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Capítulo 7: Sangue


Tentei gritar, mas minha voz não saia. Estava em choque com o que via. Damon tinha um olhar perdido e suplicante, se eu não fizesse algo ele morreria. Corri rapidamente para o seu lado, segurei-o, mas não conseguia pensar em nada que pudesse salvá-lo. De repente tive um lampejo. Olhei para os lados e encontrei um pedaço da cadeira que estava quebrada logo atrás de mim. Eu sabia exatamente o que deveria fazer.

Tyler entrara completamente transtornado em casa. Não podia acreditar que aquilo acontecera. Ele matara uma pessoa, o que o tio havia lhe dito iria se cumprir. Onde estaria ele agora? Tyler sabia que seu tio não era de se prender muito tempo em um lugar, mas ele havia prometido ensiná-lo como lhe dar com as conseqüências caso aquilo ocorresse. Bateu à porta do quarto de Mason e não obtendo resposta, entrou. O quarto estava vazio, as roupas ainda no armário, mas nem sinal de seu tio. Tyler não conseguia suportar, estava apavorado com a situação. Ajoelhou-se ao pé da cama e começou a chorar copiosamente. Se tudo que seu tio havia lhe dito acontecesse mesmo ele estaria perdido. Enfrentar tudo aquilo sozinho, toda a transformação sem ter apoio seria insuportável.

