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Alguém como você

Não contei cada segundo, minuto, hora ou dia desde que te conheci, mas sei que foram poucos. Tenho que buscar fundo na memória seu rosto, sua voz, seu jeito, tão longo é o tempo desde que nos vimos pela última vez. Me arrependo, hoje, por não ter aproveitado mais nossos encontros, por não ter olhado pra você por mais tempo. Talvez se o tivesse, lembrasse mais vividamente o arrepio que sentia cada vez que seus negros olhos encontravam os meus. Por timidez, burrice e estupidez me reservei a desviar o olhar durante nossas esparsas conversas, tentando evitar que pudesse ver em meus olhos o que tanto tentei esconder de todas as outras pessoas, tentando evitar  que os outros vissem em meu sorriso ao te olhar o que meu coração gritava a cada forte pulsar em meu peito.
Tentei esquecer, fingir que nada estava acontecendo, mas acontece que a cada conversa fui percebendo o quanto temos em comum, o quanto somos parecidos. Isso me assusta, não é que eu te ame, sei que amor não surge assim, mas estou gostando de você de uma forma como não consegui gostar de ninguém.
Te encontrei onde nunca pensei encontrar. Te conheci e percebi que nunca conheci alguém como você.

Anna Grant.
17/03/2013

Trace suas próprias metas

Viver com base em expectativas não é saudável, especialmente quando elas não são suas. Sonhar não é problema, desde que seja seu este sonho. Quando penso nisso me vem logo à mente aquela velha frase: "A vida é sua, faça dela o que bem entender". Todo mundo já ouviu isso um dia, mas ela nem sempre é de todo verdade. 
Quando nascemos, nossos pais depositam em nós suas expectativas, sonham com o nosso futuro e projetam isso em nós de tal forma que passamos a sonhar junto com eles, em ressonância. À medida em que crescemos e amadurecemos, passamos a ter nossos próprios ideais e metas, desvinculamo-nos aos poucos do que era considerado objetivo anteriormente. O grande problema é quando não conseguimos fazer isso; quando os ideais paternos encontram-se tão arraigados que, mesmo acreditando não ser esse o nosso desejo, acabamos por viver de acordo com os sonhos e expectativa dos outros por mero comodismo, para satisfazer aos outros e não a nós mesmos.
Não dá. Simplesmente não dá. A vida já é suficientemente complicada para abdicarmos das alegrias que ela proporciona em favor da felicidade alheia. Sonhe o seu sonho, tenha as suas expectativas, trace as suas metas, porque no final o arrependimento será seu. Você não é obrigado a dividir sua vida com ninguém além de consigo mesmo. Não faça o ato de se olhar no espelho maçante por enxergar do outro lado alguém completamente diferente do que você queria ser. Deixe que as suas falhas em conquistar o que deseja sejam reflexos de momentos que fogem ao seu controle e não por escolhas movidas pela satisfação alheia. Seja você, mas antes de tudo saiba quem você é.
E reforço: o conhecer a si mesmo caminha lado a lado com o saber o que se quer. Sempre que estiver a frente de uma decisão importante, não pare e pense "O que Fulano pensaria disso?", mas "É isso mesmo que eu quero?". E como saber o que se quer se nem ao menos se sabe quem é ou quem se quer ser?  

Whenever I See Your Face

A time apart
Is all I need
To heal my heart
To learn how to breathe
Again

I had it once
And thought I was fine
But you suddenly came back
And twisted my life

When I think everything is okay
That I can live without your stupid jokes
And silly faces
You come back

You have me drowning in your brow eyes
Lost in your sweet smile
It's a desire
Feeling that I can't explain
All I know is it increases
Whenever I see your face

Always wore my heart on my sleeve
And lost it so many times
I stopped keeping score

When I finally promised
No more broken heart
You took ir away
And returned into pieces

Anna Grant
(13/05/2014)

House of Wolves


Capítulo 10


“Quê?! Você andou bebendo wolfsbane? Eu não vou morar com você!” Estávamos na sala enquanto os demais discutiam na cozinha, ainda sobre a minha saída de Beacon Hills. “Annie, o seu pai disse que é perigoso você ficar aqui...” “Derek, mesmo que eu vá para a sua casa, ainda estarei em Beacon e ainda será muito fácil me pegarem.” “Não tão fácil assim. Annie, a casa onde eu moro é a mesma casa onde toda a minha família foi alvo de um massacre.” Eu tentava seguir o raciocínio dele, em vão. “E?!” “E isso a transforma numa espécie de solo sagrado. É como se os espíritos dos mortos ali protegessem a casa. Seja quem ou o que for esse louco que perseguiu a sua mãe, ele não pode competir com um solo sagrado.” Enquanto Derek falava, meu pai estava encostado na porta da cozinha nos observando e acompanhando a conversa. Me sobressaltei quando ele interveio. “Sei onde o senhor está querendo chegar, mas sou completamente contra essa ideia!”
Derek parece não ter percebido a presença dele ali e levantou-se rapidamente do sofá “Se o senhor sabe do que estou falando, deve saber que minha casa é o lugar mais seguro que pode achar para que ela fique.” “Não preciso de um solo sagrado para protegê-la. Ele está vindo para cá e não posso arriscar deixando-a aqui.” “Então, vai arriscar a fazendo fugir até que tenha o destino da mãe?” Derek e Ethan estavam frente a frente agora e pude perceber que as garras do meu amigo já lhe rasgavam a palma das mãos em punho fechado. “Chega! Parem de discutir sobre a minha vida enquanto eu estou aqui bem na sua frente. Será que ninguém vai perguntar o que eu quero?”
O dois se voltaram para mim enquanto eu falava. “Agradeço a sua preocupação, Ethan, mesmo que um tanto atrasada, mas eu não vou deixar Beacon Hills. Se a mansão dos Hale é o lugar mais seguro para mim, é para lá que eu vou.” Depois de discutir-se o assunto noite adentro, ficou decidido que logo cedo pela manhã eu me mudaria para a casa de Derek. Não estava muito animada com aquela situação, afinal eu sabia que morar com o Derek não seria muito agradável, mas eu não queria sair daquela cidade. Desde que descobrira sobre o meu segredo nunca havia me sentido tão em casa como ali. Agora eu tinha amigos, o Scott, o Stiles, a Nick, tá, e o Derek também. Mas eu também tinha o Rudolph que estava cada vez mais próximo.
Na manhã seguinte organizei todas as minhas coisas e desci as escadas. Encontrei o Derek e o Ethan cada um em uma extremidade da sala, sem trocar uma palavra. Quando me viram, os dois me ajudaram com as malas, era clara a insatisfação do meu pai com aquela situação e eu até que estava gostando disso. Ao chegar à casa dos Hale, Derek abriu a porta e não pude acreditar no que via. A casa por fora parecia completamente destruída, mas por dentro era quase um palácio. “Eu sei, você estava esperando móveis destroçados e paredes com mancha de fuligem. Desapontada?” Derek perguntou ao perceber o meu espanto. “Uau! Você que concertou tudo?” “Sim.” Ele falou meio sem jeito ao notar minha admiração. “Mas por que deixou tudo do mesmo jeito lá fora?” “O visual externo evita intrusos.” Rimos do comentário dele e subimos para colocar minhas coisas no quarto.

Derek havia separado um quarto para mim que, se é que era possível, ainda estava mais elegante do que a sala. A cama era de dossel bronze e possuía desenhos de folhas secas. Desenhos esses que também decoravam a penteadeira, o guarda-roupa e a singela lareira que ficava no canto esquerdo do quarto. Os raios de sol entravam tímidos por entre as brechas da cortina lilás que cobria a janela e que tinha os mesmos desenhos da colcha que cobria a cama: folhas secas amareladas. Entrar naquele quarto era como entrar em uma floresta em pleno outono e me deixou sem palavras. “Espero que você goste. Reparei pela decoração do seu quarto que você gosta de lilás, então...” ele começou a falar deixando minhas malas ao pé da cama, mas eu o interrompi “Está tudo lindo, Derek. Obrigada.” Me voltei para ele e percebi que me encarava. Eu não havia reparado antes, mas seus olhos eram de um castanho profundo e inebriante, meu coração acelerou e eu bruscamente desviei o olhar. Toda a beleza daquele quarto estava me deixando boba, era só isso.

The Wanted: Nathan is BACK!



Sempre quis escrever aqui no blog algo que fosse além dos meus textos e das fics, mas ficava sempre adiando. Hoje tenho mais do que um bom motivo para falar dessa banda que é a minha paixão mais avassaladora: The Wanted.
Formada por cinco caras lindos, loucos e gostosos, a The Wanted é uma boy band inglesa que conquistou seu país de origem, inicialmente, com o seu primeiro single "All Time Low" e conquistou o mundo com o hit "Glad You Came", figurinha carimbada nas festas.
No início deste ano, durante as gravações do seu reality show "The Wanted Life" e a produção do novo álbum, Max, Tom, Siva e Jay tomaram o maior susto quando o caçula da banda, Nathan (o Baby Nath) começou a sentir dificuldades em relação à sua voz e foi diagnosticado com um nódulo nas cordas vocais tendo que se submeter a uma cirurgia que poderia o impossibilitar de voltar aos palcos.
As Prisoners (como são conhecidas as fãs da banda) ficaram, assim como os garotos e o próprio Nath, muito apreensivas com a notícia e mandavam constantemente mensagens de apoio ao cantor e seus companheiros, mas algumas pessoas idiotas (sempre tem dessas) não acreditavam na total recuperação do amado Nath.





