que um dia ainda vamos conseguir viver em paz, mas acho que nem ele acredita mesmo nisso. Já rodamos o mundo inteiro e não conseguimos parar em um só lugar por mais de uma semana. Eu sei que Ele vai nos caçar até a morte e às vezes da vontade de dar a Ele o que tanto quer. Não me importo se morrerei no processo, mas pelo menos isso faria o Ethan viver em paz.


Quanto mais eu lia, menos eu entendia. Meus pais haviam passado sua vida inteira fugindo de alguém. Alguém que eu não saia nem o nome e que, pelo visto, era a mesma pessoa que matara ela. Mas porquê? O que a minha mãe tinha de tão especial para fazer um cara rodar o mundo atrás dela?