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Permito


Permito que você me proteja com teus braços e abraços apertados e quentes nesses dias de verão que tudo -em mim- é mais frio que o próprio inverno. Permito sim, que você me cale com um beijo desesperado e que me acalme com um afago, cafuné ou coisa assim. Me faça promessas clichês, planos ultrapassados, me queira o tempo necessário pra me fazer não te esquecer. Permito que me conheças como um dia eu quis, como nem eu mesmo me permiti. Desvende meus medos, meus mistérios e segredos. Dai então, saiba tudo de mim, tudo o que eu não tive coragem de saber. Permito a ti, que tenhas tudo de mim, sem pedir tudo de ti em troca. Me veja o tempo que quiser, me use como aquele seu pijama velho e rasgado. Aquele que tem valor eterno pra você. O que tu veste todas as noites antes de dormir e que ao acordar não faz a mínima questão de tirar.

Autor Desconhecido.

Capítulo 20: A cura




Levamos o Damon pra casa. Ele suava muito e delirava, chamando Elena de Katherine. Ela por sua vez não saia um só segundo de perto dele. Deixei os dois no quarto e desci para a sala onde todos estavam discutindo o que fazer. Tyler veio até mim me pedindo desculpas, disse a ele que a culpa não era dele, mas do Giordanno. Lembrei que o crápula estava no porão e desci para interrogá-lo, já não sabia mais o que fazer.
- E então, conseguiu salvar o cachorrinho? – perguntou ele.
- Onde está Klaus? Ele fugiu logo depois do sacrifício, pra onde ele foi? – perguntei sem dar ouvidos aos seus comentários.
- Hum, então o vira-lata foi salvo, mas o sanguessuga corre perigo... É nisso que dá se apaixonar tão fácil Lili! – ele tinha uma risada ferina.
- Eu não quero machucar você, mas se você não colaborar, não terei escolha!
- Eu não me importo! Se quiser pode até me matar! Vou morrer muito feliz em saber que levei um dos seus amados comigo! – ele tinha os olhos vermelhos de ódio.
- Seu psicopata! Você acha mesmo que se o Tyler morresse, eu ficaria com você? – perguntei ultrajada.
- Só você não percebe o quanto é fraca, não é? Desde a época da escola você era assim, vivia inventando amores por se sentir sozinha.
- Eu nunca fui sozinha! Minha família sempre esteve comigo! E como você sabe da minha vida em Hogwarts?
- Seu irmão comentava muito, ele realmente se preocupava com suas paixões platônicas. Não tente se enganar! Quantos e quantos feriados você passou na escola por que seus pais estavam trabalhando e não poderiam lhe dar atenção? E aí era só alguém demonstrar pena por você que já se dizia apaixonada. – ele jogava tudo na minha cara e a cada lágrima de corria ele demonstrava a vitória em seu olhar.
- Isso não é verdade!
- Vai dizer que você não teve inúmeros amores não correspondidos? Se o Tyler tivesse morrido, bastava que eu te consolasse durante poucos minutos para você dizer que me amava! Porque você acha que eu escolhi você? Você sempre foi o ponto fraco da família!
-Cala a boca! – levantei minha varinha pronta para atingi-lo com a maldição da morte, mas algo me deteve. Tyler agora segurava o meu braço, ao vê-lo cai em prantos e ele me segurou. Não posso negar que parte do que o Giordanno falou tinha seu teor de verdade.eu havia mesmo me apaixonado várias vezes e na maioria delas havia sido ignorada, mas com o Tyler era diferente. Nunca sentira aquilo antes, eu não tinha vindo a Mystic Falls com a intenção de me apaixonar, como geralmente acontecia a cada novo ano em Hogwarts, estava ali buscando fugir de todo aquele meu passado, de construir uma nova vida, sem dramas. Conheci o Tyler e não me apaixonei perdidamente, ele me conquistou aos poucos.
- Muito bem, lobinho. Você está no caminho certo, é só consolar mais um pouquinho e pronto, já pode casar. – Giordanno continuava com ar de deboche.
Tyler nada respondeu. Nesse instante dois homens usando longas capas entraram no porão e seguraram cada um em um braço do Giordanno.
- Pra onde vocês estão me levando? Larguem-me! – ele gritava desesperado.
- É melhor ficar quietinho ou vamos trazer os dementadores! – um dos homens falou e depois virou-se para mim – Obrigado senhorita Potter. Nós estamos procurando senhor Heifer a mais de um ano por prática de magia das trevas. Não se preocupe, o levaremos para Askaban e os dementadores cuidarão dele.
- Eu ainda não desisti, vou destruir sua família um por um, vou vingar o Lorde das Trevas! – ele continuou gritando enquanto era arrastado pelos guardas de Askaban.
Subimos logo depois dos bruxos e encontramos todos na sala, ainda sem uma solução para o Damon. Fui ao quarto ver como ele estava e encontrei a porta entreaberta. Damon estava deitado na cama com Elena e eles falavam muito baixo. Alguém bateu no meu ombro e quando me virei vi Katherine segurando um frasco contendo um líquido vermelho. Ela passou por mim e entrou no quarto.
- Klaus não deixa de cumprir sua palavra. – dizendo isso entregou o frasco a Elena.
Elena parecia ter sido pega de surpresa.
- Está tudo bem, você fica com ele e eu com o outro. – disse Katherine.
- Onde está o Stefan? – perguntou Elena.
- Ele não vai voltar. Eu se fosse você tentaria salvar o que lhe restou. – respondeu Katherine, apontando para Damon.
Ela saiu como um vulto pela janela entreaberta. Elena sentou ao lado de Damon na cama e colocou o sangue do híbrido em sua boca. Pouco tempo depois, ele já estava mas corado e sem tantas dores.