Hoje, depois de passar mais de dois meses afastado dos compromissos da banda e contra todas as expectativas dos "haters", Nathan voltou aos palcos em apresentação no Summertime Ball da rádio Capital FM na Inglaterra. Voltou, provando que não importa as dificuldades que enfrentamos na vida, podemos sim levantar mais uma vez e prosseguir. Vendo as fotos dele reunido com os demais integrantes da banda não pude deixar de chorar e me emocionar. 
Nathan sempre foi o meu preferido (que os outros não me escutem rsrsrs), e com certeza The Wanted não seria a mesma sem ele, sem a sua voz potente, seu jeito de criança, sua carinha de Sid (Era do Gelo) e sua coleção de bonés. Agora vou finalmente apertar o play e ouvir "I Found You" sem sentir um aperto no coração, temendo não ter mais a chance de vê-lo cantar o tão marcante "I said peopleeee..." ao vivo novamente.




Mal De Amor

Cadê você que não está?
Passo o dia a te procurar
A distância não é mais problema
Mas você ainda tende a se afastar.

Será que me esqueceu?
Será que nunca pensou?
Fico aqui a sofrer
Acho que é mal de amor

Já passei por isso antes
Mas pensei que com você seria diferente
Talvez seja minha culpa
Talvez seja muito impaciente

Se me quer só como amiga
Fale logo, por favor
Vou me acostumar com você em minha vida
Vou tentar achar um novo amor.

Odeio


Odeio quando sinto esse frio na barriga a cada "bip".
Odeio o quanto quero só ouvir musiquinhas melosas.
Odeio só querer assistir filme de "amorzinho".
Odeio essa vontade louca de reler todos aqueles romances água com açúcar da minha estante.
Odeio quando lembro de você a cada musiquinha, filme ou livro romântico.
Odeio quando vejo algo que me lembra você.
Odeio quando você não fala comigo e me odeio quando vou falar com você.
Odeio sonhar com você.
Odeio quando vou dormir e acordo pensando em você.
Odeio pensar em você, ponto.
E odeio mais ainda quando percebo que na verdade não odeio nada disso.

Anna Eloyse Grant.

Maturidade

Dizem que as coisas acontecem na sua vida quando você está preparada para que elas aconteçam... Talvez isso seja verdade. Eu tentei por inúmeras vezes te esquecer, partir pra outra e até consegui, confesso, por um curto espaço de tempo. Percebi que não daria certo entre a gente e agora sei o motivo. Eu era muito infantil e carente. Precisava de você de um jeito que você não poderia ser, não é da sua natureza, e agora sei, ser atencioso e constantemente presente como eu queria. Você não é carinhoso e cheio de dedos para tratar com os outros, do contrário, é reservado e raramente se dispõe a manifestar seus desejos e seus pensamentos. Eu queria e precisava de alguém que pudesse fazer isso; queria um romance de conto de fadas e você nunca foi um príncipe. Agora eu sei o que estava me faltando naquela época, era maturidade.
Acho que eu consegui adquirir durante esse tempo que não pensei em você, que desviei minhas atenções para mim, que cuidei de mim, como todos diziam que eu deveria fazer. Mesmo machucando saber que não pude te ter, suportei e superei, pelo menos nos últimos meses. Me mantive distante, evitando qualquer tipo de contato até que foi inevitável.
Conversar com você agora e até mesmo te olhar já não é mais tão difícil. Deixou de ser uma razão para expectativas e coração disparado para se tornar um ato normal. Mas mesmo assim, mesmo não ficando mais tão nervosa em sua presença, eu sei que aquele sentimento de tempos atrás ainda não morreu, eu só aprendi a lidar com ele de forma adulta, de forma madura.

Amor de verão

A brisa do mar no verão trouxe mais do que paz ao meu coração. Quando o que menos esperava fosse encontrar uma paixão, você surgiu. Me tirou o foco, a determinação. Jogou meus planos pelo ralo e nem se preocupou em me perguntar se podia. Ao simples olhar, me roubou a respiração e tudo o mais que tinha naquele momento. Queria seguir, mas os laços que nos prendiam eram mais fortes e poderosos do que meu desejo de continuar na caminhada. Você me tirou o chão, me roubou a linha, me frustrou os pensamentos. E agora me deixou. Sem rumo, sem forças. Sigo na esperança de um dia te encontrar novamente e em seus negros olhos ver que tudo isso não foi em vão. Que o que eu senti, você sentiu. Voltar aqui dói, mas é preciso. Olhar essa paisagem e não te ter ao meu lado é insuportável. Fizemos promessas, rasgamos convenções, sonhamos com um futuro só para nós, feito à mão. Mas no fim, chegou o outono e percebemos que tudo aquilo foi puro amor de verão.

Vai Passar

Tá tudo bagunçado. Roupas pelo chão, sapatos sobre a cama, janelas abertas e o som do vento a sacudir a cortina. Tá tudo bagunçado. A porta está aberta, mas ninguém quer entrar, as vozes que um dia me diziam que tudo ficaria bem se calaram. O som dos pássaros ecoa em seu lugar. Queria poder dizer que está tudo bem, que depois de tanta pancada, decepções já não me afetam mais. Estaria mentindo. O coração dói a cada pulsar por lembar como era ao te encontrar. Paredes me prendem como em um cárcere eterno onde tudo que vejo se perde na memória do seu olhar. Cansei de chorar feridas que não saram, pois a cada nova cura tem alguém a espreita para perturbá-la. Tá tudo bagunçado e está doendo, mas não vou dizer que vai passar. Isso só o tempo dirá.

House of Wolves


Capítulo 9



O telefone estava tocando sem parar em cima da cama. O rapaz alto de corpo bronzeado saiu do banheiro com a toalha enrolada na cintura para atender. “Alô?” disse ele com a voz grossa. “Rudolph, onde você estava? Fiquei preocupado por não ter atendido logo.” “Mestre, é o senhor?” “Sim, Rudolph, sou eu. Acabo de saber sobre os acontecimentos aí e não estou nada feliz.” “Senhor, eu estou fazendo o que posso.” “Não me parece o suficiente. Espero que você não falhe comigo.” O homem do outro lado da linha parecia enfurecido. “Mestre, a garota é difícil, não consigo me aproximar mais para dar continuidade ao plano.” Rudolph estava nervoso. Ele aparentava respeitar muito o Mestre. “De qualquer forma estou indo para Beacon Hills. Devo chegar amanhã ou depois. Sinto que as dificuldades vão aumentar e talvez você não consiga lidar com elas sozinho. Só espero que até lá você não faça nenhuma besteira!” “Não se preocupe mestre, vou manter o plano até que o senhor chegue.”
Antes que o Rudolph pudesse dizer alguma coisa, o Mestre já havia desligado.

