Eu estava arrasada. Sentia uma dor no peito que nem mesmo um soco poderia me proporcionar. Apesar do pouco tempo que nos conhecíamos, eu já amava o Tyler. Amava o seu jeito reservado, seu olhar, sua voz, seu andar, tudo nele. Giordanno se aproximou e me ajudou a levantar e me abraçou. Mesmo com toda a desconfiança que eu sentia dele, me deixei envolver em seus braços. Estava frágil, indefesa. Eu, a garota que raramente sucumbe as suas emoções, estava me sentindo completamente tomada por elas. Eu sentia raiva. Raiva por não ter explicado a ele meus motivos, por não ter demonstrado minha preocupação, raiva por tê-lo deixado ir e principalmente por ele não ter me deixado explicar.
- Lílian, vamos entrar, está frio aqui fora. – Giordanno dizia ainda me abraçando.
- Eu preciso ir atrás dele, preciso me explicar! – disse, com o rosto banhado em lágrimas agora molhando a camisa dele.
- Lílian. – Damon disse isso, apenas meu nome, pegou minha mão e me puxou para perto – O que aconteceu?
- Ele entendeu tudo errado, Damon, mas eu não quero falar sobre isso agora. Preciso ir atrás dele.
- Vamos entrar. Você não sabe para onde ele foi, amanhã eu te ajudo a procurar por ele. – dizendo isso e ele me levou até o meu quarto, Sophie e Rose vinham logo atrás. Quando chegamos no quarto, pedi que elas trancassem a porta e contei o que tinha acontecido.
- O Tyler só pode estar ficando louco! Eu nunca faria isso! – disse o Damon.
- Foi o que eu achei e tentei explicar, mas ele não me deixou e... e foi embora. – mal percebi e já estava chorando de novo.
- Oh, Lílian, não fique assim! Ele é um idiota por não ter te ouvido. E por ter feito isso com o Damon. Vai ver foi até bom vocês estarem separados, se ele fez isso com o Damon por ciúmes, poderia ser até perigoso. – Rose me abraçou e afagou meus cabelos.
- Mas qual é o problema dele? Ele mesmo mordeu o Damon, ele fez essa confusão toda e agora quer se fazer de santo? Você só está tentando salvar o Damon por que o Tyler o colocou em perigo! – Sophie veio em minha defesa.
- É, mas o Tyler também estava em perigo, Sophie. Tudo indica que ele seja o lobo do sacrifício e ele não viu a Lílian preocupada com isso em nenhum momento. – retrucou o Damon.
- Mas eu estava preocupada! Só que eu imaginei que se o Klaus tinha dois bruxos do seu lado, ele também teria opções de vampiros e lobos, além do que o Tyler estava protegido aqui dentro. E se ele quisesse mesmo o Tyler teria pedido ele junto com a Elena em troca da cura.
- Faz sentido. Mas você está esquecendo uma parte, Lílian. Os bruxos do Klaus estão com a gente, então, como é que ele vai completar o sacrifício sem ninguém para realizar o ritual? – A Sophie sempre tinha esses insights.
Isso me fez parar para pensar se eu não havia perdido algum ponto dessa história. Será que o Klaus teria um outro bruxo? Não tive muito tempo para refletir, pois o Damon começou a gritar de dor e nós corremos para chamar alguém. O veneno estava se instalando em seu sangue e ele ficaria cada vez mas fraco e fora de si.
No dia do sacrifício, acordei e fui ver como o Damon estava. Encontrei o Stefan e a Elena no corredor de frente ao meu quarto, como eles na me viram fechei a porta e fiquei ouindo o que eles diziam.
- E se não funcionar? – Stefan parecia irritado.
- Vai funcionar. Todos os bruxos estão trabalhando nessa porção. – Elena parecia calma e ao mesmo tempo com pressa.
- Elena, você não precisa fazer isso. O Damon não vai se importar.
- Mas eu vou! Não vou deixá-lo morrer só porque você está com ciúmes, Stefan. Ele salvou a minha vida, é o mínimo que eu posso fazer. – disse Elena, saindo dali.
Assim que ela fechou a porta do quarto de Damon, Stefan deu um soco na mesa de canto que a fez partir ao meio e saiu em direção as escadas.
Damon estava bem, na medida do possível. Suava frio e de vez em quando tinha alucinações. Fiquei um pouco com ele, até que a Elena entrou no quarto e disse que meu pai havia me mandado descer junto com meu irmão.
Entrei no quarto do Tiago, mas ele não estava. O Giordanno estava tomando banho. Eu já ia saindo quando notei algo brilhando sobre a cama dele e resolvi ver o que era. Um frasco de vidro de aproximadamente 5 centímetros estava sobe uma pilha de roupa. Dentro desse frasco, havia um líquido branco e viscoso: uma lembrança. Ia deixá-la lá, mas algo me dizia que eu precisava ver, a curiosidade falou mais alto e a desconfiança também. Peguei o frasco e desci as escadas.
Tiago e o meu pai já estavam lá embaixo e me esperavam para passar os últimos detales da operação.
- Lílian, ainda bem que você chegou. Pensei que a Elena tinha esquecido de te chamar. – disse meu pai.
- Pai, eu não vou poder ficar. – disse me encaminhando para a porta.
- Ah, vai começar com aquela história de procurar o lobisomem de novo? – perguntou Tiago – Desencana, maninha, a mãe dele disse que ele foi visitar o tio e nós sabemos que se ele foi mesmo, não vai voltar tão cedo.
- Não e nada disso. Preciso ir a Hogwarts. – o Tiago sempre tinha as piadas mais sem graça do mundo, mas eu não estava com tempo para discutir com ele.
- O que você vai fazer em Hogwarts? – perguntou minha mãe.
- Depois eu explico. Rose, Sophie, vocês vem comigo? – perguntei pegando meu casaco.
Elas levantaram e assim que nós atravessamos o escudo protetor que circundava a Pensão Salvatore, seguramos uma na mão da outra e aparatamos.

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