Uma semana depois, meu pai e os outros bruxos já haviam voltado para o Ministério e eu havia ficado para terminar o Ensino Médio dos trouxas. A escola estava toda enfeitada para o baile de fim de ano. Cheguei um pouco atrasada porque Rose e Sophie passaram horas para decidir suas roupas. Tyler me esperava na porta da escola, junto com seus dois amigos que seriam os pares das meninas.
- Você está linda! – ele m cumprimentou.
- Obrigada! – demos as mãos e seguimos para dentro do salão. Encontamos Caroline dançando com Matt e logo ao lado, Damon e Elena.
Todo o peso que havia sobre eles uma semana atrás parecia ter sumido, apesar de Elena ainda insistir em procurar por Stefan, nós decidimos que seria melhor não. Ele havia mandado uma carta dizendo que não queria ser visto naquele estado e Damon explicara que, se Klaus o tivesse posto para beber sangue humano não seria uma boa idéia entrar em contato com ele.
A festa foi ótima, todos estavam realmente empolgados. No fim da noite, fomos todos para a pensão e sentamos nos jardins, cada um com seu par, e ficamos em silêncio por um tempo contemplando a noite e pensando em tudo que havia se passado durante aquele curto espaço de tempo. Eu havia feito verdadeiros amigos ali, encontrado o amor e vivido uma das maiores aventuras de toda minha vida. Apesar de ter vindo querendo fugir de quem eu era, descobri que não preciso mudar ou esconder minha identidade para ser feliz.

Capítulo 19: O sacrifício


 