Já havia perdido a noção do tempo que passara trancada em meu quarto. Ao ver o meu pai, ali, parado na minha frente, não senti nada além de surpresa. Sei que ele é o meu pai, que eu deveria ter ficado feliz em vê-lo, mas ele não significava nada pra mim. Fugira na primeira adversidade por que passei e, tirando o dinheiro que mandava todo mês, não me mandou notícias desde então.
O Guilherme estava claramente furioso com a chegada do meu pai e continuou a discutir com ele até que o Bruno chegou e acalmou os ânimos. Me despedi do Derek e subi para o meu quarto; apesar de ter muitas perguntas a fazer à nossa visita inesperada, não estava a fim de fazê-las agora. Depois de olhar o relógio e constatar que já eram quase oito da noite, tomei um banho rápido e desci para comer algo.
O Guilherme tinha saído para o plantão e o Bruno conversava na mesa da cozinha com o meu pai. “Annie, você mal falou com o seu pai.” O Bruno mudou de assunto assim que me viu. Olhei para o meu pai com indiferença e o cumprimentei: “Olá, Ethan. Como vai?” Ele me olhava encantado, como se eu fosse algum tipo de criatura de outro mundo. “Annie, senti tanto a sua falta!” Ele se levantou e veio em minha direção para me abraçar, mas eu me esquivei. “Não foi o que pareceu. Você passou quatro anos para vir me ver, acho que não fiz tanta falta assim.”
Ele imediatamente tirou o sorriso do rosto e colocou um olhar triste. “Porque demorou tanto? Porque vir só agora?” “É complicado, mas eu prometo que vou lhe explicar tudo se você me der uma chance.” Não respondi, me detive a olhá-lo com indiferença e seguir em direção à geladeira.
Me abaixei para pegar o pote de geléia e senti um aperto em meu braço. Por instinto, levantei e me desvencilhei do meu pai que me segurava com força e tinha o olhar fixo em meu pescoço. “O que é isso? Onde você conseguiu?” ele perguntou, rodando na mão o pingente do meu colar. “Achei em um diário que a mamãe deixou pra mim... ei!” Antes que eu pudesse impedir ele já o havia arrancado  e segurava próximo ao rosto. “Quem você pensa que é para invadir a minha casa e quebrar o colar que era da minha mãe?” A fúria em mim era tanta que o Bruno, percebendo que eu não ia me controlar sozinha, me segurou para que eu não avançasse no Ethan.
“Isso não é da sua mãe. Não pode ser! Desde quando você está usando esse colar, Annie?” Ele correu para uma pequena maleta de madeira revestida em couro que estava ao seu lado na mesa e começou a procurar algo entre frascos que haviam lá dentro. “Encontrei ontem à noite no diário daminha mã que o Bruno me deu. Estou com ele desde então. Pra que você quer saber?” Eu estava preocupada agora, se o colar não era da minha mãe, então de quem seria? Ethan não respondeu a minha pergunta e, ao invés disso, passou a folhear um grande livro de aspecto desgastado e capa dura que estava em sua mala.
“O que você está fazendo?” Ele continuou a me ignorar e colocou o colar em um frasco com o que pareceu ser uma folha e algumas gotas de uma solução que ele havia posto. Abriu o livro e agora começou a falar o que parecia um encantamento. “Ei, será que você pode me explicar o que está acontecendo aqui?” Eu estava a ponto de quebrar tudo se ele não me desse atenção. “Annie, espere. Deixe seu pai terminar.” O Bruno veio em defesa dele e segurou meu braço mais uma vez. “terminar o quê?” No momento que eu terminei de falar, uma chama preta irrompeu de dentro do frasco onde estava o meu colar e o transformou em pó.
Nem mesmo o aperto forte que o Bruno deu em meu braço conseguiu me segurar naquele momento. Pulei em cima do meu pai o derrubando no chão. Meus olhos estavam verdes e como de lobos e a fúria que subia em mim era impossível de controlar. Estava a ponto de morder seu pescoço quando a campainha da casa tocou e me trouxe de volta à realidade, respirei fundo e consegui me controlar. Rudolph estava à porta e viera para estudar comigo, já tinha até me esquecido que marcara com ele. Apesar de querer muito ficar perto dele, disse que estava muito cansada e o despachei; tinha assuntos mais importantes para tratar neste momento.
“Agora o senhor vai me explicar o que aconteceu aqui.” Eu me voltei para Ethan na hora que a porta da frente se fechou. “Annie, não há tempo. Você precisa sair daqui. Agora!” Já não estava entendendo mais nada. “Sair? Da minha casa?” “Annie, você leu o diário da sua mãe, não foi?” fiz um movimento afirmativo com a cabeça e ele virou imediatamente para o Bruno “Como você conseguiu o diário?”. Meu protetor parecia atordoado com tudo que havia acontecido ali “Caroline me enviou poucos dias antes de morrer”, respondeu Bruno. Ethan começou a praguejar “Havia alguma carta junto com o caderno?” “sim, dizia que eu deveria entregar à Annie quando ela soubesse de toda a verdade, assim ela iria entender e perdoar a mãe.” Depois que o Bruno respondeu, Ethan voltou-se novamente para mim.
“A pessoa de quem ela fala no diário, o cara que nos perseguiu por anos e que provavelmente enviou o diário para o Bruno, foi ele quem fez esse colar. O que eu acabo de destruir é uma espécie de localizador. Ele procura por você há anos e agora que você usou o colar, já sabe onde você está, precisamos te tirar daqui.” “Eu não vou largar tudo por causa de um louco! Li o diário e vi o quanto minha mãe sofria ao viver fugindo, não quero ter o mesmo destino. Não vou jogar tudo pro alto, faculdade, amigos, por que um idiota está atrás de mim.” “Filha, eu entendo o seu sentimento, mas ele é perigoso. Eu e sua mãe não fugíamos dele porque achávamos legal.”
Ele só podia estar brincando, né? Eu não iria mesmo sair pelo mundo fugindo com um cara que se diz meu pai, mas que na primeira oportunidade que teve me deixou sozinha quando mais precisava de apoio. Rebati todos os argumentos dele e, pouco depois do início da nossa conversa, o Guilherme chegou e ajudou a mim e ao Bruno (que também era contra a idéia de fugir) a fazer meu pai desistir dessa loucura.
O Derek veio mais tarde para saber se estava tudo bem e eu contei a ele tudo que havia acontecido, ele então teve uma das idéias mais absurdas que eu já vi: me convidou para morar com ele.

Epitáfio

Já ouviu falar naquela velha história de "só dá valor quando perde"? Pois é, hoje eu comecei a acreditar... O tempo passa rápido demais, essa é a mais pura verdade, e quando você menos espera aqueles 15 minutos de insegurança ou a meia hora de covardia te custam caro. Não estou aqui pregando a inconsequência e a irresponsabilidade, afinal, tudo tem q ser pensado e pesado antes de se tornar ação, mas pensar demais atrapalha. E muito.
Olhar pra trás e ter que dizer "se" é horrível. Dá uma sensação de "abestalhamento" completo. A sensação de deixar passar oportunidades é frustrante, o saber que poderia ter feito diferente e que, se tivesse, agora tudo estaria melhor, é mortificante.
Quer sair, saia. Quer curtir, curta. Quer arriscar, arrisque. Chega de ouvir conselhos de gente que está mais pra trás do que você. Quem tá vivendo é você e só você sabe, melhor do que qualquer um, o que está arriscando e o quanto vale aquele passo.
Viva com responsabilidade, mas viva intensamente. As lembranças serão suas e de mais ninguém assim como as decepções e lágrimas derramadas. Corra atrás do que deseja, afinal ninguém merece ouvir "epitáfio" e sentir o coração doer a cada verso por ver sua história cantada.

Anna Grant.

House of Wolves



Capítulo 8


As últimas páginas do caderno que Bruno me dera estavam em branco, mas na penúltima havia um envelope colado. Abri e dentro dele havia um colar com dois pingentes, um em cada extremidade. Cada um trazia uma inscrição desgastada pelo tempo e na parte interna da aba do envelope havia uma inscrição: “Para: Annie.”
Tirei o colar e fiquei observando por um tempo. Resolvi colocá-lo em meu pescoço para depois perguntar o seu significado ao Bruno ou, quem sabe, achá-lo durante a leitura do caderno. Continuei a folhear, mas não havia nada de importante. Percebi que meus pais haviam viajado por todo o mundo fugindo de um alguém que minha mãe denominava “Ele.” Procurei por uma data próxima ao meu nascimento e percebi que um ano antes de eu nascer eles começaram a morar em Los Angeles. Segundo a minha mãe, a nossa vizinha, senhora Cattermore, havia protegido eles.
A senhora Cattermore morrera um ano depois do meu nascimento em circunstâncias suspeitas. Foi aí que me pai me levou para Dallas e que minha mãe resolveu se afastar de nós. Essa era a última página escrita do caderno.
Tentei organizar as idéias para entender melhor o porquê de a minha mãe ter nos deixado, mas depois de passar a noite lendo e relendo aquelas linhas desgastadas, desisti. Ela não havia explicado nada, apenas relatado o que ocorrera depois de conhecer o meu pai. Não conseguia entender o motivo de ela ter deixado aquele diário para mim, eu não conseguia entender a sua mensagem. Sim, havia alguém perseguindo eles e eles rodaram o mundo fugindo dessa pessoa, mas porque Ele os perseguia? Porque eles tinham tanto medo? O que a minha mãe tinha que Ele tanto queria?
Minha cabeça já estava latejando de tanto me forçar a entender aquele labirinto. Olhei para o relógio e já eram duas da manhã. Resolvi dormir, afinal no dia seguinte teria prova e não havia estudado nada ainda. Tive sonhos perturbados em que uma coisa me perseguia no meio da floresta e quando ela conseguiu me alcançar, acordei assustada.
Cheguei na sala de aula e encontrei a Nick revisando a matéria com o Matt. Ela nos apresentou e me convidou para estudar com eles. Olhei em volta e percebi que o Rudolph não havia chegado ainda. Li rapidamente minhas anotações, agradecendo pelos meus poderes de lobo que me permitiam assimilar facilmente a matéria. Apesar de lembrar bastante do que havia lido, na hora da prova não fui muito bem porque não consegui me concentrar pensando na noite passada.
Terminei a prova e saí da sala apressada. Tentei acompanhar o Rudolph que havia saído pouco antes de mim, mas assim que abri a porta ele já estava fora de vista. Desisti de encontrá-lo porque queria chegar logo em casa para perguntar ao Bruno sobre o colar que achara no diário da minha mãe. Peguei o caminho de casa e, enquanto passava próximo à entrada da reserva ouvi um barulho estranho vindo do meio das árvores.
Entrei na floresta e segui caminhando pela trilha, até que ouvi passos atrás de mim. Quando me virei algo me derrubou e pressionou meu corpo contra o chão. Antes que eu pudesse gritar ou tentar me desvencilhar, ouvi um rosnado a minha frente. Derek pulou sobre a criatura que me atacara e, acuada, ela fugiu por entre as árvores. “Você está bem?” Ele estava voltando à sua forma normal e só agora eu realmente havia notado uma diferença entre nós. No dia que eu o atacara estava com tanta raiva que não percebera que ele, diferente de mim, ao se transformar, não adquiria forma completa de lobo. “Estou.” Respondi enquanto ele me ajudava a levantar, mas permaneci olhando-o fixamente. “Algum problema, Annie?” “Não, nenhum. Está tudo bem.”
Apesar da minha insistência em dizer que eu podia voltar só para casa, ele me acompanhou até a porta sempre perguntando como eu estava. Abriu a porta pra mim e eu me assustei ao ouvir gritos de discussão na cozinha. Corri para lá, seguida de perto pelo Derek. Ao chegar encontrei o Guilherme aos brados discutindo com meu pai.