Passei o pedaço de madeira em forma de estaca sobre o meu pulso e senti o material perfurar minha pele deixando um risco de sangue que agora saia do ferimento.
- Damon beba! Por favor, beba! – Disse passando o braço pela boca dele.
- Não – Disse ele num sussurro.
- Você precisa!
Naquele momento a sede falou mais alto e ele começou a tomar o meu sangue. Não doía, chegava a ser prazeroso saber que estava salvando a sua vida. Chegou um ponto em que ele perdeu o controle e me empurrou. Suas feições estavam muito parecidas com o dia que nos conhecemos. Eu estava começando a ficar com medo e tentei me afastar, mas ele pulou em cima de mim e cravou suas presas em meu pescoço. Tentei lutar, mas ele era mais forte que eu. Estava sentindo a vida esvair-se de mim quando aconteceu.
- Estupefaça! – Alguém gritou da porta da Pensão e o Damon foi jogado contra a parede.
O vulto correu em minha direção e quando ele chegou ao meu lado pude reconhecê-lo. Giordanno olhava para mim com uma expressão preocupada. Não podia acreditar que ele fosse um bruxo. Mesmo ainda estando fraca pela quantidade de sangue que dei ao Damon, me levantei rapidamente e olhei assustada para ele.
- Quem mais está aqui? – Perguntei.
- Só eu, você esse seu amiguinho vampiro. – Ele respondeu sem entender o motivo da minha pergunta.
- Não não não! Não pode ser! Você é um bruxo?!
- Como você sabe? – Ele perguntou mais assustado do que eu.
- Foi ele não foi? Foi o meu pai que te mandou para me vigiar né? Eu sabia! Ele nunca vai acreditar que eu consigo me virar sozinha e agora mandou um espião! – Estava muito irritada com aquela situação.
- Do que você está falando? Eu não tenho nada a ver com o seu pai... – Ele parecia não estar mesmo entendendo o que eu queria dizer com aquilo.
Damon levantou-se e se colocou ao meu lado.
- Lílian, você está bem? Me desculpe eu perdi o controle. – Disse ele levantando uma mecha do meu cabelo e verificando o ferimento que deixara em meu pescoço.
- Fique longe dela seu maníaco! Você pode hipnotizá-la, mas a mim não. Eu sei muito bem o que você é e não vou hesitar em acabar com você. – Giordanno falou isso com a varinha em punho apontada para o Damon.
- Não me venha com essa, você sabe muito bem que ele não pode me hipnotizar! – Disse me pondo entre a varinha dele e Damon.
- Não pode? Como assim? – Ele parecia realmente não saber que eu era uma bruxa.
- Eu também sou uma bruxa. O senhor Harry Potter não te contou isso antes de mandar você servir de guarda para a filhinha dele?
- Harry Potter? Você é filha de Harry Potter? – Ele disse isso baixando a varinha.
- Não foi o meu pai que te mandou aqui? – Indaguei, agora sem entender mais nada.
- Claro que não! Eu vim da Itália. Estou tentando ter uma vida normal entre os trouxas, mas parece que não está dando muito certo: a primeira cidade que eu paro venho morar com dois vampiros e uma bruxa! – disse ele.
- Se você sabia que eu era um vampiro, porque aceitou morar aqui? – Perguntou Damon confuso.
- Fiquei preocupado com a Lílian, imaginei que ela estivesse sendo compelida a ficar aqui com vocês e não podia permitir isso. – Respondeu Giordanno.
Stefan entrou na sala e se deparou com todo aquele estrago. Viu a mancha de sangue em minha blusa e correu em direção a Damon.
- Seu psicopata! O que você fez agora? – indagou ele pressionando o irmão contra a parede.
- Dessa vez nada. A sua ex namoradinha apareceu para se vingar do que eu fiz com o cachorrinho dela e quase me matou. – Damon respondeu como sempre num tom irônico.
- Você mordeu a Lílian! – Stefan pegou a estaca que eu havia usado para me cortar e cravou no abdômen do irmão.
- Stefan pare! Eu dei meu sangue ao Damon. Ele estava quase morrendo, não foi culpa dele. – Disse.
Depois que o Stefan se acalmou mais, contei a ele o que tinha acontecido. Enquanto eu falava o Damon e o Giordanno, um em cada canto da sala, se encaravam. Quando terminei de explicar tudo ao Stefan, ele levantou e começou a andar pela sala. Ele parecia está distante dali, preocupado com algo.
- Stefan, você não pode me culpar pelo que eu fiz... estava tentando salvar o Damon – Disse tentando trazê-lo de volta dos seus pensamentos.
- Ela sabe de tudo. – Ele disse olhando para mim.
- De tudo o quê? – Temi a resposta.
- Sabe que sou um vampiro. Descobriu hoje. Depois que os outros saíram ela estava lendo o diário de John Gilbert e ele me citava como uma criatura abominável que havia matado sua família inteira. Ela nunca vai me perdoar, eu nunca deveria ter voltado. – Enquanto ele falava, seus olhos se enchiam d’água.
- Stefan você não tem culpa de ser como é! Não deveria sofrer tanto assim, se a Elena gosta mesmo de você ela vai entender. – Respondi passando a mão pelo seu ombro.
- Ah maninho, você sabia que ia dar nisso desde o começo. Uma hora ela teria que descobrir. – Disse Damon ainda encarando o Giordanno
- Nós precisamos sair da cidade. E se ela contar para alguém? – Stefan parecia preocupado.
- Não vamos sair coisa nenhuma! A Katherine provavelmente está aqui para tentar quebrar a maldição e se ela tentar fazer isso a Elena estará em perigo! Temos que protegê-la! – Pela primeira vez desde que comecei a falar com o Stefan, o Damon havia tirado os olhos do novato.
- Eu concordo com o Damon. Agora vamos dar um jeito nessa sala. Vou preparar alguma coisa para comer, essa história de salvar a vida de vampiros me deixou com fome. – Dizendo isso encerrei a conversa e segui para a cozinha seguida do mais novo bruxo da cidade.
- O que você quer aqui? – Falei rispidamente.
- Você não pode me culpar por não ter dito quem eu sou, você também não foi honesta comigo – O Giordanno estava certo, mas eu ainda estava com raiva por ele não ter me contado.
Virei para ele e no instante que o fiz desejei não ter feito. A visão daquele corpo perfeito me fez fraquejar na raiva, mas mesmo assim me mantive firme. Estava pronta para começar uma discussão quando a campainha tocou. Um frio subiu pela minha espinha, não gostava daquela sensação. Damon abriu a porta e, quando cheguei na sala já estava tudo arrumado, não havia vestígios do que acontecera a pouco. Olhei para a porta e reconheci imediatamente o visitante. Droga! Quando a gente pensa que não tem como piorar, as coisas pioram.

Um comentário:

  1. Olá Anna,
    Passei por aqui para me envolver um pouquinho com seu trabalho! Beijos!

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