Desaparatamos de frente aos portões de Hogwarts. Hagrid estava do outro lado a poucos metros do portão, ao nos ver, Canino, que acompanhava seu dono, deu uma guinada e correu em nossa direção.
- Ó Céus! Canino, volte aqui. – Gritava Hagrid, enquanto corria atrás de seu desesperado cão – Quem está aí?
- Hagrid, sou eu, Lílian. Por favor, abra, preciso entrar!
- Lílian! O que você está fazendo aqui, menina? Ah que alegria em revê-la! – Disse ele abrindo rapidamente os portões.
- Obrigada, Hagrid. Na verdade eu não tenho muito tempo. – Disse, passando correndo por ele e sendo seguida por Canino que babava toda a minha mão. Adoraria poder parar e conversar com ele, mas realmente estava sem tempo. Queria muito poder caminhar tranquilamente admirando o jardim que nessa época do ano – estávamos na primavera – era simplesmente adorável.
Corri em disparada para a porta do castelo onde a professora McGonagall, então diretora da escola, me olhava assustada.
- Srta. Potter, onde pensa que está indo nessa correria toda? – perguntou ela com a voz severa.
- Professora, preciso ir ao seu escritório. – respondi, já passando por ela.
- O quê? Pode voltar aqui e me explicar isso direito. – eu já estava ao pé da escada e tive que voltar. Percebi que Rose e Sophie me olhavam com o mesmo espanto da professora, eu havia esquecido completamente de contar o que viera fazer ali.
- Professora, eu não tenho tempo para explicações, preciso da Penseira que está no seu escritório. É um caso de vida ou morte! – eu não sabia bem se era um caso de vida ou morte, mas valia à pena tentar esse argumento.
- E o que faz a Srta. acreditar que terá acesso ao meu escritório sem a minha permissão? – tinha esquecido completamente da gárgula que protegia a porta do escritório com a senha.
- Por favor, me dê a senha! Preciso voltar a Mystic Falls, haverá uma batalha e eu preciso ajudar.
- E que lembrança é essa que você quer tanto ver? – perguntou ela.
- Eu não sei, mas minha intuição me diz que é de extrema importância para a batalha.
- Oh Merlim! Está bem, pode ir, mas depois quero saber da história completa. – disse ela, apontando o dedo para mim.
- Rose, Sophie, vamos! – disse animada, subindo as escadas.
- Srta. Potter! – A professora McGonagall me chamava novamente.
- O que foi dessa vez, professora? – Perguntei, irritada.
- Não seja insolente, menina! Você esqueceu a senha! – disse ela, subindo as escadas.
- Ah, me perdoe. Qual é mesmo? – ruborizei
- Clarividência.
Passei pela gárgula correndo, subi as escadas e assim que entrei no escritório vi o quadro do professor Dumbledore me olhando admirado.
- Lílian, o que faz aqui? Está tudo bem com o Harry? – perguntou ele.
- Está sim, professor. Preciso usar a penseira.
- O que lhe aflige, minha pequena? – Dumbledore morreu bem antes do meu nascimento, mas ele me conhecia como ninguém.
- Acho que fiz uma besteira, professor. Não sei como concertar.
- Bem, tentar já é um começo. Mas não é só isso.
- Sabe quando você confia em alguém e acaba descobrindo que essa pessoa não merece sua confiança e você tenta mostrar pra todo mundo que tem algo de errado com aquela pessoa, mas ninguém acredita?
- Ah se sei! – respondeu ele, sorrindo.
- É o meu caso agora. Acho que essa lembrança pode me mostrar o caminho.
- Então não perca tempo!
- Mas e se for tarde de mais?
- Nunca é tarde de mais para a verdade, minha querida.
- Obrigada, professor. – sorri para ele e abri o armário onde ficava a penseira. Depositei o líquido do frasco nela e mergulhei minha cabeça no que fui seguida por Rose e Sophie.
Estávamos agora no meio da floresta. Uma sombra vinha caminhando por entre as árvores e, parou abruptamente atrás de uma delas, aparentemente esperando alguém. Havia uma clareira pouco mais a frente de onde partiam luzes que parecia ser de uma casa, a Pensão dos Salvatore. Ao reconhecer o lugar, meu coração saltou no peito. Ficamos ali esperando pelo que pareceram uns 10 minutos, até que outra sombra, vinda da clareira entrou correndo na floresta. Estava muito escuro, mas eu nunca me esqueceria daquele corpo sem camisa, era Tyler. A sombra que estava escondida lançou-lhe um feitiço silencioso que o fez cair desmaiado. Soltei um grito e me aproximei, pude ver quem o imobilizara: Giordanno. O bruxo agarrou o braço de Tyler e aparatou. O cenário mudou completamente, estávamos agora no que me pareceu um celeiro abandonado. Tyler jazia com as mãos amarradas em um tronco.