Desabafo

Estou cansada e sei que vocês também estão. De abrir essa página e só ver fics inacabadas e reclamações da minha vida, mas fazer o quê, né? Aí vai mais uma: Porque tudo é tão complicado? Você quer alguma coisa e, para "não fazer papel de bobo" e correr atrás, resolve ficar nessa sua cadeira, olhando pra tela do pc, lendo esse blogzinho mais ou menos esperando que tudo caia do céu. Levanta e CORRE ATRÁS!!!!
Vish, revoltei... rsrsrs. Mas é sério! Tenho visto tantos (e eu me incluo nesses "tantos") que simplesmente olham pra sua vida, dizem que tá uma merda, sabem o que está faltando e não fazem nada pra conseguir. Alô, galera, nada cai do céu!

Mas não vou ficar aqui só brigando com vocês, afinal eu sei que muitas vezes as coisas não dependem só de nós (no meu caso é assim). E também não vou vir aqui escrever post de autoajuda mandando vocês nunca desistirem. Desistam sim! Se já tentou, se já correu atrás, se já demonstrou seu desejo, se já "fizeram papel de boba" e não teve resposta, desista! Respire fundo e bola pra frente! E não chore! Se não deu certo, se ele (não adianta disfarçar, vocês sabem que o ponto chave é "ele") não percebeu,ou esnobou, ele não te merece e muito menos merece seu rímel borrado, colega!

Detesto conselhos e frases feitas, mas... no futuro, quando você olhar pra trás e lembrar de tudo que aconteceu, do jeito que você o olhava e ele simplesmente não dava a mínima, das horas gastas na internet tentando puxar assunto com ele enquanto o lesado fazia pouco caso, dos dias que você esperava ansiosamente pra que ele viesse falar com você e ele nem te olhava,quando  lembrar de todas as vezes que chegou em casa se sentindo menor e mais insignificante que uma formiga e correu pra ouvir aquelas músicas bem "animadas" de Backstreet Boys e Ed Sheeran, você vai rir. Confie em mim, vai gargalhar! E vai também olhar pro seu lado, encontrar o seu príncipe ao volante te levando pra casa depois de um jantar romântico e vai entender... vai entender que você teve que passar por tudo aquilo, vai entender porque não deu certo com aquele idiota.



Anna Grant

House of Wolves

Capítulo 7



Não consegui dormir o resto da noite. Talvez porque passei o dia deitada, mas acho que foi pela visita inesperada do Rudolph. Quando eu penso que está tudo caminhando para mais um fracasso, ele aparece na minha casa todo preocupado comigo. Acordei no dia seguinte revigorada. Não havia esquecido todas as mentiras em que minha vida tinha se baseado até aquele momento, mas a idéia de um imprinting correspondido me animava bastante.
Cheguei na sala de aula e a Nick foi me enchendo de perguntas e reclamações por não ter atendido seus telefonemas. Tentei explicar, mas ela ficava repetindo que isso não era coisa que se fizesse com uma amiga, então desisti de discutir e fiquei fingindo ouvir o que ela dizia até que um perfume completamente inebriante inundou minhas narinas. Virei repentinamente para a frente e Rudolph estava prestes a abrir a porta. Ele entrou na sala e eu sorri pra ele, ao que ele nem me notou. Sentou na primeira carteira da minha fila e ficou imóvel olhando para o quadro. Meu sorriso esvaiu-se e o professor iniciou a aula.
Definitivamente eu nunca iria entender os homens. Um dia ele chega na minha casa todo preocupado comigo porque faltei aula, no outro nem sequer olha na minha cara. Aquilo era muito mais difícil do que me acostumar com um imprinting em que via todos os sinais de perda. Era como se ele brincasse de ioiô com o meu coração. A aula terminou e eu saí da sala chateada pela possibilidade de falsas esperanças. Nick havia me perdoado pelos telefonemas e já estávamos conversando normalmente.
Sentamos no refeitório e ela começou a contar do garoto novo que tinha chegado no dia anterior na nossa sala. Ele sentou lá atrás então eu nem havia reparado nele hoje, mas a Nick não perdeu um segundo. O nome dele era Mathew Collins e tinha acabado de chegar do Kansas onde morava. Ela conversara com ele ontem e era isso que estava tentando me contar o dia inteiro com seus telefonemas. Depois que ela contou sobre ele e como ele era bonito, voltamos para o assunto Rudolph.
“Me assustei ontem quando estava conversando com o Matt e ele apareceu perguntando por você. Tá rolando um clima?” ela perguntou com aquele olhar de investigadora. “Que clima? A gente mal se fala, se é que você não percebeu.” Falei um pouco irritada e ela notou. “Nossa, calma! Só fiz uma pergunta.” “Desculpa, ando um pouco estressada com alguns problemas de família.” “Algo que queira dividir?” Eu adoraria compartilhar com alguém de fora toda aquela loucura que era a minha vida, especialmente com a Nick que era uma verdadeira amiga, mas eu não podia. Não podia simplesmente dizer a ela que a minha mãe lobisomem havia me abandonado, que todos diziam que ela estava morta quando ela não estava e que ela havia feito tudo aquilo para me proteger sabe-se lá de quê. Mas ao invés de dizer tudo isso, respondi apenas que não queria falar sobre o assunto.

Estava estudando no meu quarto quando o Bruno bateu na minha porta. Trazia um caderno de aparência desgastada. “O que é isso?” perguntei apontando para o objeto em sua mão. “Isso é algo que sua mãe deixou para você.” Dizendo isso ele me entregou o caderno. “Espero que você leia e entenda o que a levou a deixá-la.” Peguei o caderno e o abri. Era um diário onde, aparentemente, minha mãe havia escrito cada parte importante da sua vida. Folheei e percebi que ela não havia escrito todos os dias. Cada página ocupada tinha um mês ou um ano diferente da anterior. Bruno saiu do quarto dizendo que iria me dar um pouco de privacidade. Olhei mais uma vez para o diário sem saber o que fazer. Parte de mim queria lê-lo capa a capa para descobrir os mistérios que envolviam a minha mãe, mas outra parte queria voltar à época em que eu só sabia que ela tinha morrido. Abri em uma página aleatória e comecei a ler:

13 de maio de 1991
Ethan e eu estamos partindo para a França. Ele está atrás de nós e parece ter descoberto da nossa localização. Enquanto organizava minhas coisas, comecei a pensar se valia mesmo à pena viver fugindo daquele jeito. Talvez se eu não tivesse conhecido o Ethan e me apaixonado por ele, nada disso estaria acontecendo. Não gosto de pensar nisso. Não quero colocar a culpa de toda essa confusão num sentimento tão puro e sublime que é o nosso amor.


15 de junho de 1991
Estou cansada de fugir, mas sei que não posso parar. Ele não vai desistir. Ethan tenta me passar força dizendo que um dia ainda vamos conseguir viver em paz, mas acho que nem ele acredita mesmo nisso. Já rodamos o mundo inteiro e não conseguimos parar em um só lugar por mais de uma semana. Eu sei que Ele vai nos caçar até a morte e às vezes da vontade de dar a Ele o que tanto quer. Não me importo se morrerei no processo, mas pelo menos isso faria o Ethan viver em paz.


Quanto mais eu lia, menos eu entendia. Meus pais haviam passado sua vida inteira fugindo de alguém. Alguém que eu não saia nem o nome e que, pelo visto, era a mesma pessoa que matara ela. Mas porquê? O que a minha mãe tinha de tão especial para fazer um cara rodar o mundo atrás dela?

