- Posso entrar? – perguntou meu pai à porta do meu quarto.
Eu estava com o pensamento longe. Depois da conversa que tive com o pai de Elena, não conseguia me concentrar em mais nada. E se para salvar a Elena fosse mesmo necessário que ele morresse? Não sei se eu teria coragem de salvar a vida de Damon nessas condições.
- Claro pai, entre. – respondi ainda absorta em devaneios.
- Você ainda está chateada comigo?
- Não, é só que... Toda aquela história de vocês quererem me deixar de fora e de terem deixado o Tyler de lado também...
- O Tyler? Mas nós não o deixamos de lado, Lílian. Quando íamos sair o procuramos por todos os cantos da casa e não encontramos. – ele respondeu confuso.
- Então vocês não drogaram o Tyler também? – eu estava mais confusa que ele.
- Claro que não. Eu não poderia impedi-lo de ir.
- Mas ele disse que não se lembra de nada que aconteceu depois de beber o chocolate.
- Lílian, eu tenho plena certeza deque não tinha nada na bebida dele.
Agora eu estava sinceramente intrigada. O que acontecera com o Tyler? Será que ele estava mentindo para mim, será que ele se lembrava de tudo? Ou pior, será que ele tinha mordido o Damon?
- Bem, eu vim te chamar. Estão todos lá em baixo, eu e o Tiago achamos o livro, vamos lê-lo agora. – ele continuou a falar, mas eu não estava exatamente prestando atenção.
- Ok, então vamos descer.
O livro não trazia mais informações do que eu relatara mais cedo, mas contava a história da mãe que se sacrificara para salvar a vida do filho. Essa parte de livro não consegui ler em voz alta, se eu dissesse que alguém deveria morrer para que Elena e Damon fossem salvos, duvido que alguém na sala fosse gostar.
- Lílian, queria falar com você. – Tiago me chamou logo depois que eu terminei a leitura. – Você sabe tão bem quanto eu que havia mais informações importantes no livro.
- Tiago, agora não, por favor.
Ele agarrou meu braço e continuou.
- Lílian, o John vai morrer!
- Ele sabe disso! Ele me pediu pra não dizer à Elena, por isso eu não li essa parte em especial.
- O que está acontecendo com você? Você vai mesmo deixar ele se sacrificar?
- É a vontade dele, não? Nem eu nem você podemos fazer nada contra isso.
- Eu não sei você, mas eu posso!
- Não, Tiago! Por favor, não diga nada. – agora eu quem segurava seu braço.
- Isso tudo por causa daquele vampiro? Lílian, você está apaixonada por ele, é isso?
- Claro que não! Eu gosto do Damon como amigo e não vou deixá-lo morrer.
- Pode haver outro jeito de salvar a vida dele, minha irmã.
- Pode haver, você disse bem, PODE. E se não houver, e se o Damon morrer e eu não tiver feito nada pra impedir? E além do que não é só a vida do Damon que está em jogo, é a da Elena também. Por mais que a gente não aceite a proposta do Klaus, ele vai continuar insistindo com essa história de sacrifício.
- Nós podemos matá-lo. – Rose estava próximo e ouvira a conversa calada, até agora.
- É, mais a gente sabe que matar um vampiro original não é nada fácil. – agora era Sophie quem falava.
- Pode ser difícil, mas não impossível. – Rose respondeu.
- Vocês só estão pensando no lado da Elena, em como salvá-la! E quanto ao Damon? Não podemos deixar que ele morra, eu não vou deixar que isso aconteça! – Eu estava transtornada com a forma com que eles tratavam a vida do Damon, ninguém se importava com ele.
- Lílian, você sabe que eu não sou a favor de sacrificar ninguém, mas se nós tivermos que escolher entre a vida de um trouxa e a de um vampiro... – meu pai falava agora brandamente segurando meu ombro.
- Além disso, o Damon já viveu mais de cem anos, já tá mais do que na hora dele morrer mesmo. – o Giordanno que ao lado do Tiago agora mostrava um sorriso desdenhoso no canto da boca.
- Você cale essa sua boca porque eu ainda não terminei com você, seu verme. – disse me dirigindo ao Giordanno – Nós não temos esse poder de escolher quem vive e quem morre. O próprio John está de acordo em morrer pela filha e nós não temos tempo para procurar novas soluções, o sacrifício será em 3 dias!
- E você acha que a Elena vai aceitar que o próprio pai que ela não sabia que tinha até horas atrás dê sua vida só para que ela possa salvar o irmão sanguinário de seu namorado? – o Giordanno parecia estar decidido a me provocar.
- Lílian eu concordo com você, não podemos deixar o Damon morrer, mas eu acho melhor a gente falar com a Elena sobre isso. Não é justo que ela não saiba. – Rose era incrivelmente sensata nessas horas, mas eu não tinha gostado da idéia. Por mais que eu concordasse, tinha medo que a Elena fosse contra o sacrifício do pai.
- Eu concordo com a Rose, é melhor que ela saiba. – disse Sophie.
- Mas, independentemente do que ela decida, nós vamos procurar uma forma de salvar tanto a Elena quanto o Damon. – disse meu pai. Ali estava o Harry Potter que eu conhecia.
- Tudo bem, vamos falar com ela.

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