Mal pisei no jardim dos Salvatore, saí correndo para transpor a barreira de feitiços. Quando cheguei do outro lado todos estavam lá planejando o ataque. Parece que Klaus havia pego Elena e eles não conseguiam encontrar o Stefan em lugar nenhum. Giordanno estava no canto ao lado do meu irmão, enquanto andava pensei em fingir que não sabia de nada, mas no momento em que vi seu sorriso em minha direção não pude me conter.
- Seu traidor! Eu devia matar você agora mesmo, verme! Como você pode fazer isso com ele? Você achou mesmo que eu fosse ficar com você que eu não fosse descobrir? – enquanto falava, jogava feitiços aleatórios sobre ele, que eram prontamente bloqueados.
- Lílian, do que você está falando?! – Tiago, que estava ajudando o seu amigo a bloquear meus ataques, parecia assustado com minha reação.
- O Tyler! Ele entregou o Tyler para o Klaus! – pouco depois que eu falei, ele arrancou a varinha da minha mão. – Pai, nós não podemos o deixar sair daqui. Ele fez um acordo com o Klaus de fazer o sacrifício em troca de o Tyler ser o lobo morto.
- Você tem certeza disso, Lílian? – disse meu pai.
- É verdade, tio. Eu e a Lílian estávamos em Hogwarts e vimos uma memória que esse trasgo guardou do Tyler sendo atacado e obrigado a morder o Damon. – respondeu Rose.
- Qual era a idéia, Giordanno?! Você sabia que eu não ia deixar o Damon morrer e iria querer continuar com o sacrifício e, quando eu fosse questionar o Tyler ele enlouqueceria e iria embora, não é? – indaguei, enquanto ele era preso por um feitiço lançado pelo meu irmão.
- E agora, Lílian, como você vai resolver isso? Vai deixar o sanguessuga ou o cachorrinho morrer? – perguntou ele em meio a uma risada maléfica.
- Ninguém vai morrer. Eu vou fazer o sacrifício e exigir que o Klaus libere o Tyler. Enquanto isso você vai ficar aqui, pensando como será sua vidinha em Askaban.
- E quem disse que o Klaus tem um lobo reserva? – perguntou ele cheio de segurança.
- Se ele não for tão estúpido quanto você, ele vai ter.
Giordanno começou a praguejar enquanto o Tiago o levava para o porão da casa. Me voltei para o meu pai e perguntei onde estava o Stefan.
- Não sei, procuramos ele por todos os lugares.
Achei estranho, mas estávamos sem tempo. Klaus já tinha Elena e esperava o bruxo. Segui para a floresta e caminhei por volta de meia hora até chegar à clareira. Ao chegar lá, encontrei Tyler, Elena e Stefan em um canto.
- Ora, mais quem aparece para me visitar nesta noite tão importante! – Klaus estava logo atrás, escondido na escuridão das árvores.
- Não estou aqui para visitas. – respondi – Vim realizar o sacrifício.
- Sabia que isso iria acontecer, aquele bruxinho era muito fraco mesmo. O amor é a maior fraqueza... Então quais são suas condições? – Perguntou ele, se aproximando.
- Libere o Tyler e o Stefan.
- O que a faz pensar que tenho outros para subistituí-los?
- Você não é tão estúpido quanto o bruxinho, se sabia que eu viria, sabia que essas seriam as condições.
- Não vou liberá-los. – no que eu puxei a minha varinha ele levantou as mãos – Vou deixá-los viver, mas só deixarei irem depois da conclusão do sacrifício.
- Está bem – respondi um tanto desconfiada, mas sem escolha. Parecia um acordo justo, ao menos eles não morreriam. Não agora.
- Não se preocupe, é só a garantia de que o serviço será concluído.
Dois homens muito fortes tiraram o Tyler e o Stefan e o levaram para as sombras, e logo depois trouxeram duas mulheres. Uma delas não me era estranha, a vampira. Pouco depois de olhar bem para ela, percebi de quem se tratava.
- Espere! Essa não é...
- Já chega bruxinha! Não vou perder mais tempo com você. Fiz o que você queria, agora comece logo com isso! – Klaus estava a um centímetro de mim.
Dei início ao ritual e, um por um, ele foi matando os “cordeiros” até que chegou a vez da Elena. Meu coração disparou. Tive medo que a porção não funcionasse, Damon nunca iria se perdoar se algo acontecesse à Elena enquanto ela tentava salvar sua vida. Assim que Klaus jogou seu corpo sem vida no chão, as chamas das tochas que circundavam a clareira aumentaram e ele soltou um grito estridente.
Nesse momento, um exército de bruxos circulou a clareira e foram rajadas de feitiços para todos os lados. Eu caí no chão ao lado de Elena, nunca pensei que um feitiço pudesse me deixar tão fraca. Precisava levantar e achar o Tyler. Senti uma mão em meu ombro: era Damon.
- Vá, eu cuido dela. – disse ele.
Corri o mais rápido que pude, usando todas as forças que ainda me restavam até o local onde os dois homens haviam desaparecido com os reféns. Depois de cerca de duzentos metros em meio a escuridão, tropecei no que parecia uma pedra. Olhei para baixo e percebi que havia caído em cima do Tyler. Ele tinha uma cara de sofrimento e me olhava com espanto. Ele sorriu e nesse momento o beijei. Beijei como nunca havia beijado ninguém. Era um beijo de alívio e ao mesmo tempo de desculpas. Levantei e o ajudei a se levantar, o barulho da batalha havia cessado e olhando para os lados percebi que estávamos sozinhos, não havia sinal de Stefan.