House of Wolves


Capítulo 6


A cada dia que passava, o meu imprinting ficava mais forte e parecia que quanto mais forte, mais fadado ao fracasso ele se mostrava. Rudolph não havia mais conversado comigo nem olhado pra mim, parecia que ele procurava ficar o mais distante possível de mim. Tentei não pensar nisso, pois cada vez que a idéia de ter o coração partido mais uma vez tomava conta de mim, tornava-se mais difícil viver. Por outro lado minha amizade com o Derek parecia ter engatado. Ele vinha sempre a minha casa e ficávamos horas conversando, vez ou outra o Scott e o Styles também davam o ar da graça.
Derek era um cara bacana, mas com quem o destino já havia brincado várias vezes. Ele perdera toda a família em um acidente há cinco anos atrás e agora a irmã morrera de causas desconhecidas. Era muito fechado em relação a falar de si, mas adorava ouvir sobre minha vida. Sempre que eu tentava fazê-lo falar sobre a minha mãe, ele se esquivava do assunto. Eu havia achado estranho o fato dele dizer que conhecera ela, já que quando ela morreu, ele deveria ter pouco mais de quatro anos.
Uma tarde em que estávamos sentados na varanda da casa, perguntei a ele porque se incomodava tanto quando eu tocava no assunto da minha mãe. “Não quero que você fique triste. Deve ter sido difícil perdê-la.” “Foi mesmo. Mas não é como se eu sentisse muita falta, quer dizer, eu nem cheguei a conhecê-la, ela morreu quando eu tinha um ano.” Ele se sobressaltou na cadeira e olhou assustado para mim. “Um ano? E quantos anos você tem?” “18. Porquê?” “Annie, o nome da sua mãe era Caroline Balmer?” “Era. Porquê?” eu já estava começando a ficar impaciente com o jeito com que ele me olhava. “Eu não acho que sua mãe morreu quando você tinha um ano.” “Do que você está falando?” “Eu conheci a sua mãe. Ela vivia na minha casa conversando com a minha mãe. Ela estava lá no dia do incêndio.” “Não, você deve estar enganado. Minha mãe morreu há 17 anos atrás. Caçadores a mataram.” “Não, Annie. Eu conheci a sua mãe, não estou ficando louco. Ela era muito amiga da minha mãe.” O Derek estava pirando, só pode. “Não pode ser. Se ela estava viva, porque não me procurou? Porque não me ajudou quando eu mais precisei.” Estava agora pensando em voz alta.
Derek aproximou-se de mim como se fosse me consolar, mas eu me afastei. Entrei em casa e me tranquei em meu quarto, detestava que me vissem chorar. Precisava ter calma, talvez o Derek estivesse enganado, pode ser que tenha outra Caroline Balmer no mundo. “Annie, o que aconteceu? Você entrou em disparada e o Derek ficou me pedindo desculpas... por favor, abra a porta.” Bruno estava batendo. Eu não queria abrir, mas precisava, só ele poderia esclarecer aquela confusão toda que havia se formado. Abri e o deixei entrar. “O que aconteceu? Você está chorando? Foi algo que o Derek fez?” “Tá mais pra algo que ele disse.” Respondi áspera. Não sabia como perguntar aquilo, então joguei toda a história, não sabia como enrolar. “Porque você nunca me disse que a minha mãe estava viva?” perguntei e, dada a pausa que se deu depois da minha fala e a tensão que se pôs sobre o quarto, percebi que era verdade, minha mãe estivera viva durante treze anos e ninguém nunca me disse nada. Minha raiva foi tão grande que tive vontade de quebrar todas as paredes que estavam ao meu redor, mas só tive forças pra chorar.
“Annie, tente entender, sua mãe estava tentando te proteger. Ela estava sendo caçada e não podia arriscar a sua vida.” “Isso não é justificativa para se abandonar um filho. Porque não me explicaram isso antes? Porque me deixaram pensar que ela havia morrido?” “Annie, era a vontade dela. Ela voltaria para te ver. Estava se preparando para voltar quando o incêndio aconteceu.” “Depois de treze anos? Depois de todo esse tempo ela queria voltar?” “Ela queria explicar tudo para você no dia da sua primeira transformação, quando você fez treze anos. A intenção dela nunca foi abandonar você.” “E porque vocês não me contaram isso antes?” “Pra quê? Pra você ficar mais triste. Minha querida, eu via nos seus olhos o pesar por ter sido deixada pelo seu pai, não queria que você achasse que a sua mãe fizera o mesmo.” “Mas no fim ela fez. Me deixou sozinha sem saber o que fazer com essa herança maldita.” A raiva que eu estava dela agora juntava-se à de me sentir sozinha, condenada a amar quem não me amava por uma maldição que ela havia me deixado. Bruno abraçou-me e, como mágica, me senti protegida em seus braços. Não me lembro de uma única vez que meu pai tenha me abraçado como ele fazia, como se fosse levar consigo cada problema e insegurança que eu sentia.
Era difícil aceitar que mais alguém havia me deixado pra trás. A insegurança que tomava conta de mim era tão grande que não consegui levantar no dia seguinte para ir à aula. Não queria ter que olhar na cara do Rudolph e ver seu olhar distante do meu. Nick havia me ligado umas dez vezes, mas eu não conseguia nem ao menos estender a mão para minha mesinha ao lado da cama e pegar o celular. Meus lençóis pareciam incrivelmente confortáveis, como se me abrigassem e protegessem do mundo. O Bruno e o Guilherme bateram algumas vezes na minha porta, mas como não respondi, eles desistiram.
Já era noite quando consegui me levantar. Tomei um banho e me permiti descer para comer alguma coisa mesmo sem fome. Quando estava na cozinha com a porta da geladeira aberta e olhando para o seu interior como se esperasse que a comida saísse sozinha, a campainha tocou. O Guilherme atendeu e eu pude ouvir a voz de quem chegara. Mesmo com meus instintos aguçados, hoje eu não estava muito no ânimo de ouvir conversas, mas aquela voz me chamava como o sino aos fiéis da igreja.
Rudolph estava parado à porta com uma jaqueta de couro preta, calça jeans surrada e seu cabelo sempre bagunçado-arrumado. Fechei imediatamente a porta da geladeira e como uma garotinha boba me olhei no vidro do armário. Meus olhos estavam cheios de olheira, meu cabelo só o bagaço e vestia um pijama velho. Tive vontade de subir e me arrumar, mas para chegar à escada teria que passar pela sala e ele me veria de qualquer jeito. Fingir que não estava também não dava porque o Guilherme já estava gritando meu nome a plenos pulmões. Tentei dar um jeito no cabelo e saí em direção à sala.
Rudolph ainda estava à porta e ao me ver, sorriu com aqueles dentes perfeitamente brancos. Eu deveria parecer uma boba, porque o Guilherme ficou me olhando como se eu tivesse uma doença contagiosa. “Annie! Você não apareceu na aula hoje e a Nick me disse que você não atendia o telefone, pensei que tivesse acontecido algo.” Pára tudo! Ele tinha vindo saber se eu estava bem? E ele tinha falado com a Nick, com quem nunca falara antes, só pra saber notícias minhas? Ele estava preocupado comigo! “Está tudo bem. Só não estava no clima de aula hoje, não precisava se incomodar de vir aqui.” Falei isso, mas por dentro eu gritava que precisava sim. “Não foi incômodo algum. Moro aqui perto.” “E como você soube onde era a casa dela?” O Derek havia aparecido do nada atrás dele e estava de braços cruzados e com olhos de sangue olhando para ele como se prestes a atacá-lo. “Foi fácil. A Annie se mudou há pouco tempo, só sair perguntando.” Ele se virou e respondeu todo educado, uma fofura mesmo, mas o Derek não mexeu um só dedinho. Dado o clima pesado que havia se instalado com a chegada do Derek, o Rudolph se despediu: “Bem, já que está tudo bem com você, eu vou indo. A gente se vê amanhã na aula?” “Claro.” Respondi toda boba e o acompanhei com o olhar até ele seguir para o lado da casa do Scott. Olhei enfurecida para o Derek, mas depois da saída do Rudolph ele se tornara outra pessoa. Estava todo atencioso. Perguntou-me se eu estava bem e me pediu mais uma vez desculpas por ter falado sobre a minha mãe. “Tudo bem, Derek. Pelo menos agora eu sei.” Queria brigar com ele por ter aparecido na hora errada, mas ele estava to preocupado e ressentido sobre ontem que preferi não inflamar.