- Acorde-o! – gritou um homem sentado em uma poltrona logo atrás de mim. Era Klaus.
- Crucio! – Gritou o Giordano com prazer.
Tyler se contorceu todo e abriu os olhos.
- Olá, cachorrinho! Lembra de mim? – perguntou Giordanno aproximando-se dele.
- Giordanno, o que está acontecendo aqui? – perguntou, Tyler, desorientado.
- Meu chefe quer dar uma palavrinha com você. – assim que Giordanno terminou de falar, Klaus levantou-se e seguiu ao encontro de seu súdito.
- Nós precisamos da sua ajuda, Tyler – disse ele – Preciso tirar aquela bruxinha do meu caminho.
- Lílian? – perguntou Tyler – O que você vai fazer com ela? – ele agora se debatia tentando se soltar.
- Por mim mataria, mas o Giordanno parece estar interessado nela, então você vai me ajudar de outra forma. Soube que eles vão me atacar hoje à noite para resgatar a minha doce refém. Preciso que você morda um dos vampiros Salvatore.
- O Damon! – Completou o Giordanno com um olhar sanguinário.
- Por mim tanto faz, mas que seja o Damon. Preciso que você o morda.
- Pra que? – perguntou o Tyler, sem entender.
- Se o Damon for mordido, vou poder ter a Elena de volta e todos viveram felizes e blá blá blá. Não importa pra que, você só precisa mordê-lo.
- Não! Eu não vou fazer isso com ele!
- Você não entendeu, cadelinha. A gente não está pedindo. – Giordanno disse isso e em seguida o Klaus se aproximou mais do Tyler e, olhando fixamente em seus olhos ordenou:
- Você vai morder o Damon. Você está muito triste pelo que ele fez com a Lílian. Ele ficou com ela, disse que a amava, você não pode perdê-la.
- Eu não posso perdê-la. – repetiu, Tyler.
Eles o soltaram, mas assim que ele se viu livre das amarras, esmurrou o Giordanno. Apesar de Klaus ser poderoso, Tyler tinha sangue de lobisomem, o que o fazia mais forte que as outras pessoas e o protegia do ataque mental do vampiro. Ele parecia meio desorientado, era como se parte dele não estivesse decidida a seguir o que fora ordenado. Ele ficou rodando no meio do celeiro e, assim que avistou a porta, correu para ela, estava quase saindo quando um feitiço o atingiu nas costas. Ele caiu. Giordanno apontou sua varinha para o rosto do prisioneiro, murmurando um feitiço.
- Pra que isso? – perguntou Klaus
- Não se preocupe, meu senhor. Estou apenas colocando nele uma lembrança falsa, isso fará com que ele faça o que o senhor pediu.
- Vamos logo com isso. Leve-o para o meio da floresta, depois volte. Creio que os outros não vão tentar resgatar apenas a Elena, deixe que o levem. Quero saber de cada passo que eles derem. – Klaus não o estava hipnotizando. Giordanno havia feito tudo aquilo por vontade própria. Ele seria o bruxo do sacrifício.
- Tudo bem, senhor. Mas lembre-se do nosso trato, o Tyler deve ser usado no sacrifício, é só isso que eu peço. – disse Giordanno e, nesse momento a lembrança se esvaiu.
- Eu não posso acreditar! Aquele filho de um trasgo manco! – Gritava Sophie assim que nós voltamos para o escritório.
- Vejo que a verdade veio à tona. – O professor Dumbledore estava sentado na poltrona de seu quadro nos observando.
- Eu sabia! O Tyler não morderia o Damon. Ele foi forçado! – Rose esbravejava em meio aos xingamentos que Sophie dedicava ao Giordanno.
- Nós precisamos voltar à Mystic Falls imediatamente! Klaus deve estar com o Tyler se preparando para o sacrifício, nós precisamos detê-lo ou toda essa descoberta será em vão. – disse me encaminhando para a porta.
- Lílian – o professor Dumbledore me interrompeu – lembre-se, siga sempre o seu coração, ele nunca escolhe o caminho errado, mesmo que você não ache, ele sempre está ceto.
Eu agradeci suas sábias palavras e desci correndo as escadas da gárgula. A professora McGonagall estava à porta do castelo e me perguntou se eu tinha conseguido o que queria.
- Até mais do que esperava – respondi a ela.
- Não vai me contar o que a trouxe aqui?
- Sinto muito professora, mas agora, realmente, é caso de vida ou morte! – dizendo isso segui correndo para a entrada do castelo e assim que cruzei o portão de ferro aparatei junto com as meninas de volta a Mystic Falls, rezando para que não fosse tarde demais para seguir meu coração.

Nossa, mto tenso esse capítulo! Tô gostando de como a história está desenrolando-se, bem interessante. Já tô esperando pelo próximo capítulo...hahaha
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