Seguimos de volta para a clareira onde Damon segurava o corpo de Elena e a fazia beber um líquido que deveria ser a Resurrectio.
- Por favor, não morra, não vou me perdoar. – ele sussurrava em seu ouvido.
Cambaleei um pouco e o Tyler prontamente me segurou, impedindo que eu caísse.
- Onde está o Klaus? – perguntei ao meu pai.
- Ele conseguiu fugir. – Tiago respondeu decepcionado.
- Droga!
- Elena! Graças a Deus! – gritou Damon – Como você está se sentindo?
Elena não respondeu nada, apenas o abraçou. Ela perguntou pelo Stefan e, na mesma hora o Damon desmaiou em seus braços. Foi aí que eu percebi que Klaus havia sumido sem deixar a cura para Damon e, aparentemente, havia levado Stefan com ele. Tínhamos voltado à estaca zero.

Do jeito que você é

Cansei. E acho que como eu muita gente também tá cansada. De ouvir seus defeitos serem inumerados pelos outros e de não ter suas qualidades reconhecidas. De se sentir só, mesmo em meio a uma multidão. De não tem alguém para amar e de não ouvir que é amado de volta.
Sociedade filha da mãe essa que dita o que é certo e o que é errado, que quer controlar cada passo e movimento seu. Tá na hora de dizer CHEGA!
No Brasil, estimativas indicam que em 2010 cerca de 24 pessoas cometeram suicídio por dia. Você acha que se elas ouvissem que eram amadas, que eram importantes para alguém, que eram perfeitas como eram, acha que elas teriam tirado a própria vida?
Muitas vezes a gente se priva de dizer o quando alguém é importante para nós por achar que aquela pessoa já sabe, mas já pensou se ela não sabe? Se, neste exato momento, ela está pensando em ser mais um em meio a essas 24 pessoas? Pode ser seu melhor amigo,mas você não percebe.
Por isso quero propor uma campanha, para meus leitores e meus amigos. Use o Twitter, o Orkut ou o Facebook pra mandar uma mensagem para aquela pessoa que é especial pra você. escreva para ela "Você é especial para mim, do jeito que você é". Isso não é uma corrente, (detesto correntes) é apenas uma forma de você demonstrar o seu carinho para alguém que pode estar muito precisando dele.

Anna Grant

Capítulo 18: Hogwarts




Desaparatamos de frente aos portões de Hogwarts. Hagrid estava do outro lado a poucos metros do portão, ao nos ver, Canino, que acompanhava seu dono, deu uma guinada e correu em nossa direção.
- Ó Céus! Canino, volte aqui. – Gritava Hagrid, enquanto corria atrás de seu desesperado cão – Quem está aí?
- Hagrid, sou eu, Lílian. Por favor, abra, preciso entrar!
- Lílian! O que você está fazendo aqui, menina? Ah que alegria em revê-la! – Disse ele abrindo rapidamente os portões.
- Obrigada, Hagrid. Na verdade eu não tenho muito tempo. – Disse, passando correndo por ele e sendo seguida por Canino que babava toda a minha mão. Adoraria poder parar e conversar com ele, mas realmente estava sem tempo. Queria muito poder caminhar tranquilamente admirando o jardim que nessa época do ano – estávamos na primavera – era simplesmente adorável.
Corri em disparada para a porta do castelo onde a professora McGonagall, então diretora da escola, me olhava assustada.
- Srta. Potter, onde pensa que está indo nessa correria toda? – perguntou ela com a voz severa.
- Professora, preciso ir ao seu escritório. – respondi, já passando por ela.
- O quê? Pode voltar aqui e me explicar isso direito. – eu já estava ao pé da escada e tive que voltar. Percebi que Rose e Sophie me olhavam com o mesmo espanto da professora, eu havia esquecido completamente de contar o que viera fazer ali.
- Professora, eu não tenho tempo para explicações, preciso da Penseira que está no seu escritório. É um caso de vida ou morte! – eu não sabia bem se era um caso de vida ou morte, mas valia à pena tentar esse argumento.
- E o que faz a Srta. acreditar que terá acesso ao meu escritório sem a minha permissão? – tinha esquecido completamente da gárgula que protegia a porta do escritório com a senha.
- Por favor, me dê a senha! Preciso voltar a Mystic Falls, haverá uma batalha e eu preciso ajudar.
- E que lembrança é essa que você quer tanto ver? – perguntou ela.
- Eu não sei, mas minha intuição me diz que é de extrema importância para a batalha.
- Oh Merlim! Está bem, pode ir, mas depois quero saber da história completa.  – disse ela, apontando o dedo para mim.
- Rose, Sophie, vamos! – disse animada, subindo as escadas.
- Srta. Potter! – A professora McGonagall me chamava novamente.
- O que foi dessa vez, professora? – Perguntei, irritada.
- Não seja insolente, menina! Você esqueceu a senha! – disse ela, subindo as escadas.
- Ah, me perdoe. Qual é mesmo? – ruborizei
- Clarividência.