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Capítulo 5


No dia seguinte o garoto misterioso sentou ao meu lado e eu criei coragem, mesmo em meio aos batimentos acelerados do meu coração e à falta de ar que me dominava, de me apresentar. Ele virou para mim e sorriu. Disse que seu nome era Rudolph e que ele morava sozinho na cidade. Não sei como consegui falar com tudo que estava sentindo no momento, mas nós conseguimos conversar um bocado antes do professor chegar. Era aula de Antropologia e o professor resolveu fazer a chamada para conhecer melhor os alunos. Ele chamava cada um pelo sobrenome e eu fui a primeira. Quase no final ele chamou por Hunt e Rudolph levantou a mão. Conhecia esse sobrenome de algum lugar, mas não conseguia lembrar de onde. Passei o resto da aula tensa com ele sentado ao meu lado.
Ao fim da aula, Derek me esperava acompanhado de Scott e Styles. Rudolph passou por nós e eu sorri, mas ele não parecia ter visto. Quando olhei de volta para o nosso grupo, Derek me encarava com olhos de fogo, fingi que não tinha visto e resolvi me concentrar na conversa dos meninos. Styles estava todo empolgado com uma festa que iria ter na reserva aquela noite e o Scott também porque seria seu primeiro encontro com Allison. “Acho isso uma péssima idéia. O alfa pode tentar entrar em contado com você e terminar em derramamento de sangue.” O Derek estava completamente revoltado com aquela situação e eu ainda não entendera por que. “Vamos deixar para discutir isso em casa. Alguém pode escutar aqui.” Dizendo isso seguimos para a minha casa. A casa estava vazia. Guilherme no plantão e o Bruno no supermercado. Depois de muito discutirmos, resolvemos ir à festa, Derek era voto vencido. Eu estava com uma sensação boa daquilo tudo depois do que ocorrera hoje na aula.
Às oito em ponto, Styles me esperava na porta de casa, ele seria meu par enquanto Scott levaria Allison. Confesso que não gostei da idéia; Styles era legal, mas um tanto irritante às vezes e parecia querer impressionar os amigos saindo com uma garota da faculdade. Passou quase a festa toda tentando me exibir como troféu. Quando finalmente consegui me livrar dele, ouvi um grito vindo da floresta. Eu conhecia aquela voz e sai correndo, era Derek. Ele estava deitado a 10 metros de onde a festa estava acontecendo e seu braço sangrava. “O que aconteceu?” “Caçadores. Preciso que me tire daqui.” Chamei o Styles para ajudar e levamos ele para o carro. Chegamos em casa e o Guilherme tentou tirar a bala, mas ela havia se liquefeito. “Eu não entendo, nunca vi uma bala assim.” O ferimento não se curava e a cada minuto ia adquirindo uma coloração arroxeada. Era como um veneno. “Wolfsbane! Precisamos saber a espécie para curá-lo.” Bruno teve um insight. “Já vi isso acontecer uma vez, com um tio nosso. Eles colocaram em uma flecha.” “Como salvaram ele?” “Não salvamos. Em 48 horas o veneno atinge o coração e não conseguimos achar o antídoto a tempo.”
Meu coração palpitou. Para Bruno, só havia uma chance de salvar o Derek: entrar na casa dos Argent, encontrar a bala e trazê-la. “Mas se não foram os Argent, se houverem mais caçadores na região?” perguntou o Scott que havia acabado de chegar. “Teremos que arriscar com eles, afinal são os únicos que conhecemos.” “Eu posso tentar encontrar. Allison me convidou para um jantar em sua casa, posso tentar encontrar a bala.” Disse Scott. “Procure nas coisas da tia dela, tenho certeza que foi ela.” Derek estava ficando branco e fraco.
Passei a noite ao lado dele tentando mantê-lo acordado, mas nem foi preciso tanto esforço por que com as dores que ele sentia era um tanto impossível dormir. Lembrei do que ele tinha dito sobre mais um alfa na noite passada e resolvi perguntar de novo quem seria. “ Você é um alfa, Annie.” “Eu? Impossível! Eu nunca matei um alfa pra ser um.” “Não é só matando um alfa que você se torna um. Sua mãe era um alfa e, de acordo com a lenda, ela passa para sua filha mais velha esse legado quando morre. Tanto ela quanto a minha mãe eram alfas.” “Você também é um? Por ser o filho mais velho.” “Não. Seria se meu pai fosse o alfa, mas só passa hereditariamente para filhos do mesmo sexo. A Laura era o alfa-herdeiro.” “Como você tem tanta certeza que eu sou um alfa? Você conheceu minha mãe?” “Na verdade, acho que a conheci, mas sei que você é um alfa porque tem transformação completa. Não sei se você percebeu, mas na outra noite você foi a única que atingiu completa forma de lobo enquanto eu e o Scott tínhamos apenas alguns traços modificados na transformação.” “Ah, entendi. Como você conheceu a minha mãe?” “Prefiro não entrar em detalhes.” Falando isso ele reclamou de uma dor no braço e eu apertei mais o lençol que tentava estancar o veneno o qual continuava subindo em direção ao seu coração.
O dia seguinte foi cheio de tensão. Todos estavam ansiosos pela noite e o Scott mais ainda por ter a responsabilidade de encontrar a cura para Derek. Ele passou em minha casa antes de ir à casa dos Argent, tremendo de medo, mas assim que ele viu o estado do Derek, mudou de humor. Derek estava deitado em minha cama e, depois de 24 horas da ação do acônito em seu corpo, cada veia que saia do ferimento em direção ao coração estava sobressalente e de cor roxa ou esverdeada. O veneno estava seguindo e assim que atingisse seu coração, ele morreria.
Depois do que me pareceu uma hora meu celular tocou, era uma mensagem do Scott. Ele havia enviado uma foto com uma pequena caixa de madeira onde havia uma espécie de planta desenhada em prata. Ao ver aquele símbolo, lembrei automaticamente das fotos que encontrei assim que o Bruno me contou sobre a história dos lobisomens. Aquela era a imagem do acônito azul, uma wolfsbane poderosa que tinha o poder de matar lentamente um lobisomem. Liguei para o Scott, mas a ligação ia para a caixa de mensagem. Será que ele havia sido descoberto?
Tentei contatá-lo mais três vezes e então resolvi procurá-lo. Peguei o casaco e desci correndo a escada. Ao abrira porta, encontrei ele ofegante a minha espera. “Scott! Pensei que havia sido descoberto.” “Quase... Allison... história...” ele ofegava entre uma palavra e outra. “A caixa, seja o que for que estava dentro dela, é o eu nós precisamos.” “Aqui.” Ele respondeu tirando do bolso uma bala comprida. Tomei a bala de sua mão e subi correndo. Styles, que havia ficado para cuidar do Derek, estava com um facão sobre seu braço, prestes a cortá-lo. “O que porra é isso, Styles?” “Foi ele que mandou. Disse que não ia dar tempo.” “Já deu!” respondi mostrando a bala. Abri a cápsula e lá estava um pó azul. Despejei sobre a minha escrivaninha e pedi para o Derek ficar de pé. Peguei o isqueiro e queimei a substância e depois coloquei no ferimento e mantive pressionando com o dedo bem fundo na ferida. Ele gritava de dor e se debatia, mas pouco tempo depois as veias foram desaparecendo e Derek assumia sua cor normal. Estava curado.

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Capítulo 4



A noite estava fria e nublada. Quando chegamos em frente a casa dos Hale não acreditei que alguém pudesse viver ali. A casa era as ruínas do incêndio que anos atrás matara toda a família e parecia a ponto de desmoronar a qualquer momento. Descemos do carro e imediatamente senti um cheiro estranho, era uma mistura de ferro com outra coisa e aquele odor me remeteu a um dia quando eu fora visitar o Guilherme durante uma de suas aulas. Era cheiro de sangue. O Scott parecia sentir a mesma coisa, olhou pra mim assustado e nós nos pomos a farejar o local em busca da origem do odor. Styles nos seguia sem entender nada.
Ao lado da casa havia um pouco de terra mexida e nós começamos a cavar até encontrar o que parecia ser um monte de pêlo, quando retiramos melhor a areia percebemos que era uma parte de um lobo morto e havia um cordão ao redor do corpo. Comecei a puxar mesmo tendo uma noção do que se tratava, quando cheguei ao final, percebi que era o que imaginava: wolfbane. “O que é isso?” perguntaram o Styles e o Scott ao mesmo tempo. O cordão desenhava sobre o chão uma espiral ao redor do corpo. “Um ritual. O enterro de um lobisomem.” Respondi e voltei para perto do corpo que não mais mostrava a cabeça de um lobo, mas de uma mulher: Laura. Me ajoelhei ao lado de seu corpo sem vida e chorei. Chorei pela única pessoa que havia conhecido que entendera realmente pelo que eu passava dia após dia, pela pessoa que me ajudou a superar cada dificuldade que eu encontrava por ser como era, pela minha melhor amiga.
Os meninos se aproximaram de mim e seguraram cada um em um braço porque eu mal conseguia me manter em pé. “Vejo que você a encontrou. Não sabia o que fazer com a outra metade do corpo” Disse uma voz atrás de nós, era Derek. “Seu miserável! Porque você a matou?” Não havia mais como me controlar. Me desvencilhei dos meninos e parti pra cima dele, não pude conter a transformação e quando o ataquei estava em minha forma lupina. Derek percebeu o que aconteceria e foi só o tempo de jogá-lo no chão para ele se recuperar e transformar também. Me deu uma chave de braço que o deslocou. “Eu não a matei, mas sei quem pode ter feito.” Ele respondeu e eu relaxei; algo em sua voz me fazia acreditar em suas palavras. Ele me soltou e eu coloquei de volta meu braço no lugar. Scott estava atrás de mim, também transformado a ponto de atacar o Derek e Styles estava escondido atrás de uma árvore. “Eu disse pra trazer o novato e você me trás o pateta também?” Derek olhava para Styles se divertindo com a cara de horror que ele fazia. Scott rosnou e eu tentei controlá-lo. “Vamos deixar de conversa, quem fez isso com a Laura?” “Primeiro eu achei que tivesse sido os caçadores que estão na cidade, mas depois da transformação do McCall, acredito que possa ter um outro alfa na cidade.” “Caçadores? Outro alfa?” perguntei meio desorientada. “Os Argent. Eles estão na cidade, foram eles que fizeram isso com a minha casa.” Ao ouvir o nome me lembrei de uma conversa com a Laura onde ela citou essa família. “Argent? Não pode ser!” o Scott de repente ficara branco. “Você conhece eles?” Perguntei. “A garota que eu conheci. Allison Argent.” Um frio percorreu a minha espinha. Se isso fosse mesmo verdade o Scott estava fadado a ter sua primeira decepção amorosa. “Imprinting?” perguntou o Derek. “Acredito que sim.” Respondi tensa. “Haha, já começou mal.” Ele falou com uma risadinha irônica. “Deixe de ser idiota, isso não é engraçado e nós sabemos que não!” ele se calou e eu prossegui “quanto ao Alfa, o que você sabe?” “Nada, só que ele transformou seu amiguinho aí. Mas se ele estiver disposto a colaborar, nós podemos saber bem mais.” Scott não entendeu o que ele dissera, mas eu sim. “Não, não vou pedir pra ele fazer isso, além do que é o Alfa que tem que começar a ligação e nós nem sabemos se ele vai fazer.”
O Scott, por ter sido transformado pelo Alfa, possui uma ligação direta com ele, uma espécie de telepatia. Mas eu não podia pedir que ele deixasse essa ligação se perpetuar, era muito perigoso. Geralmente a intenção de um Alfa de formar uma alcatéia era de dominar um território, procriar, ou o pior de todos: matar em larga escala. Quando expliquei isso ao Scott, ele ficou mais apavorado do que nunca. Derek permanecia balançando negativamente a cabeça como se dissesse que eu estava explicando errado: “Scott, a única forma de você se livrar da maldição é sabendo quem é o Alfa. Se você o encontrar e matá-lo, estará livre para viver como uma pessoa normal.” Ele explicou. “Acho melhor você explicar a ele as chances que ele tem de matar um Alfa!” eu retruquei, mas Scott parecia não me ouvir: “Eu quero minha vida de volta, e faço tudo por isso.” “Scott, é muito perigoso. O Alfa tem domínio sobre você, ele te criou, é o seu senhor. Não vai ser nada fácil derrotá-lo sozinho.” Tentei argumentar, mas o Derek continuava rebatendo. “Ele não vai estar sozinho. Se me ajudar a encontrar o Alfa, ajudarei você a acabar com ele. E tenho certeza que a Annie não vai te deixar sozinho nessa.” O Derek poderia muito bem estar trabalhando como advogado, só pelo seu poder de persuasão.
Concordei em ajudá-lo e o Styles, que passara o tempo todo só observando nossa conversa, levantou e disse que já eram quase oito e meia da noite, nosso prazo máximo para ficar fora antes que o Bruno acionasse meu pai em Washington, coisa que ele tinha prometido fazer. Não acho que teria feito muita diferença, afinal duvido que meu pai fosse mexer uma palha pra me salvar, mas resolvi não testar a paciência do meu tutor. Me despedi do Derek e já estava a caminho do carro quando ele me puxou pelo braço. Me virei e estava a um palmo de seu rosto. “Só queria agradecer pelo que você está fazendo pela minha irmã e me desculpar pelo seu braço.” Ele disse isso e sorriu. Não consegui responder frete àquele rosto tão perfeito, dei um sorriso bobo e quando ele me soltou saí correndo para o carro.

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Capítulo 3


Depois de uma noite mal dormida, levantei às 5 da manhã para me arrumar. Era meu primeiro dia de faculdade. Pensei que fosse estar mais animada, mas depois da notícia sobre Laura, nada mais me animava. Peguei minha mochila e desci. Engoli a vitamina que o Bruno tinha feito e saí correndo. Estava cedo ainda, mas detestava chegar atrasada, principalmente quando eu não conhecia ninguém. Saí de casa na mesma hora que o Scott, nos cumprimentamos e andamos juntos até a escola dele que ficava duas quadras antes da universidade. Ele parecia bem, mas ainda um tanto abalado com as mudanças. Marcamos de nos encontrar na minha casa depois da aula para conversarmos.
Cheguei na porta da minha sala e tinha uma garota de cabelos castanhos e uma mecha roxa encostada ao lado da porta. “Você vai fazer Jornalismo também?” perguntei a ela. “Vou sim, meu nome é Nicole, mas, por favor, me chame de Nick.” “ok, Nick. Meu nome é Annie. Você é da cidade mesmo?” perguntei enquanto apertava sua mão. “Não. Venho do Mississipi, estou morando sozinha aqui.” Entramos na sala e conversamos até iniciar a aula. Já fazia uns 15 minutos que o professor havia entrado quando a porta e se abriu. Um garoto alto com um ar misterioso entrou por ela. Ele parecia dominar cada centímetro da sala com seu charme. Não era lindo de morrer, mas possuía uma presença inigualável. Não gostei da sensação que me tomou, vinha tempestade por aí. Ele sentou duas cadeiras ao lado da minha e nem ao menos olhou para o lado. Nick me cutucou e sorriu, ela parecia ter gostado dele, eu nem tanto.
No final da aula o garoto misterioso saiu feito bala. Tudo mundo tinha conversado com alguém no intervalo ou ao menos dito seu nome para as pessoas mais próximas, mas ele não falara uma só palavra. “Bonito o cara, mas um tanto misterioso.” Nick comentou assim que saímos da sala. Ao chegar na porta da universidade o vi novamente, não o cara da sala, mas o da floresta, o irmão de Laura. Ele me encarava de um jeito nada convidativo. Despedi-me de Nick e fui até ele. “Preciso falar com você, mas não aqui.” Ele foi dizendo todo autoritário, evitava me olhar nos olhos. “Não tenho nada de importante para falar com você.” Respondi rispidamente. “Você era amiga da minha irmã e veio aqui procurando por ela, preciso saber o que você sabe sobre... sobre a morte dela. Encontre-me na minha casa ao anoitecer, se tiver dificuldades, leve o novato com você, ele sabe o caminho.” “Como você sabe sobre o Scott?” “Isso não vem ao caso.” Ele respondeu, deu as costas e saiu.
Cheguei em casa e Styles e Scott estavam me esperando na sala, conversando com o Guilherme. “Qual é a história tão engraçada?” perguntei ao ouvir as risadas deles. “O Scott conseguiu ouvir uma garota a metros de distância e agora tá todo apaixonadinho.” Olhei depressa para ele com uma expressão de espanto. Ao verem minha cara todos pararam imediatamente de rir. “O que aconteceu, Annie?” As únicas coisas que consegui dizer foram: “ai, meu Deus! Scott está com sintomas terríveis da pior das maldições que um lobisomem pode carregar: o imprinting.” Scott e Styles olharam para mim sem entender, mas o Gui olhou como se tivesse entendido e virou para o Scott com pena. Por morar comigo há tanto tempo ele já me conhecia como um irmão, eu contava tudo para ele, até mesmo minhas paixões não correspondidas. “Peraí, eu li sobre isso. Um imprinting não é quando um lobo se apaixona e começa a viver em função daquela pessoa? Mas isso não é ruim, é? Quer dizer, a pessoa tem que amar de volta.” O Styles falava enquanto eu e o Guilherme balançávamos a cabeça. “Você acertou na definição. Quando se tem um imprinting você passa a adotar aquela pessoa como seu sol, seu universo, mas não é obrigado a pessoa sentir o mesmo por você. Na maioria dos casos esse sentimento não é recíproco e é aí onde mora o problema.” “Você já sofreu imprinting?” Scott perguntou asustado. “Mas até do que eu acho que merecia.” Respondi enquanto o Guilherme só balançava a cabeça. “E o que acontece quando não se é correspondido?” “Não é muito diferente do que acontece com os humanos normais, exceto pelas cicatrizes.” “cicatrizes?” “É. A cada imprinting não correspondido você passa a acreditar que todos os outros também serão e aí você passa a ficar meio depressivo. A cada novo imprinting falho, os sintomas pioram. Quando você vê a pessoa seu coração começa a acelerar, as mãos a suar e tremer, essas coisas. Você só percebe que é um fracassado na hora de escolher por quem se apaixonar quando o seu coração bate tão rápido que chega a dar falta de ar e isso passa a acontecer com o simples fato de pensar na pessoa amada.” Scott me olhava em choque e o Styles na era diferente. “Como você faz para se curar de um imprinting?” Dessa vez foi o Gui que respondeu: “Usando aquele ditado: ‘esquecer o amor velho com um novo’.”
Não deixava de ser verdade o que ele disse, eu só conseguira me livrar de um imprinting quando surgia outro na minha vida. Mas não era bem se livrar, se o novo não desse certo eu ainda alimentava esperanças no anterior e isso era pior do que tudo. “Você parece saber descrever tudo que acontece...” Scott falou desanimado. “É, eu acho que é porque eu estou perto de viver um novamente.” Dizendo isso, me joguei na cadeira da varanda arrasada. O que eu sentira ao olhar para o cara misterioso era bem parecido com as minhas outras “ilusões”, como eu gostava de chamar. “Ah, não! De novo não!” Gritou o Guilherme levantando as mãos em protesto. “Você tem certeza?” ele me olhava como se eu tivesse em estado terminal. “Tanto quanto eu tenho certeza do quanto vou me machucar com isso. O cara nem ao menos fala!” respondi olhando pra ele, vendo sua expressão de tristeza. O Guilherme passara por todas as minhas outras aventuras amorosas junto comigo, me dando força e tentando me animar, na maioria das vezes sem sucesso.
Passei o resto da tarde conversando com eles sobre o imprinting e outras coisas de lobo. Quando olhei para o relógio já eram 6 horas da tarde, levantei e subi para me arrumar. Desci vestindo uma calça jeans escura, uma camiseta e o meu inseparável casaco de couro. “Para onde a senhorita pensa que vai?” perguntou o Bruno quando me viu passar em direção a porta. “Vou me encontrar com o Derek.” Respondi girando a maçaneta depressa antes que ele me impedisse. “O irmão da Laura? Mas não vai mesmo, não sozinha!” respondeu o Guilherme e o Bruno concordou com a cabeça. “Pessoal, nós precisamos descobrir o que aconteceu com a Laura! Estou saindo!” O Guilherme bateu a porta impedindo minha passagem. “Gui, por favor, eu preciso ir. Se não quer que eu vá só, eu poso levar o Scott comigo.” Supliquei com minha carinha de cachorro sem dono que sempre funcionava, mas falhou dessa vez. “Annie Archibald, esse Derek é suspeito do assassinato da própria irmã e você quer que eu deixe você ir a casa dele acompanhado de um lobo recém transformado para conversar?” “ok, vamos combinar assim: se eu não voltar em menos de 2 horas, vocês chamam até a CIA pra me procurar, certo?” O argumento foi convincente. Saí da casa com o Scott e o Styles que iria só nos levar até o local.