Passei pela gárgula correndo, subi as escadas e assim que entrei no escritório vi o quadro do professor Dumbledore me olhando admirado.
- Lílian, o que faz aqui? Está tudo bem com o Harry? – perguntou ele.
- Está sim, professor. Preciso usar a penseira.
- O que lhe aflige, minha pequena? – Dumbledore morreu bem antes do meu nascimento, mas ele me conhecia como ninguém.
- Acho que fiz uma besteira, professor. Não sei como concertar.
- Bem, tentar já é um começo. Mas não é só isso.
- Sabe quando você confia em alguém e acaba descobrindo que essa pessoa não merece sua confiança e você tenta mostrar pra todo mundo que tem algo de errado com aquela pessoa, mas ninguém acredita?
- Ah se sei! – respondeu ele, sorrindo.
- É o meu caso agora. Acho que essa lembrança pode me mostrar o caminho.
- Então não perca tempo!
- Mas e se for tarde de mais?
- Nunca é tarde de mais para a verdade, minha querida.
- Obrigada, professor. – sorri para ele e abri o armário onde ficava a penseira. Depositei o líquido do frasco nela e mergulhei minha cabeça no que fui seguida por Rose e Sophie.
Estávamos agora no meio da floresta. Uma sombra vinha caminhando por entre as árvores e, parou abruptamente atrás de uma delas, aparentemente esperando alguém. Havia uma clareira pouco mais a frente de onde partiam luzes que parecia ser de uma casa, a Pensão dos Salvatore. Ao reconhecer o lugar, meu coração saltou no peito. Ficamos ali esperando pelo que pareceram uns 10 minutos, até que outra sombra, vinda da clareira entrou correndo na floresta. Estava muito escuro, mas eu nunca me esqueceria daquele corpo sem camisa, era Tyler. A sombra que estava escondida lançou-lhe um feitiço silencioso que o fez cair desmaiado. Soltei um grito e me aproximei, pude ver quem o imobilizara: Giordanno. O bruxo agarrou o braço de Tyler e aparatou. O cenário mudou completamente, estávamos agora no que me pareceu um celeiro abandonado. Tyler jazia com as mãos amarradas em um tronco.
- Acorde-o! – gritou um homem sentado em uma poltrona logo atrás de mim. Era Klaus.
- Crucio! – Gritou o Giordano com prazer.
Tyler se contorceu todo e abriu os olhos.
- Olá, cachorrinho! Lembra de mim? – perguntou Giordanno aproximando-se dele.
- Giordanno, o que está acontecendo aqui? – perguntou, Tyler, desorientado.
- Meu chefe quer dar uma palavrinha com você. – assim que Giordanno terminou de falar, Klaus levantou-se e seguiu ao encontro de seu súdito.
- Nós precisamos da sua ajuda, Tyler – disse ele – Preciso tirar aquela bruxinha do meu caminho.
- Lílian? – perguntou Tyler – O que você vai fazer com ela? – ele agora se debatia tentando se soltar.
- Por mim mataria, mas o Giordanno parece estar interessado nela, então você vai me ajudar de outra forma. Soube que eles vão me atacar hoje à noite para resgatar a minha doce refém. Preciso que você morda um dos vampiros Salvatore.
- O Damon! – Completou o Giordanno com um olhar sanguinário.
- Por mim tanto faz, mas que seja o Damon. Preciso que você o morda.
- Pra que? – perguntou o Tyler, sem entender.
- Se o Damon for mordido, vou poder ter a Elena de volta e todos viveram felizes e blá blá blá. Não importa pra que, você só precisa mordê-lo.
- Não! Eu não vou fazer isso com ele!
- Você não entendeu, cadelinha. A gente não está pedindo. – Giordanno disse isso e em seguida o Klaus se aproximou mais do Tyler e, olhando fixamente em seus olhos ordenou:
- Você vai morder o Damon. Você está muito triste pelo que ele fez com a Lílian. Ele ficou com ela, disse que a amava, você não pode perdê-la.
- Eu não posso perdê-la. – repetiu, Tyler.
Eles o soltaram, mas assim que ele se viu livre das amarras, esmurrou o Giordanno. Apesar de Klaus ser poderoso, Tyler tinha sangue de lobisomem, o que o fazia mais forte que as outras pessoas e o protegia do ataque mental do vampiro. Ele parecia meio desorientado, era como se parte dele não estivesse decidida a seguir o que fora ordenado. Ele ficou rodando no meio do celeiro e, assim que avistou a porta, correu para ela, estava quase saindo quando um feitiço o atingiu nas costas. Ele caiu. Giordanno apontou sua varinha para o rosto do prisioneiro, murmurando um feitiço.
- Pra que isso? – perguntou Klaus
- Não se preocupe, meu senhor. Estou apenas colocando nele uma lembrança falsa, isso fará com que ele faça o que o senhor pediu.
- Vamos logo com isso. Leve-o para o meio da floresta, depois volte. Creio que os outros não vão tentar resgatar apenas a Elena, deixe que o levem. Quero saber de cada passo que eles derem. – Klaus não o estava hipnotizando. Giordanno havia feito tudo aquilo por vontade própria. Ele seria o bruxo do sacrifício.
- Tudo bem, senhor. Mas lembre-se do nosso trato, o Tyler deve ser usado no sacrifício, é só isso que eu peço. – disse Giordanno e, nesse momento a lembrança se esvaiu.