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Capítulo 2


Na manhã seguinte acordei muito cedo para arrumar algumas coisas e encontrar mais tarde com a Laura. Passei a manhã inteira ligando para ela, mas a ligação só caia na caixa de mensagem, estava começando a ficar preocupada. Depois do almoço, desci as escadas e encontrei os meninos assistindo um jogo de lacrosse na TV. “Estou saindo, vou ver se encontro a Laura.” Avisei, mas acho que eles não ouviram, tamanha era a concentração no jogo.
O céu estava limpo e o sol iluminava cada pequena flor no jardim. Era incrível como as paisagens na Califórnia era bonitas. Ouvi um burburinho vindo da casa vizinha. “Scott, você tem que me levar lá!” “Styles, você pirou? Eu não volto mais lá!” “Você tem certeza de que viu o corpo?” “claro que tenho! Tanta certeza quanto da marca de mordida que tem agora na minha cintura!” Meu coração acelerou. Styles me viu na entrada da casa olhando para eles. “Annie, tudo bom?” Parei por um segundo para assimilar se ele estava falando mesmo comigo “Tudo, Styles. Vocês estão de saída?” “Estamos. Vamos para a reserva agora. E você?” “Também estou indo pra lá. Posso ir com vocês?” O Scott parecia nervoso, mas o Styles saiu arrastando ele até o seu Jeep. “Claro que pode, entre.”
Chegamos à reserva e eles permaneceram um tanto afastados de mim cochichando. Conseguia ouvir tudo. Na noite anterior, Styles tinha levado Scott para a reserva assim que ouviu o chamado no rádio do pai. Os dois se perderam um do outro e o Scott achou a outra parte do corpo da garota e perdeu sua bombinha para asma tentando fugir de um bicho que o tinha mordido. Eles tinham me dito que iam procurar essa bombinha, mas agora pude ouvir que estavam tentando encontrar o corpo.
“O que vocês estão fazendo aqui?” Um homem alto e musculoso estava parado a uns 3 metros da gente. Ele permanecia com uma posição ereta e desafiadora. Nós paramos de repente e Scott respondeu: “Perdi minha bombinha ontem, estamos procurando.” “Aqui é uma propriedade particular. É isso que vocês estão procurando?” ele jogou um pequeno objeto na nossa direção, na mesma hora eu e Scott, por reflexo, levantamos a mão para agarrá-lo. “Agora saiam logo daqui!” “Espere. Você disse que isso é propriedade particular, sabe dizer onde fica a casa dos Hale?” perguntei enquanto a mão do Styles agarrava meu braço em protesto. “Pra quê você quer saber?” ele perguntou asco. “Estou procurando minha amiga Laura.” A reação dele foi imediata. Ele disse que não sabia de nada e nos mandou sair imediatamente. Aquele cara não sabia com quem estava falando. Eu não quis insistir para não assustar os meninos, o Styles estava quase arrancando o meu braço.
“você está ficando maluca? Aquele era Derek Hale. Ele é louco, poderia ter matado todos nós!” Styles falou depois de me forçar a entrar no carro. “Hale? Então ele é o irmão da Laura. Porque ele não disse nada?” perguntei intrigada. “Não sei e não vou esperar aqui até você descobrir.” Scott ainda estava do lado de fora do carro quando Styles tocou a chave “Scott, entra logo!” Styles gritou chateado. “Eu não to me sentindo nada bem” foi tudo que ele conseguiu dizer antes de desmaiar no meio da estada.
O colocamos dentro do carro e me lembrei do que ele tinha dito sobre a mordida. Levantei sua camisa e o Styles ficou me olhando como se eu estivesse assediando ele. Não havia marca alguma de mordida. “Styles, você tem certeza que o Scott foi mordido mesmo?” “Foi o que ele disse. Vamos levá-lo pro hospital.” Disse ele, entrando no carro. “Nada disso, vamos para a minha casa. Acho que eu sei o que está acontecendo com ele.” “HA, agora você vai me dizer que o Scott foi mordido por um lobisomem...” “Liga esse carro e segue pra minha casa, AGORA!” Algo na minha voz fez ele ligar o carro e sair tremendo dali.
Chegamos em casa e colocamos o Scott cuidadosamente para dentro sem que ninguém visse. O jogo tinha terminado e o Guilherme foi logo perguntando se a gente tinha trazido trabalho pra ele. “Bruno, eu preciso que você me ajude. Acho que um lobo mordeu o Scott aqui, acho que ele está se transformando.” O Styles virou pra mim com cara de espanto “Isso é sério mesmo? Ele vai virar um lobisomem?” “Annie, eu não sei o que posso fazer. Nunca vi ninguém ser transformado, toda a nossa família já nasceu assim.” O bruno parecia preocupado e o Guilherme foi examinar o Scott. “Vocês são lobisomens? Que porra é essa? Alguém pode me explicar o que tá acontecendo aqui?” Styles estava começando a entrar em choque. “Styles, a história é muito longa. Gui, como ele está?” “Parece bem, tirando a febre. Mas se ele estiver mesmo se transformando, a temperatura do corpo está normal.”
Deixei o Guilherme cuidando do Scott e puxei o Styles pra varanda. Contei que eu era um lobisomem, mas que ele não precisava se preocupar, eu não iria atacar ninguém, só queria ajudar o amigo dele. O Styles continuava em choque. O Guilherme chegou e avisou que o Scott estava acordado, entramos e tentei explicar tudo para ele. “Scott, você lembra o que atacou você?” “Era um lobo, mas um tanto maior do que um lobo normal. Era preto e tinha o olhos vermelhos.” Eu ainda tinha esperança que fosse a Laura, mas pelo que lembrava ela tinha os olhos azuis ao se transformar. “o que vai acontecer comigo agora?” ele me perguntou assustado. “Sua vida vai mudar um bocado. Seus instintos, olfato, paladar, audição vão ficar mais aguçados e as emoções a for da pele.”
Senti-me um pouco culpada por estar feliz com aquela situação. Sempre tinha vivido sozinha e apesar de não desejar a minha vida pra ninguém, era bom saber que agora teria um companheiro. Styles e Scott passaram a tarde do domingo na minha casa. Pesquisamos sobre mordidas de lobisomens e achamos algumas aberrações que me renderam boas gargalhadas. Por último eles me perguntaram por que eu estava procurando os Hale, resolvi não dizer que eles era lobisomens também e contei apenas da minha amizade com Laura. No início da noite eles foram embora, teriam aula no dia seguinte. Scott era meu vizinho então fiz questão de salientar que qualquer dúvida ele poderia me procurar. Ele agradeceu e seguiu para casa enquanto eu ficava imaginando que dia louco eu havia tido.
Sentei no sofá da sala enquanto Bruno assistia ao noticiário e o Guilherme se preparava para o plantão. Olhei para a televisão e entrei em choque; havia uma foto de Laura no canto da tela e a repórter falava sobre o corpo da garota encontrada na reserva: era ela.