- Eu não posso acreditar! Aquele filho de um trasgo manco! – Gritava Sophie assim que nós voltamos para o escritório.
- Vejo que a verdade veio à tona. – O professor Dumbledore estava sentado na poltrona de seu quadro nos observando.
- Eu sabia! O Tyler não morderia o Damon. Ele foi forçado! – Rose esbravejava em meio aos xingamentos que Sophie dedicava ao Giordanno.
- Nós precisamos voltar à Mystic Falls imediatamente! Klaus deve estar com o Tyler se preparando para o sacrifício, nós precisamos detê-lo ou toda essa descoberta será em vão. – disse me encaminhando para a porta.
- Lílian – o professor Dumbledore me interrompeu – lembre-se, siga sempre o seu coração, ele nunca escolhe o caminho errado, mesmo que você não ache, ele sempre está ceto.
Eu agradeci suas sábias palavras e desci correndo as escadas da gárgula. A professora McGonagall estava à porta do castelo e me perguntou se eu tinha conseguido o que queria.
- Até mais do que esperava – respondi a ela.
- Não vai me contar o que a trouxe aqui?
- Sinto muito professora, mas agora, realmente, é caso de vida ou morte! – dizendo isso segui correndo para a entrada do castelo e assim que cruzei o portão de ferro aparatei junto com as meninas de volta a Mystic Falls, rezando para que não fosse tarde demais para seguir meu coração.

Capítulo 17: Lembrança




Eu estava arrasada. Sentia uma dor no peito que nem mesmo um soco poderia me proporcionar. Apesar do pouco tempo que nos conhecíamos, eu já amava o Tyler. Amava o seu jeito reservado, seu olhar, sua voz, seu andar, tudo nele. Giordanno se aproximou e me ajudou a levantar e me abraçou. Mesmo com toda a desconfiança que eu sentia dele, me deixei envolver em seus braços. Estava frágil, indefesa. Eu, a garota que raramente sucumbe as suas emoções, estava me sentindo completamente tomada por elas. Eu sentia raiva. Raiva por não ter explicado a ele meus motivos, por não ter demonstrado minha preocupação, raiva por tê-lo deixado ir e principalmente por ele não ter me deixado explicar.
- Lílian, vamos entrar, está frio aqui fora. – Giordanno dizia ainda me abraçando.
- Eu preciso ir atrás dele, preciso me explicar! – disse, com o rosto banhado em lágrimas agora molhando a camisa dele.
- Lílian. – Damon disse isso, apenas meu nome, pegou minha mão e me puxou para perto – O que aconteceu?
- Ele entendeu tudo errado, Damon, mas eu não quero falar sobre isso agora. Preciso ir atrás dele.
- Vamos entrar. Você não sabe para onde ele foi, amanhã eu te ajudo a procurar por ele. – dizendo isso e ele me levou até o meu quarto, Sophie e Rose vinham logo atrás. Quando chegamos no quarto, pedi que elas trancassem a porta e contei o que tinha acontecido.
- O Tyler só pode estar ficando louco! Eu nunca faria isso! – disse o Damon.
- Foi o que eu achei e tentei explicar, mas ele não me deixou e... e foi embora. – mal percebi e já estava chorando de novo.
- Oh, Lílian, não fique assim! Ele é um idiota por não ter te ouvido. E por ter feito isso com o Damon. Vai ver foi até bom vocês estarem separados, se ele fez isso com o Damon por ciúmes, poderia ser até perigoso. – Rose me abraçou e afagou meus cabelos.
- Mas qual é o problema dele? Ele mesmo mordeu o Damon, ele fez essa confusão toda e agora quer se fazer de santo? Você só está tentando salvar o Damon por que o Tyler o colocou em perigo! – Sophie veio em minha defesa.
- É, mas o Tyler também estava em perigo, Sophie. Tudo indica que ele seja o lobo do sacrifício e ele não viu a Lílian preocupada com isso em nenhum momento. – retrucou o Damon.
- Mas eu estava preocupada! Só que eu imaginei que se o Klaus tinha dois bruxos do seu lado, ele também teria opções de vampiros e lobos, além do que o Tyler estava protegido aqui dentro. E se ele quisesse mesmo o Tyler teria pedido ele junto com a Elena em troca da cura.
- Faz sentido. Mas você está esquecendo uma parte, Lílian. Os bruxos do Klaus estão com a gente, então, como é que ele vai completar o sacrifício sem ninguém para realizar o ritual? – A Sophie sempre tinha esses insights.
Isso me fez parar para pensar se eu não havia perdido algum ponto dessa história. Será que o Klaus teria um outro bruxo? Não tive muito tempo para refletir, pois o Damon começou a gritar de dor e nós corremos para chamar alguém. O veneno estava se instalando em seu sangue e ele ficaria cada vez mas fraco e fora de si.


No dia do sacrifício, acordei e fui ver como o Damon estava. Encontrei o Stefan e a Elena no corredor de frente ao meu quarto, como eles na me viram fechei a porta e fiquei ouindo o que eles diziam.
- E se não funcionar? – Stefan parecia irritado.
- Vai funcionar. Todos os bruxos estão trabalhando nessa porção. – Elena parecia calma e ao mesmo tempo com pressa.
- Elena, você não precisa fazer isso. O Damon não vai se importar.
- Mas eu vou! Não vou deixá-lo morrer só porque você está com ciúmes, Stefan. Ele salvou a minha vida, é o mínimo que eu posso fazer. – disse Elena, saindo dali.
Assim que ela fechou a porta do quarto de Damon, Stefan deu um soco na mesa de canto que a fez partir ao meio e saiu em direção as escadas.
Damon estava bem, na medida do possível. Suava frio e de vez em quando tinha alucinações. Fiquei um pouco com ele, até que a Elena entrou no quarto e disse que meu pai havia me mandado descer junto com meu irmão.
Entrei no quarto do Tiago, mas ele não estava. O Giordanno estava tomando banho. Eu já ia saindo quando notei algo brilhando sobre a cama dele e resolvi ver o que era. Um frasco de vidro de aproximadamente 5 centímetros estava sobe uma pilha de roupa. Dentro desse frasco, havia um líquido branco e viscoso: uma lembrança. Ia deixá-la lá, mas algo me dizia que eu precisava ver, a curiosidade falou mais alto e a desconfiança também. Peguei o frasco e desci as escadas.
Tiago e o meu pai já estavam lá embaixo e me esperavam para passar os últimos detales da operação.
- Lílian, ainda bem que você chegou. Pensei que a Elena tinha esquecido de te chamar. – disse meu pai.
- Pai, eu não vou poder ficar. – disse me encaminhando para a porta.
- Ah, vai começar com aquela história de procurar o lobisomem de novo? – perguntou Tiago – Desencana, maninha, a mãe dele disse que ele foi visitar o tio e nós sabemos que se ele foi mesmo, não vai voltar tão cedo.
- Não e nada disso. Preciso ir a Hogwarts. – o Tiago sempre tinha as piadas mais sem graça do mundo, mas eu não estava com tempo para discutir com ele.
- O que você vai fazer em Hogwarts? – perguntou minha mãe.
- Depois eu explico. Rose, Sophie, vocês vem comigo? – perguntei pegando meu casaco.
Elas levantaram e assim que nós atravessamos o escudo protetor que circundava a Pensão Salvatore, seguramos uma na mão da outra e aparatamos.